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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

um novo morre deabo


Moça, eu não sei você, mas eu faço parte da trupe em que Evil Dead (1981) está no coração. Faz parte da nossa história de vida, formação de caráter e achar uma delícia mergulhar o pão com manteiga no café com leite.  

“Completamente desnecessário” é um clichê que podemos usar sobre esses remakes/continuações/prequels/homenagens (chamem como quiser) de qualquer filme. Posso citar uma dúzia de exemplos entre bons e ruins, mas e daí? Como diria Fábio Nóvoa (Radar Trash), todos vão sofrer o mal da comparação com o filme original. Então, vamos lá, A Morte do Demônio (2013) está no balaio dos que eu achei bons mesmo!

Como todos sabem, o filme original é praticamente o precursor do estilo “cabana na floresta com jovens se fudendo de forma não prazerosa”. Afinal, ir para uma cabana velha no meio do nada era o suprassumo da diversão antigamente. No remake eles mudaram a motivação do grupo (a reunião é pra afastar um deles das drogas) além de outros pequenos detalhes pra tornar o filme mais atual e crível, exceto o fator possessão demoníaca, que sempre acontece nas melhores famílias e nunca sai de moda.

Você, garotinho(a) juvenil que não viu o de 1981 até agora, seja porque tem aversão a filmes que você considera velhos mas inexplicavelmente usa óculos de aros grossos da sua avó - ou não viu por qualquer outro motivo como falta de oportunidade -  veja primeiro essa versão de 2013. Creio que aproveitará muito mais esse Evil Dead, que recebeu a tarjeta para maiores de 18 anos nos cinemas -  algo que pensei estar extinto.

Isso mesmo, acabou o texto sem mencionar Sam Raimi, assinaturas, homenagens, pós-créditos e blá-blá-todo mundo falou disso-blá-blá-blá.

Um post sobre o original AQUI.




sexta-feira, 23 de agosto de 2013

up a gangsta style

Mermão, em Caça aos Gângsteres (2013) estamos em 1949 em L.A, exatamente quando Sean Penn decide dar uma de KingPin, metendo-se numa série de negócios ilícitos e dominando a cidade na base do tráfico de influência ou na porrada mesmo, comprando autoridades e transformando tudo em Gothan City sem Batman. Coloquei referências de HQ no parágrafo só para parecer que manjo das cultura pop.

Então, o único chefe da polícia que ainda não foi comprado designa o único tira durão que não foi comprado para montar uns Intocáveis com os únicos tiras que não foram comprados. Uma força tarefa ultra secreta do estilo “ninguém pode saber, nem os historiadores, já que o filme é baseado em fatos reais”.

É um filme noir, tipo Serpentes a Bordo, temos muitos tiroteios, sopapos, frases de efeito – do tipo, já ouvi ou li isso em algum lugar - e um romance (se é que posso chamar disso) meia boca. Aliás, descobri o meme do Gosling e o cereal um dia antes de ver o filme, o que elevou exponencialmente eu não levar a sério o que não era pra ser levado mesmo, corro o risco de nunca mais ver o ator sem lembrar disso. No geral, a pegada do filme é bem caricata e violenta, o que me fez pensar se não eram as pessoas que eram caricaturas vivas mesmo naqueles idos. Senti saudade da minha infância, uma época em que homens resolviam suas diferenças nos punhos e ninguém se metia, enfim, não estávamos nessa sociedade mimizenta de hoje. Mas aí lembrei que a tal infância não era minha e sim de Clint Eastwood.

A piada de noir com Serpentes a Bordo foi fraca, mas se você não entendeu ou passou batido, parabéns...eu também queria ser uma pessoal normal que nem você.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

mundo pós-apocalíptico para os coalas


Rapaz, o universo pós-apocalíptico que me deparei esta semana foi o de Oblivion (2013). No filme, a terra está lidando com aliens que explodiram a lua, desencadeando uma série de catástrofes naturais (forçadas) pelo planeta, dentre elas, o desaparecimento das árvores de eucalipto. Tom Cruise, que é um coala, está duplamente em apuros, num universo pós-apocalíptico e pós-eucalipto, já que ele só se alimenta disso.

Então, acompanhamos Tom correndo de um lado para outro em meio a explosões de robôs-bolotas e excelentes efeitos visuais. Como a grana estava sobrando a produção contratou o Morgan Freeman e o Jaime Lannister (não quero procurar o nome do ator no google) para aparecer em ¼ do filme falando um texto genérico.

Esta aventura do coala Tom me lembrou um filme do filho do David Bowie, do qual gostei muito (me refiro ao filme): Lunar (2009) e também de um outro filme que não vou dizer porque se você por acaso viu os dois, e não tiver problemas sócio cognitivos, irá juntar as peças e este parágrafo seria sem esforço um spoiler.

Se você acha que escrevi sobre Oblivion só para fazer o trocadilho de um coala vivendo num mundo pós-eucalipto, eu só digo pra você: Bingo! A propósito, um bom nome para um coala, caso compre um na feira da Pedreira (Belém – PA).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

As arvres somos nozes das vida

De uns tempos para cá eu decidi parar de ver os trailers dos filmes. O fato é muito simples: eles contam toda a porra do filme! Virou um processo semelhante aos resumos das novelas, que saem no jornal com uma semana de antecedência à apresentação dos capítulos. Em mais um dos grandes mistérios da humanidade, como você pedir ao sorveteiro um sorvete de 1 bola e ele colocar sempre duas, incrivelmente as meninas ficam com mais vontade de ver depois de ler o bendito resumo/spoiler. Se você um dia nasceu menino e hoje faz isso também, desculpe pela falta de inclusão.

Eu criei uma teoria assim que vi o trailer de A Árvore da Vida (2011), de Terrence Malick. “Nossa, não mostra nada sobre o filme. Não conta a história. Acho que é um bom filme. A gente sabe que um filme é bom quando o seu trailer não conta o filme. Inclusive a partir de hoje, todo filme cujo trailer não dá spoiler ganha o Oscar!” Teoria do Trailer, P. Naz (2011).





Não foi por falta de aviso. Eu já adorei filmes que muita gente (tipo, todo mundo) não gostou, mas nessas experiências de não se influenciar por opiniões alheias, uma hora temos que pagar pela nossa ousadia. Vou citar dois pontos que podem ser usados por quem se dispor a defender a obra : 1) O filme tem cenas bonitas : Sim, tem cenas bonitas, como tem cenas bonitas algum videoclipe do Coldplay. 2) Acho importante essa liberdade criativa do diretor: Lógico, por isso existem filmes muito fodas no mundo, o que não é o caso deste.

Eu soube que uma vez Terrence Malick viu-se com uma penca de atores e narrações que foram todas descartadas de um filme, um material com mais de 6 horas das quais ele teve que extrair os 170 minutos importantes que deram origem ao resultado final chamado de Além da Linha Vermelha (1998). Acho que ele fez o mesmo com A Árvore da Vida, só que ao contrário. Malick pegou todos os trechos que poderiam ser importantes para a história e substituiu por nebulosas, imagens disformes, figuras coloridas e national geographic. Aliás, se você quer realmente algum argumento válido para defender o filme, este é o melhor: “Mermão, é um filme sobre a relação entre pai e filho e entre os três filhos do mesmo pai e tals...e tem uns DINOSSAUROS, que não são parentes, saca? Muito louco, cara!”.

Com The Tree of Life eu aprendi três coisas: 1) Terrence Malick deve ser um cara muito gente boa para Brad Pitt e Sean Penn aceitarem fazer este fillme. 2) Minha Teoria do Trailer caiu por terra no momento em que não considerou o caso de: Quando o trailer não contar nada do filme ser exatamente o que é o filme. 3) Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé.

"-Só vim aqui pra lembrar que você não é caveira, você é moleque!"

domingo, 31 de outubro de 2010

sangue, vômito, peitos e tripas em 3d

Esse tal cinema 3d já entrou - junto com Megan Fox - para o hall das coisas que não me fascinam. Acho indigno pagar mais caro para usar um óculos do Chico Xavier durante duas horas e ainda ter que devolvê-lo no final – sem falar que ele serve mais para não se ver as coisas borradas (= sem óculos) do que alguma coisa saltando da tela. Se eu quisesse ver algo saltando da tela, assistiria àquele vídeo macabro do Ringu e esperaria depois de 7 dias a Sadako em grande estilo. De qualquer forma, a minha 2º experiência no ramo 3d foi bem mais divertida que a estréia. Por ser o único filme com vagas no horário adentrei a sessão de "Piranha 3D" (2010), do nosso jovem amigo francês Alexandre Aja (recomendo "Viagem Maldita" e "Alta Tensão").



Todo mundo que não nasceu ontem sabe que há tempos bichos violentos tocam o terror no cinema. Só no quesito ameaça aquática são tubarões, monstros marinhos, piranhas, polvos, crocodilos...sobrou até para a Orca virar um golfinho maldito assassino. Além de uma homenagem a esses filmes, trazendo inclusive atores dasantiga como Richard Dreyfuss e Christopher Lloyd, “Piranha” resgata o terror causado pelo esquecido peixe do título. E antes que você me venha com a piadinha do tipo “Ah, se eu quisesse ver Piranha em 3D, iria ao puteiro! Uaca, uaca, uaca!”, saiba que Alexandre Aja pensou o mesmo e convidou Gianna Michaels e Riley Steele para o elenco (mas as boas atuações delas você encontrará no PornHub ou Xvideo mais próximo).


No filme, um grande lago é a maior atração da cidade. Um abalo sísmico abre uma fenda liberando piranhas pré-históricas (as originais) perto do grande evento turístico-comercial: uma festa que reúne a juventude transviada do momento, com muitas drogas, seios à mostra, música ruim e pau no cuzisses gratuitas, o de sempre. O fato é que em 15 minutos de filme, já temos uma vontade imensa de que o cardume faça sua parte e ajude no controle populacional da terra. O que acontecerá com maestria e absurdez em cenas hilárias com muito sangue, vômito e tripas em 3d. No meio disso temos o jovem Jake, que todo verão tem que ficar em casa cuidando dos irmãos mais novos, mas desta vez está empolgado como guia para uma equipe de filmes pornográficos. Ele é o herói que elegemos contra as piranhas...porque essas cretinas começam a comer alguém antes mesmo dos atores, minguando o plano do rapaz se envolver em alguma sacanagem certa e iminente.


Final da sessão, da poltrona de trás ouço: “Hahaha, valeu cada centavo!”. E eu não pude fazer outra coisa a não ser concordar com o cara. Eu me diverti litros com esta obra! Terem pagado meu ingresso e o grande nº de garotas de biquíni não tiveram nada a ver com isso. Um filme para quem curte um pânico generalizado e já está puto com os animais muito loucos da sessão da tarde.




"É, eu acho que agora já podemos escrever o memorando pedindo a interdição do lago."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"quer me fuder? me beija!"

Sabe aquele discurso do José Wilker sobre valorizar o cinema nacional, ver mais filmes produzidos no país, o mesmo que ficou mais conhecido depois da imitação do Marcelo Adnet? Pois é, faz todo sentido diante de um filme como Tropa de Elite 2 (2010), de José Padilha. Se você como eu, não gosta da maioria dos filmes nacionais que vê e acha que independente de patrocínio ou produção, acredita que um filme depende muito de caras fodas que saibam contar boas histórias na 7º arte, bate aqui o/ ! Para quem gostou deveras desta sequência do crássico felomenal do cinema nacional, creio que a única coisa que eu realmente acho escrota é o Tijuana... “pega um pega geral, também vai pegá você”. Dá um tempo!



O que acontece neste segundo episódio da saga de Roberto Nascimento é justamente o fim de tudo que ele acreditava. Após fortalecer o BOPE e praticamente exterminar a ação de traficantes, ele se vê às voltas com o surgimento de milícias – criadas da ação de policiais corruptos. De forma até mesmo didática, o filme mostra como se dá toda a origem do negócio até o fortalecimento com o envolvimento de figuras públicas: deputado, secretário de governo e etc – esse pessoal que na teoria deveria ajudar a sociedade. No maior clima “Inimigo do Estado”, Wagner Moura vai narrando o drama de seu personagem, que todos sabemos, tem convicções bem severas quanto a lidar com bandidos e afiliados – e não importa se eles são vítimas de uma sociedade excludente que não deu oportunidades ou playboys que tiveram tudo e agora lucram mais ainda com vidas alheias. É a visão de um cara que trabalha há 20 anos na polícia e sabe que está numa guerra. É o que guia o filme, é o que guiou o primeiro e levantou a bandeira de ser FASCISTA! Porra, eu nunca achei isso, nem você que não leva nada a sério... mas muita gente (que adora frescar e participar de discussões que não levam a nada e não ajudam ninguém) achou. Pelo menos no segundo filme temos um contraponto na figura de Diogo Fraga, o cara dos direitos humanos. Com suas ações e visão de mundo, ele tem uma participação essencial no desenrolar da história. No final das contas, a verdade é que cada um só está cumprindo o seu papel...e nenhum dos dois está contente em fazê-lo.

O novo tropa é um filme acima da média das produções de ação/conspiração/drama de qualquer nacionalidade. E se tem uma coisa que não entendo nesses filmes brasileiros que acho dos bons, é como eles conseguem envolver os atores na atmosfera/clima do filme? Até o André Mattos, que é caricato pra caramba, ficou perfeito no papel de demagogo apresentador de programa policial (o que espero não ser um pleonasmo). Acho que até se metessem o Thiago Lacerda nesse filme, eu iria achar tudo dugarai!

Minha conclusão ao final do filme é que Tropa de Elite 2 deixaria o povo brasileiro muito feliz se fosse exatamente o que diz ser: apenas uma ficção. Se já existe uma cópia na banca da esquina filmada por uma TEKPIX ou se há links disponíveis para download, não interessa! Este é o momento em que você deve lembrar de José Wilker e sentar o dedo nessa porra no cinema! Permissão concedida, aspira!

Nova versão de "quem disse que a boca é tua?!" = "Quem disse que o comando é teu?!".

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

pela cota de mulheres carecas

Durante um tempo, não lembro de ter visto um filme de alienígenas que me empolgou até o Distrito 9 (2009) – que deveria ter levado o Oscar. Antes dele, gostei do Altered (2006), que tem um bom enredo e um alien bem carniceiro. O último de ficção científica que me deparei e indico com polegar estendido é este "Splice" (2009) de Vincenzo Natali (o mesmo cara de "O Cubo"). Não se trata de alienígena, mas de uma nova espécie criada pelo homem - este eterno pândego inconsequente.



Um casal de cientistas bioquímicos consegue criar um novo ser através de um splicing (mistureba) de DNA’s de várias espécies: aves, répteis, mamíferos e etc. O bichinho vai muito bem, obrigado, e é capaz de produzir uma proteína supimpa para ser usada na indústria pecuária. “Nossa, imagina quantas doenças poderíamos curar e em quantas capas de revistas iríamos aparecer se criássemos um outro com DNA humano dessa vez, heim?” – idéia que surge na cabeça da mulher da relação. É claro que tal plano foi devidamente rechaçado pelo alto escalão da companhia científica, devido às pressões que poderiam sofrer da opinião pública, religiosa e a balbúrdia que ocorre com a descoberta de manipulação de DNA humano e pouco recheio no pastel.


Após ler o livro "As Moçoilas Gritam Ética", o cientista cede ao desejo da esposa, com a condição de gerar o embrião apenas para saber se eles são capazes de fazê-lo, tá beleza? Daí eles passarão o resto do filme que nem aqueles pedreiros que você contratou para uma obra na sua casa: competindo quem consegue fazer mais merda!


A premissa manjada de monstro criado pelo homem que foge do laboratório e sai matando todo mundo por aí cai cedo por terra. Logo o filme explora o drama da personagem de DREN, a criatura, que provavelmente sofrerá do mal que assola todos os únicos de uma espécie, os excluídos, como Rocky Dennis e o monstro de Frankenstein. No início, o filme lembra A Experiência (1995), aquele que pegam DNA alienígena e criam uma gostosa! Você pode pensar que se Natasha Henstridge, loira, alta, estrangeira, teve dificuldades para conseguir descabelar o palhaço no outro filme... o que será de Dren, com rabo, joelhos ao contrário e careca?! Pois é, mas há uma corrente filosófica que diz que "pornografia é igual informática: é preciso estar se atualizando sempre!" (Loro da Doca).


Os efeitos especiais são da melhor qualidade e os atores idem: Adrien Brody (de pianista raquítico que passa um filme inteiro se escondendo de nazistas até virar mercenário que enfrenta sem camisa o Predador), Sarah Polley (talentosa atriz/diretora relembrando horas de tensão como em Madrugada dos Mortos) e Delphine Chanéac (alterada geneticamente, sinistra, inocente e perigosa). E aí, afim de um drama-horror-science-fiction-erotic-triller? Vá de Splice! É um prato cheio para quem gosta dos filmes do David Cronenberg e Paul Verhoeven.

Eu heim, me erra bonito, tá!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ufa, ainda bem que é o último!

O cinema estava até o talo! Pessoas sentadas no chão, coisa que não via há muitos anos (nem sabia que isso ainda era possível). Jovens gritando e fazendo suas gracinhas, o cheiro de pipoca no ar e falhas na projeção - o filme sumia da tela e as luzes eram acessas em momentos aleatórios. Lembrou-me da época em que os cinemas não estavam alojados (obrigatoriamente) no interior de shoppings e ir ver um filme era um evento magnânimo. O mais impressionante é que esse caos todo foi a melhor coisa que aconteceu na sessão de "O Último Exorcismo"(2010).


O cartaz do estilo: "Melhor filme de terror de todos os tempo epic win ever!". Malditos cartazes, e olha que eu só o vi depois de ter assistido ao filme!


Sabe aquelas continuações que destroem tudo o que o 1º filme foi um dia? Pois é, The Last Exorcism consegue fazer isso num único filme. Porque a história é até boa:


Pastor tem sua fé abalada após ler num jornal a morte de um garoto por pessoas que tentavam exorcizá-lo. Hoje ele faz seus ritos porque aprendeu a evangelizar desde cedo e tem família pra cuidar, mas sem saber se realmente ainda acredita em Deus. Então, ele vai pregando a palavra em sua igreja e fazendo exorcismos – que não passam de um teatro de charlatanismo cujo objetivo é curar as pessoas, já que elas realmente acreditam que estão sob influencia de algum demônio. Para deixar para a posteridade que essas possessões demoníacas são apenas fruto de problemas psicológicos + crenças medievais da população, ele chama uma equipe para gravar seu próximo exorcismo (um cameraman e uma assistente). Sim, outro filme de câmera subjetiva...e cada vez mais eu percebo que a função desses filmes é apenas mostrar o quanto REC é bom!


É até bacana descobrir aos poucos os truques do pastor e a atuação da atriz em algumas partes, como as da calistenia demoníaca, alongamento extreme ou seja lá que porra for aquilo, sem efeitos especiais...mas acaba aí, e isso já e dar muito crédito a este misto superficial de O Exorcista (há uma leve impressão de putaria, que de tão leve chega a ser constrangedora) + O Exorcismo de Emily Rose (acho que usaram o mesmo celeiro) + A Bruxa de Blair ( ah, vai tomar no c*!).


De resto: O filme sacaneia geral com a nossa cara o tempo todo, que esperamos sempre por uma coisa realmente assustadora (e isso significa, que aconteça alguma coisa, qualquer coisa!) ou que ainda há esperança de que uma reviravolta salve tudo – insisti nisso até o momento em que o pastor Cotton Marcus tem a excelente idéia de visitar o rapaz que trabalha num Café na beira da estrada. Anote aí. É o momento em que você deve sair do cinema ou parar de assistir (já que infelizmente começou). Até o clichê de homem de Deus que se mete numa encrenca daquelas para recuperar a sua fé seria melhor do que sermos postos à prova num final inacreditável de tão ruim! O pior é que não acredito que tenham feito aquilo de pura sacanagem, mas sim, porque acharam que era um final dos bons mesmo!


Lembrei dos finais de "Em Busca do Cálice Sagrado" e "Dead or Alive". No filme do Monthy Phyton, os cavaleiros do rei Arthur são presos pela polícia, com direito a viatura e tudo, um absurdo e um dos mais hilários términos de filme porraloka que já vi. No outro, Dead or Alive é um filme de máfia japonesa até que no final... Takashi Miike (diretor) faz um duelo em que um cara tira uma BAZUCA (acho que do rabo) e o outro dá um HADOUKEN! Se você não viu esses filmes, não leia o que eu escrevi acima. \o/


É, depois de O Último Exorcismo, percebi que até para TROLLAR o próprio filme é preciso talento – coisa que essa produção só tem em ganhar dinheiro.




- Onde está seu Deus agora, Pastor?!- Na puta que te pariu! Sou mais o Bernie de "Um Morto Muito Louco"!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

capitão planeta sem coração

Tem um diálogo numa tira do Allan Sieber : “- Nossa, fui ver Transformers no cinema! Que bomba! / - Bem feito, o que você esperava? Um Scorsese, estúpido?”. Eu pelo menos tive a premissa de gostar dos filmes do M. Night Shyamalan para ver "O Último Mestre do Ar" (The Last Airbender). Aproveitei o embalo para finalmente experimentar esse negócio de cinema em 3D – que em Belém significa: Ficar 3Dias na fila pra conseguir ver um filme.




Antes de explanar sobre o dinheiro de ingresso mais mal gasto da temporada (revelei cedo, não?), deixo-lhes com as palavras de Andy Caramujo ao término da sessão: “Shyamalan deveria ter parado em A Vila. E olha que eu acho A Vila uma merda!” Eu já gosto de A Vila, que junto com Corpo Fechado são os meus preferidos do diretor. Mas até eu, que tenho uma consideração com suas obras, por serem bem contadas histórias originais para cinema (nada de adaptações), não posso negar que depois da vila ele vem num decrescendo implacável: "A dama na água com acuçar", "o fim dos tempo"...até culminar com esta versão cinematográfica MR.PRAQUÊ do desenho "Avatar", aliás, uma série de animação muito firme, como dizem os moleques daqui.

No filme, que se passa numa terra fantásdiga, cada povo é ligado a um elemento da natureza. Alguns indivíduos mais sortudos são chamados de dominadores porque possuem a capacidade de controlar os elementos e até utilizá-los em combate. O problema é que para isso eles precisam fazer altos movimentos esdrúxulos, que tentam emular katis de Kung Fu. Quanto mais vergonha alheia a coreografia lhe causar, melhor será o poder da água, do fogo, da terra ou do ar em questão, sacou?

O Slumdog Millionaire parece um vilão secundário de Power Rangers e o outro rapaz participa das duas tentativas frustradas de "cena engraçada" no filme – as próximas piadas foram apagadas do roteiro depois disso.
Vez por outra, os povos guerreiam entre si, mas existe alguém acima do bem e do mal que vem para trazer o equilíbrio da força (Luke Skywalker), a união entre todos (Jesus) e mostrar que vocês não aguentam 10 minutos de porrada comigo (Gil Brother Away): O Avatar, que pode controlar todos os 4 elementos da natureza (vai, Planeta!), o que sem dúvida deve ser de muita responsa!

Para resumir: Katara, a water
bender, é a única atuação convincente do filme; O povo do fogo usa brilho no cabelo e são todos parentes do diretor; As lutas corporais não possuem impacto visual ou real...e as elementais não ficam atrás; Eu quase dormi em algumas partes, como nas visitas ao dragão; E para terminar: eles poderiam ter chamado o filho do Jet Li, poderiam ter chamado até o Jaden Smith ou qualquer moleque que soubesse o mínimo de artes marcias para fazer Aang (o avatar)... então, alguém pode me explicar por que pegaram a menina do "Escola de Rock" e rasparam a cabeça dela?

Quero ser internado no Asilo Arkham se eu for o único a ter pensado nisso!

Por falar nisso, acho que não teve uma seleção para escolher o ator mirim do protagonista. A não ser que a intenção fosse escolher o pior, ou o que sempre faz a mesma cara de moleque assustado que tem o lanche roubado na escola. O pior de tudo é saber que este é só o 1º filme! (a idéia é fazer pelo menos uns três!). Eu acho realmente que se você, como eu, estiver interessado em saber como Aang aprende a controlar todos os elementos, passemos para o desenho animado, sem escalas!

Apesar de tudo, ainda é possível ver Shymalan nos planos de ação, com aquelas tomadas de lá pra cá, daqui pra lá, dando aquele interessante efeito de gangorra de um take só, mas e daí? Eu já tinha achado tanta coisa escrota que nem sei como ainda consegui pensar nisso ...

E para somar a minha experiência, eu achei muito espetaculares aquelas LEGENDAS DO FILME EM 3D! Porque elas são a única coisa em 3D durante o filme inteiro! Ufa, ainda bem que não o assisti dublado, senão iria pedir meu dinheiro de volta, heim! Moviecom, seu lindo!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

a soma de todos os sustos

Eu devia ter uns doze anos quando meu irmão chegou com uma fita VHS em casa todo empolgado. Achei nada mais nada menos que uma ótima idéia rodá-la no nosso novíssimo (sorteado em consórcio) videocassete Toshiba 4 cabeças de 500 kg. Meu brother já assistira o filme em suas mãos num cinema próximo de casa, o saudoso China da Pedreira – de uma época em que a Igreja Universal ainda não tinha começado o extermínio em massa de cinemas no país. Poucos anos depois, eu estaria freqüentando sessões com "Shaolin, o lutador de um braço só" e filmes de ficção científica lado B, com alienígenas dentro de melancias. Mas naquele dia, aos 12 anos, até mesmo num cinema da periferia da cidade eu seria implacavelmente barrado na portaria decorada pelo poster:
Eu sorria por ter a oportunidade de desvendar o mundo da 7º arte, sem saber o que me esperava. Quem gosta de filmes de terror sabe que se trata de "A Morte do Demônio" (1981), de Sam Raimi – bem antes de assumir (e já abandonar) a franquia do Homem-Aranha nos cinemas. É o primeiro da série, que ganhou duas seqüências que descambaram gradativamente para um terrir, um estilo que Raimi aposta sempre que quer sacanear, como no recente Arraste-me para o Inferno (2009). Mas neste primeiro filme, os risos só me seriam liberados muito tempo depois: já com uma boa kilometragem de filmes de terror rodada e a capacidade de discernir tecnicamente os parcos recursos utilizados, o singelo rir de algo por ser trash, enfim.

A história inédita (até então) dos amigos cujo modelo de diversão era se meter numa cabana isolada no meio do mato durante o fim de semana era o suficiente pra mim. Eu não sabia de mais nada, no máximo que eles sofreriam alguma ameaça das bens comuns e fantásticas plausíveis: um lobisomen, um vampiro, até mesmo um alienígena. Eu estava longe de cogitar alguma coisa demoníaca, porque meu irmão apresentou-me o filme pelo outro nome que é conhecido "Uma Noite Alucinante". Logo os jovens da história encontram um material de um antropólogo, que num dia de grande tédio passou a se dedicar a traduções do Necronomicon, o livro dos mortos – que reúne toda sorte de rituais macabro-satânicos. Só que até aí...isso tava muito barato.

Naquele noite eu levaria o maior susto da minha vida ao mesmo tempo em que meu irmão assinaria sua carteirinha do clube dos grandissíssimos filhos da puta! No meio das coisas do cientista, havia um gravador e uma fita que os jovens passaram a ouvir por curiosidade. Nela, ele profere em língua desconhecida o manual de instruções para se evocar os demonho. Ao termino da leitura, Raimi orienta marotamente a câmera atrás de uma das garotas enquanto meu irmão se prepara para me atacar...dando um grito maldito no exato momento em que a moça se vira completamente possessa e visão dos infernos!







O espírito da coisa!





ME FODI TERALITROS! Meu coração já tinha se desintegrado de tantos “tump-tumps” antes mesmo d’eu descobrir as traquinagens que viriam logo mais : árvores estupradoras, o espírito infantil que baixa na namorada de Ash (isso é sinistro pra mim até hoje) e outras cenas marcantes, como a garota presa no porão - que inspirou o clipe de Everlong do Foo Fighters. Sem contar que se você já achava legal que a única maneira de salvar seu amigo que virou zumbi era lhe estourando os miolos, vai adorar livrá-lo do fardo de ser possuído por uma entidade demoníaca: é só esquartejá-lo! Quanto mais pedaços, é mais garantido.

Eu acho que tirar demônio do corpo por esquartejamento é um método que os pastores das igrejas (que tomaram lugar dos cinemas) deveriam experimentar de vez em quando em seus cultos. O que até justificaria aquela gritaria toda.

Uma cena que me deu muito gosto de não ter porão na minha casa!


NOTA: É, eu tive a grande ajuda de: Sam Raimi + irmão sacana + ser medroso mesmo pra levar esse susto horriver! Você que passa por aqui e nunca comenta nada, vamos interagir, diga lá qual maior susto que você já teve em um filme? =)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Black Death" (2010), de Christopher Smith

A Europa na Idade Média era uma parada: O cara não tomava banho (muitos até hoje), fornicava em condições insalubres, coçava a bunda comendo no meio de ratos e baratas e quando começava a cuspir sangue dizia que era castigo de Deus. Sabemos que a influência de nosso velho criador ainda é total na vida de muitos humanos do mundo high-tech, mas é no contexto da Inglaterra do século XIV que Christopher Smith (de Triangle) desenrola esta historieta sinistra, como se chamar o filme de a própria peste bulbônica já não fosse sinistro o suficiente.

Não conseguindo mais pensar em razões para Deus castigá-lo, um jovem monge resolve ter um caso amoroso com uma camponesa no auge da peste negra. Como todos estão fugindo da cidade, menos os ratos (RÁ), a moça foge para a floresta frisando que vai esperá-lo durante uma semana...para que eles finalmente possam viver felizes para sempre. Sentindo-se culpado com essas atitudes anticelibatárias, o rapaz permanece no mosteiro esperando um aviso divino, alguma razão para ele partir além muros, uma desculpa para encontrar a cabroxa sem achar que é só por pura sacanagem mesmo.

Eis que Boromir, antes de se juntar a Frodo, chega ao mosteiro com uns malencarados! Eles estão numa missão divina para encontrar um vilarejo que não é afetado pela doença, e para isso, precisam da ajuda de um monge que seja a última palavra no quesito credibilidade com Deus. E nós já sabemos quem eles vão levar, não sabemos? Entre ficar rezando e morrer pela peste ou ir embora com a possibilidade de comer alguém, qual opção você escolheria? Já é! Mesmo que essa história de vila sagrada fosse só um lero-lero para lhe levar de laranja numa viagem ao inferno. Hohoohohohohohoh <-- risada macabra.


Você, meu amigo Prof. de História, saiba que Black Death é um ótimo título para o set didático das aulas sobre a era e o pensamento medieval. Coloque-o na prateleira junto de As Bruxas de Salem (pós idade média, mas retrata bem a pedreira contra as práticas anticristãs), O Poço e o Pêndulo (dê uma chance ao do Stuart Gordon, de 1991) e O Nome da Rosa (clássico tarimbado nas sessões de sala de aula).


Boromir cria sua própria sociedade do anel mal lavado, bem mais realista e pestilenta!



SPOILER: Um aviso de spoiler contém coisas que eu não quero contar pra quem não viu o filme! Não leia, é sério. Tenho um amigo que lê esta parte mesmo sem ter visto o filme...e quem fica puto sou eu, não ele. Porra, Anderson, dá um tempo!

Ora vamos, nós sabemos que esse polvo medieval era muito exagerado e radical! Eles só estavam num vilarejo, recepcionados pela Camila Morgado e outras garotas todas se querendo, que não sabiam a letra do pai nosso. Se tivessem sido um pouco mais razoáveis, enfim... Acho que pior do que ter matado a própria amada, foi ouvir a explicação da Necromante: “Ela não estava morta, foram apenas dorgas, mano!” Hahaha.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"O Cavaleiro" (The Horseman) 2008, de Steven Kastrissios

Os últimos filmes da Austrália que entrei em contato foram os do Greg McLean, Wolfcreek (2005) e Rogue (2007). Ambos têm uma vibe meio xenófoba, algo do tipo, “vão embora daqui seus turistas malditos, antes que eu corte seus dedos fora ou virem alimento para o meu crocodilo gigante!”. Eu devo ter visto poucos filmes australianos na minha vida e provavelmente nem fazia ideía da origem quando os vi pela primeira vez, como Mad Max (1979) e a A Fortaleza (1986). O que há em comum em todos os mencionados: Sempre algum cara escroto está fazendo coisas escrotas com outras pessoas! (menos o Rogue, neste caso é um crocodilo escroto). Mas falo de atitudes extremas mesmo, que ganham mais uma seqüência com este The Horseman. Se depender unicamente dos filmes com as histórias barra pesada que rolam por lá, não vou dar as caras na terra do canguru tão cedo.


"Ele não pode trazer sua filha de volta...mas ele pode mandar seus assassinos pro INFERNO". Bem badass motherfucker, heim?


Não deve existir tantos filmes de vingança quanto os de amor, mas que eles são uma porrada, isso são (normalmente nos dois sentidos). Neste uns caras estupram, drogam, matam e gravam um filme pornô com uma garota maluquete (pode alterar a ordem das ações). O pai da moça, um cristão de 44 anos, resolve amassar, lanhar, estropiar, desconjuntar, barbarizar qualquer indivíduo que tenha algum envolvimento nas gravações do filme que culminou na morte da pequena - dos produtores ao cara que se masturbou achando tudo dugarai véi!

Enquanto ele vai encontrado os rapazes, o máximo que acontece de história é ele tentar forçar uma amizade com uma menina que pede carona e parece quase tão perdida quanto a filha antes de partir. O resto, só a porrada nua e crua, que de exagerada, cansa e por incrível que pareça, deixa umas seqüências bem chatas. No cartaz diz que "Get Carter (O Vingador do Michael Caine) encontra Old Boy (vai ver só porque ele também tem um martelo )"... mas eu diria que “Busca Implacável” encontra “O Albergue”.

Que ele não foi nenhum exemplo de pai exemplar dá para saber desde o início, mas tudo bem, porque em The Horseman todos os câmeras, atores e demais profissionais da pornografia são malfeitores sádicos e assassinos. O pai vingativo enfia um anzol no pênis de um cara desacordado. Quando o caboco acorda e checa a situação em que se encontra, a primeira coisa que fala é: "VOCÊ É UM HOMEM MORTO, CARA!". Dá um tempo! Que espécie de ator pornô é esse? Onde foram parar meus heróis da juventude?!

Um filme aconselhado para quem gosta de porrada seca, porrada molhada, torturas em geral e acredita que a vingança é plena, não mata a alma e nem a envenena.


“Ah, então você é o cara que fazia o café no set de filmagem, é? Beleza, contigo vou usar só as bolas tailandesas!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Os Mercenários" (The Expendables) 2010, de Sylvester Stallone

Há uma cena em Predator (1987) em que Dillon, o contratante dos serviços do Major Dutch, diz que eles são os caras mais fodões do planeta mas no fundo são todos descartáveis. Dutch olha para ele nada feliz por ter encontrado um soldado esfolado e diz: “Meus homens não são descartáveis (= expendables)”. Mercenários bem pagos aceitam todo tipo de trabalho e o melhor de tudo, são dispensáveis. A idéia explica o nome que Stallone deu ao seu projeto action revival, cujo plano consistia em reunir grandes astros de filmes de ação de ontem e hoje. Pra quem cresceu vendo explosões, atuações canastra e frases de efeito, até que Sly cumpre a promessa e com um bônus... faz parecer que todo mundo escorrega no quiabo!


"The Expendables" significa..Os Explendorosos...uuuii!

Ora vamos, não é implicância. Desde o primeiro trailer de Os Mercenários eu me perguntei “Mas o que Stallone tá querendo com esse cavanhaque e essa cara de cafetão gay ?”. Pessoal, é sério! Sabe aquelas narrativas do Seu Peru (da escolinha do Prof. Raimundo) em que ele distorcia a história revelando que todo mundo era da irmandande, pois é. No filme, Sly lidera um grupo de mercenários contratados para eliminar um ditador fictício de uma ilha marionete, ops. Aliás, a contratação é de levar às lágrimas os fãs, juntando na mesma cena: Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Ivo Pitanguy – por segurança, para não deixar extrapolar o nível de botox permitido num único take de cinema.

Silvestre e o chegado que tem mais afeto, Jason Statham, resolvem visitar a ilha “pra ver qual é”, cujo contato é "Bela, a Feia" (em versão gata, lógico). Após essa visita básica de rotina e reconhecimento que resulta em 41 soldados mortos e um porto em chamas, Rambo acha de bom tom não aceitar o serviço, dizendo tratar-se de uma cilada, Bino! Quem manda naquela birosca na verdade é um ex-agente da CIA, o vilão Eric Roberts, que desta vez arranjou um gigante da luta-livre e ressuscitou Gary Daniels, protagonista dos filmes de porrada mais esquecidos da década passada.

Acontece que, mesmo cancelando o contrato e agora sem ganhar um único centavo, Stallone resolve voltar a ilha com seu esquadrão-testosterona porque é um entusiasta da tatuagem... e a moça faz uns desenhos loosho! Por falar nisso, cansado de tentar matar o Homem de Ferro, Ivan Vanko (Mickey Rourke) tornou-se o tatuador oficial do grupo. Tem uma parte em que ele chega de moto com uma garota na garupa e bate na bunda dela no melhor estilo “UUUhuuu, adoraria ter uma assim!”. Eu heim...


"-Te disse que aqui era tudo de BOUA, olha o naipe da Ugly Betty brasileira! E olha que ainda nem ganhamos o nosso macaco!"


Pra quem gosta do gênero e criou expectativas de um PUTA filme de ação dos infernos, eu achei fraco. Peralá, estamos falando de Sylvester Stallone e a reunião de ícones da vingança solitária com explosões ao fundo. Arrisco-me a dizer que qualquer um dos atores já participou de algum filme de ação melhor que este (de acordo com meus critérios totalmente subjetivos) em alguma de suas aventuras-solo.

Como sempre, Jason Sthatam é o destaque das cenas, quebrando, esfaqueando ou atirando (ao mesmo tempo), tudo com golpes perfeitos bonitos de se ver, sem nunca deixar de ser um gato...e careca. Depois de detonar 6 caras numa quadra de basquete, eu juro que o ouvi falando: “Agora você já sabe o meu trabalho...sou porradero!”.

Por ter ajudado a quebrar a hegemonia do herói bombado de filmes de ação, o diretor deu a Jet Li nada mais que um castigo justo: servir de saco de pancadas do Dolph Lundgren durante o filme inteiro.

E no final, depois que tudo é destruído, Giselle Itié vem toda insinuante “– E ai, Sly, você vai voltar? / - Valeu, tchau!”. As palavras finais de Jason para Sylvester (e seu cavanhaque bem definido) dentro do avião, pra mim soaram assim : “- Puxa, Lone, sabe o que é pior de tudo? Eu achei que ela não fosse o seu tipo...SUA LOUKA!” Os Mercenários é isso, uma trupe de bichonas aposentadas que precisam muito se auto afirmar explodindo tudo e a todos de graça.


“Garçom, gostaria de Van Damme, Steven Seagal e Chow Yun Fat no elenco do próximo filme, sim? Obrigado."


NOTA - A rede de cinemas Moviecom (a única da cidade) nos deu como única opção, uma única sala, com uma única cópia dublada, no Shopping Castanheira (fica na entrada de Belém - PA). A distância, a falta de opção ou dublagem será a última coisa que você irá se preocupar quando começar a não escutar porra nenhuma do que os atores falam – ou estou ficando surdo ou o som de lá é uma porcaria.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"A Origem" (Inception) 2010, de Christopher Nolan

Após ouvir muitas rasgações de seda e babações de ovo, reuni os amigos e fomos lá conferir Inception, que eu chamo de um filme de assalto a banco de Christopher Nolan... se com 5 minutos de assalto todos os bandidos morrem e aparece o Coringa, imagine o que ele faria num filme inteiro? Deita, tira um chochilo que lá vem a história.


Leonardo Dicaprio especializou-se em roubar segredos (idéias) dos outros da maneira mais fácil que poderia pensar: dormindo. Isso mesmo, senhas de sites pornôs, escalação da seleção, receitas de culinária, tudo pode ser surrupiado mais facilmente quando as pessoas estão sonhando. Como sempre tem alguém querendo se dar bem, desenvolveu-se todo um mercado em torno disso: mercenários dos sonhos, exploradores do subconsciente, criadores engenhosos e empresas para pagar altas somas pelas informações que eles conseguem extrair.

Mas de acordo com os estudiosos que acabei de inventar, mais difícil que roubar uma idéia, seria inserir uma idéia na cachola de uma pessoa dentro de um sonho. É como se no passado você invadisse um sonho do George Lucas com umas lanternas de lâmpadas verdes do Paraguai e simulasse uma luta com os feixes de luz. Manjou? Essa idéia cresceria e o faria milionário alguns anos depois, com todo um universo que lhe renderia grana para algumas vidas. O problema é que para se inserir uma idéia com eficácia é preciso atingir um nível mais profundo de sonho: estar num sonho, dentro de um sonho, dentro de um outro sonho – e isso, de acordo com os especialistas, é deveras perigoso por diversos fatores.

É justamente essa missão que Leonardo aceita e monta sua equipe de RPG bem definida: o promoter, o falsificador, o arquiteto, o químico e o cara de gel no cabelo que parece o Heath Ledger – o time dos sonhos de qualquer assaltante. Como se não bastassem os perigos a que estará sujeito em sonhos alheios, ele ainda tem que aturar a esposa, Juliana Paes, que adora ter discussões de relacionamento e tocar o terror no seu subconsciente.

A grande sacada e dinâmica do roteiro é justamente variar entre os planos de sonho. De outra forma, só veríamos os atores dormindo pra caramba! Meu amigo que dormiu durante o filme entendeu a trama melhor que todos nós! (RÁ). Também acho que, apesar do filme explicar por que o arquiteto não poderia aloprar e dar uma de Salvador Dali no mundo dos sonhos, eu esperava (gostaria) que tivesse mais pirações, afinal de contas...é sonho!

Nolan é um desses nomes da atualidade que me faz lembrar da época em que eu acreditava que determinado diretor vinculado a um filme era sinal de que viria coisa boa pela frente. Eu deixo você gastar essa grana no ingresso com louvor.


Dorgas, MaNolan!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

“Triângulo do Medo” (Triangle) 2009, de Christopher Smith.

Esses títulos em português são broxantes, diga lá?! Pessoalmente eu não sei se faria melhor com os nomes curtos dos filmes do Christopher Smith, como Severance (2006) e Creep (2004), que viraram respectivamente “Mutilados” e “Plataforma do Medo” por aqui, aliás um bom filme de terror a moda antiga. E por falar em medo, ficaram com tanto que Triangle teve o mesmo destino. Pra você que gosta de universos paralelos, fendas temporais e porraloquices no café da manhã, é a melhor pedida nesses tempos de títulos ruins para filmes realmente ruins.



A verdade é que não dá para falar pouco desse filme sem entregar algo. O que posso adiantar é que uma loira deprimida e mãe de um filho autista procura consolo em seu amigo, que mora num veleiro, no dia em que ele está saindo com outros amigos para se divertir e arejar as idéias. Há um certo desconforto entre todos porque a mulher chega meio estranha ao porto...e um casal leva uma amiga para ser um possível interesse romântico do morador do barco. Rápido teremos três casais a bordo e a possibilidade de muito sacanagem pela frente!

O swing em alto mar fica mais remoto quando uma súbita tempestade deixa todos à deriva! Quando procuram abrigo no único navio que passava por ali e o primeiro dos amigos aparecer ensangüentado tentado matar um outro, você vai perceber que está anulada qualquer tentativa de putaria - isso era uma coisa que passou apenas em sua cabeça desde o início, seu tarado!

Se você está se perdendo em adaptações de livros, HQ’s ou no oceano de remakes vagabundos de filmes de terror, vá atrás desse filme agora. Vai ser ótimo para dar uma respirada, e achar que ainda existem pessoas escrevendo histórias originais diretamente para o cinema. A parte engraçada é que alguns consideram Triangle um plágio do filme espanhol “Los Cronocrímenes” (2007) de Nacho Vigalondo. Na dúvida de qual assistir primeiro - apesar de ficar interessado em ver qualquer filme cujo diretor se chame "Nacho" - dei um desconto pra Chistopher Smith e seus bons filmes anteriores. Melissa George de shortinho não tem nada a ver com isso.


Vendo agora por esse ângulo...ter ficado à deriva até que não era uma má idéia!



SPOILER: Um aviso de Spoiler quer dizer que você deve continuar lendo apenas se já viu o filme, ou ainda, se você não viu mas gosta que lhe contem o final e outros detalhes, essas coisas que deixam as pessoas normais putas, sabe?

Se você entendeu o filme, meus parabéns, porque eu não entendi. Mas penso que ela viva o drama do personagem mitológico mencionado no filme (creio que seja Sísifo, e não Aeolos, sei lá). Reviver aquilo para sempre repetidas vezes é o castigo por ela ter sido uma pessoa ruim (descer o cacete no moleque é um indício), é a pedra que ela rola com esforço até o topo da montanha apenas para vê-la rolar novamente até o início. Li em algum lugar que quando ela adormece no barco, esquece de tudo (inclusive do filho morto e da motivação para voltar ao cruzeiro), o que permite continuar o ciclo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"Legião do Mal" (La Horde) 2009, de Yannick Dahan & Benjamin Rocher

“Mas como foi esse teu critério pra querer ver o filme, tu escreveste no google 'filme escroto de zumbi', é?”. As palavras de Andy Caramujo ao término da sessão fazem bastante sentido, mas até que dá para rir e se divertir com "La Horde", filme em que os franceses apresentam seus mortos-vivos. Vê-lo dublado só acrescentou mais gargalhadas (o que recomendo com louvor).


O negócio começa dando a maior pinta de que vai ser um puta filme de ação-policial e coisa e tal: Após ter um de seus amigos fazendo cosplay de Tim Lopes, 4 policiais resolvem tomar de assalto um prédio semi-abandonado para se vingar dos assassinos / traficantes. Quando as coisas começam a dar muito errado para os tiras, do tipo que se diz “putz, não tem como piorar!”, a cota dos apocalypses zumbis chega àquelas bandas francesas. O que se espera é que policiais e bandidos unam forças para não virar ração, sem informações do que está acontecendo lá fora (sanova?!) e sem fazer idéia do quê eles estão enfrentando (porra, atira na cabeça!).

O elenco é de matar (RÁ): destaque para o líder dos traficantes, um nigeriano cheio de aforismos e lições de moral e o velho doidivanas contador de zumbis abatidos. Isole aquele momento de tensão (que sempre tem neste gênero) em que os sobreviventes começam a brigar uns contra os outros e estenda para um filme inteiro. É mais ou menos isso que acontece em La Horde. Por mais que esteja todo mundo no mesmo barco, há um clima de DR no ar o tempo todo entre polícia e bandidos, polícia e polícia e bandidos e bandidos.

Apesar de bem caracterizados, muitos zumbis parecem apenas loucos gritando com suco de groselha na cara e apenas um (o com um saco na cabeça) têm dentes serrilhados! Se alguém souber me explicar que porra foi essa, agradeço. Quase todos cheiraram um bagulho frenético e não param por nada, nem sob fortes impactos. Corredor Polonês é carinho para eles! A edição só ajuda a dar um ritmo cômico aos ataques, parece que a imagem fica em fast foward por alguns segundos.

Tudo bem que não explicar nada sobre a origem da epidemia já vem de berço lá dos filmes do George Romero, mas de todos os filmes de zumbi, La Horde ganha neste quesito de lavada. E não se sai melhor explicando pra onde vai: creio que foi o pior desfecho deste tipo de filme que já vi. Enfim, um filme válido para quem gosta de morto-vivos, tranqueiras em geral ou tem resistência em ver um filme só porque é francês!

Nota: A dublagem brasileira é um espetáculo à parte. Destaque para o trecho em que o líder dos fora da lei mata um zumbi com as próprias mãos gritando: AQUI É NIGERIANO, AQUI É NIGERIANO! ... vai ecoar na minha mente por anos.


Cena revolucionária em filmes de zumbi: Um gordo de bigode e camiseta regata!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Visagem"(2006), de Roger Elarrat

Dos escritores paraenses vivos, Walcyr Monteiro parece ser único que eu lembro de ter lido...sem ficar em algum momento constrangido. É possível que eu esteja cometendo alguma injustiça por não estar lendo o suficiente, mas o que percebo é: mais do que um pretenso e malfadado rebuscamento estilístico, a orientação forçada paroara de ser, a carga amazônica, a chatice encontrada na produção literária local (inclusive virtual) parece não ter limites. O interessante é que Walcyr Monteiro é justamente um narrador e defensor dos encantados, lendas e elementos ditos culturais da história paraense. O que me faz pensar que temos outros escritores que, não é que eu não goste por escreverem sobre isso...não gosto porque eles são ruins mesmo.

Quanto à produção audiovisual no Estado, não tenho receio de cometer alguma injustiça sobre o que eu acho. Até mesmo, porque eu não acho NADA. Depois de ver diversos títulos, clipes e curtas que vão “do nada pra lugar nenhum” ou quando vão, desagradam-me por conta de atores, idéias, falta de bom senso, ou tudo junto...tornei-me um apreciador esporádico, até mesmo casual dos novos vídeos feitos em nossa querida terrinha. Há produções que deram o que falar, como As Filhas da Chiquita [trailer] e Brega S/A [download], que ainda não vi por puta falta de oportunidade (ou sacanagem mesmo, para não perder o hype da família restart).

Não querendo me estender mais sobre o assunto, só queria dizer que se eu fosse obrigado a apostar todas as minhas fichas num representante local da 7º arte, este cara seria Roger Elarrat. Às voltas com seu último curta metragem, "Juliana contra o jambeiro do Diabo pelo coração de João Batista", o rapaz já tem no currículo: documentário, animação e uma minissérie de tv (ainda inédita).

Fora a animação, em que fui convidado para dublar um dos personagens, não vi nenhum dos outros trabalhos do diretor! Minha identificação se baseia totalmente em compartilhar o mesmo pensamento sobre a motivação da arte em nossa sociedade contemporânea.




Junto com Adriano Barroso (ator/roteirista), seu parceiro de produções e intenção do fazer artístico, Elarrat criou por essas bandas a “Visagem”, uma animação em stop-motion de 11 minutos. Walcyr Monteiro é a base do roteiro, que percorre por várias narrativas populares de terror e mistério da sua série de contos “Visagens e Assombrações de Belém”. No curta, dois amigos apostam sobre quem teria coragem de acender uma vela no centro de um antigo cemitério, no meio da madrugada. Quem já leu essas histórias vai se familiarizar rapidamente com as situações protagonizadas pela dupla, olha o naipe das figuras:



É claro que o gordo medroso e grunge ficou com a minha voz. Dizem que caiu como uma luva, mesmo só fazendo sons (sem palavras)! As imagens foram surrupiadas do blog do Nelson Nabiça, o diretor de arte e escultor dos bonecos.


Abaixo, "Visagem"(2006), na íntegra:



Pra conhecer mais sobre Roger Elarrat e seus projetos:

# Entrevista no portal "Ecleteca"
# Entrevista no "Curta em Circuito"

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Um dia de cão" (1975), de Sidney Lumet

O ano era 1972. Uma época em que não existia Big Brother, You Tube ou derivados que pudessem alavancar uma carreira da noite para o dia. Em tempos de difícil exposição e maneiras de chamar atenção, eu acho que pegar vinte anos de cadeia por tentar assaltar um banco (que não tinha dinheiro) para pagar uma operação de mudança de sexo para o seu namorado faz de John Wojtowicz um cara que merece alguma consideração. E esse pessoal achando que é vidaloka metendo sem camisinha e colocando alargador de lóbulo na orelha.


Mas que dia de merda, heim?

quarta-feira, 17 de março de 2010

"Ninja Assassino"(2009), de James Mcteigue

Sabe aquela história toda de se esconder nas sombras, concentração, magia e letalidade? Pois é, tem tudo isso e muito mais em Ninja Assassin. Irmãos Wachowski no meio, então já sabe: muito bullet-time, acrobacia, pirotecnia, pancadaria e nenhum sexo. Mais surpreendente que o pleonasmo que lhe dá o título - algo que seria o mesmo que cabeleireiro gay ou cinéfilo chato - é o fato de que os ninjas finalmente podem ser ninjas de verdade neste filme. E você sabe que um ninja de verdade é um troço mais mentiroso que marketing político.


Cuidado para não ser morto durante a sessão!

quarta-feira, 10 de março de 2010

"Legião", de Scott Stewart (2010)

Há um tempinho tive a idéia de no lugar de escrever sobre um filme, fazer uma versão em quadrinhos do mesmo (aquele que sempre está no elevador). Inauguro essa brincadeira com Legion, que tem a premissa de que Deus volta a ser oldschool e decide matar todo mundo. Parece que não é só Deus que perdeu a fé no público, mas produtores, roteiristas e diretores também. O filme é a ultima palavra no estilo “vamos fazer essa merda de qualquer jeito, já que esses putos assistem a qualquer porcaria!”.


Parecia promissor, não?