terça-feira, 28 de março de 2006

Por que, deus, por que?




Uma canção, "Fell on black days" (Soundgarden).

sexta-feira, 24 de março de 2006

A Hard life without a Scanner
Como muitos sabem, sou portador de um scanner Plustek OpticPro 4831P. A expressão “portador” traz uma idéia negativa, usada na maioria das vezes para designar alguém que contraiu uma doença. Ou seja, é exatamente isto que você sente quando entra na página da PLUSTEK.

A vaga sensação de abandono diante da mensagem do fabricante vai tomando proporções maiores logo adiante, na mesma página.

Por muito tempo andei macambúzio procurando um drive que fizesse meu companheiro maldito de quadrinhos funcionar no Windows XP. Agradeço até a proposta louvável de Tamine, com a campanha “Get Paulo a Scanner” na recém criada comunidade deste espaço virtual. Fui baixando da net todo tipo de arquivo que pudesse fazê-lo funcionar: drives podres, arquivos corrompidos, vírus, vídeos da Sylvia Saint, qualquer coisa. Um dia encontrei um site só de drives, peguei lá um arquivo mediante comentários de um rapaz num fórum, algo do tipo “Instale, morda um trevo de quatro folhas, pendure uma figa no pescoço, coloque um galho de arruda na orelha, cruze os dedos com um pé de coelho dentro da mão...e torça para funcionar”. Funcionou tanto quanto Mário Bros com a minha avó no controle.

Já no fundo do poço e quase para “dar uma pedrada” com o aparelho no meio da rua, depois de muito tempo, voltei ao mesmo site, peguei o “mesmo” arquivo e segui novamente os procedimentos de instalação.

Sabe as discussões sobre filmes cult, os cultos de novas religiões, o troco em bombons e como os novos VJ’s da MTV conseguiram o emprego?....pois é, têm certas coisas que não dá para entender. Eu teria soltado um foguete de 35 tiros (se possuísse um) quando vi o OpticPro 4831P funcionando depois da instalação do suposto drive inútil.

”ELE ESTÁ VIVO! ESTÁ VIVO!”, gritei...parafraseando Victor Frankenstein e o Biscoito do "Shrek 2", enquanto os outros moradores da casa diziam assustados “Tedoidé?!” (Tu és doido, é?!).

Fiquei tão feliz que para testá-lo “escaniei” a primeira coisa que minhas mãos encontraram pela frente!

Sem dúvida, este foi um dia feliz! Vida longa ao OpticPro 4831P, que venceu a morte e a tirania das grandes corporações! Vou colocar até um adesivo de um rifle Kalashinikov AK-47 nele.

“E naquele dia todos os cartunistas cretinos do mundo viraram-se para Meca às 18 horas e agradeceram a oportunidade de compartilhar desenhos e piadas infames com o próximo, antes, somente em suas cabeças (as piadas e desenhos, não o próximo)”. Charles Schulz

Uma canção, "He War" (Cat Power)

quarta-feira, 22 de março de 2006

“Cidade Baixa”, de Sérgio Machado (2005)

### por Sepúlveda Gerardo ### Sepúlveda Gerardo é resenhador universal e multimedia sobre assuntos aleatórios, sem papas na língua, seja lá o que isso for.

Rapaz, estava eu por aqui me cansando de ver o teu blog sem ser atualizado, quando resolvi escrever minha última ode à recente produção cinematográfica tupiniquim. Para se aborrecer, recomendo o último mega-sucesso-promessa-sumpimpa do cinema brasileiro:Cidade Baixa. E teve gente que achou o máximo. Que melda!

Bom, senta, contrai uma gonorréia no Novo Horizonte* aí perto da tua casa, que lá vem a história. Cara, lembro alguém falando que o Ken Park, do Larry Clark (aquele do Kids), não servia nem pra bater uma punheta. Pois então. O CB é a mesma coisa. A história é a seguinte: dois caras que comem uma puta juntos, se apaixonam por ela e depois brigam pela meretriz. Eles são barqueiros. Ela, como eu já disse, uma puta. Um vira boxeador. O outro assaltante. Ela continua uma puta. E ponto final.

Bom...essa é a história. Acho que o diretor queria mostrar uma Salvador (BA) sem romance. Feia, suja, pobre, marginal. Porém, caraleo, isso já foi feito com outras cidades brasileiras retratadas em filmes como o Amarelo Manga, que mostra Recife bem escrotinha, porém tem uma história bacana pra contar. O fato é que a proposta do CB fica só na proposta, sem história, sem porra nenhuma. Até os bons Lázaro Ramos e Wagner Moura se fodem em suas atuações. O filme é tão ruim que o espectador olha e vê o Zico e o Ezequiel do Carandiru.

A puta, quer dizer, a atriz que faz a puta, é a Alice Braga, aquela sobrinha da Sônia Brega. Não sei o que fizeram com a menina, mas ela está bem escrota nesse filme, comparando com a gostosura dela em Cidade de Deus - Pausa: acho que ela só vai fazer filmes que tenham "Cidade" no título. Vou chamá-la pra atuar no meu mais recente roteiro: "Cidade Nova"**, com patrocínio da prefeitura de Ananindeua.
Penso que ela se esforçou demais pra parecer uma piva rebi-rebi. A atuação dela é tão medíocre quanto dos dois caras, com o agravante da moça parecer mais inexpressiva do que a dupla masculina. O trio acaba fazendo uma série de pseudo-cenas de sexo. Uma hora um come a putinha e o outro espera. Outra hora o outro come a putinha e o primeiro brecha. Outra hora o primeiro come a putinha enquanto o outro está todo estrupiado. Outra hora os dois vão comer a putinha e um desiste. E assim vai... até que uma hora um deles resolve assumir o caso com a vagaba, deixando o outro todo putinho, não no sentido de vender o corpo e sim de ficar bravo, com raiva.

O clima do filme com as cenas de prostíbulos baratos, os tipos escrotos do cais do porto baiano, a briga de galo, as lutas de boxe amadoras, dá a entender que vai terminar com uma morte (pelo menos). Mas, como o diretor deve ser um viadinho covarde, termina o filme com os dois, depois de uma briga de moleque de rua muito da sem graça, sendo amparado pela Karina (a putinha, claro), que chora em cima de uma bacia com água misturada com a groselha saída da cara dos amigos brigões.

Rapaz, ouvi dizer de uns “entendidos” em cinema que esse é mais um bom filme da nova safra no Brasil. Imagina quando começarem a chegar os palhas. Acho que o público no dia em que eu assisti não era dos mais afeitos a arroubos cinéfilos. A maioria ria das cenas e um, na saída da sala escura, resumiu a minha impressão: “égua do filmizinho sem graça!”.

Já não está mais em cartaz, mas está quase para chegar nas locadoras. Se quiser ficar puto, "só te digo vai"***.


Nossa, não chocavam tanto a opinião pública desde “Três formas de amar”.

* Casa da luz vermelha que fica próximo à casa de P. Nazareno, em Belém.
** Grande área de bairros do Município de Ananindeua.
*** Expressão local equivalente ao “você não pode ficar fora dessa”.


Uma canção, “I Want you” (Elvis Costello).

sexta-feira, 17 de março de 2006

"Transporter 2", Louis Leterrier (2005)
Não tenho preconceito com nenhum tipo de filme, assisto desde o drama que faz a sua tia chorar soluçante ao final até a comédia romântica americana em que o cara faz uma sacanagem com a mocinha, acaba se apaixonando por ela, mas se redime no final demonstrando o seu amor publicamente. Só que num determinado momento eu parei de ver filmes com títulos do tipo “Ameaça Explosiva”, “Fuminância Impactante” ou coisas parecidas que notavelmente indiquem filmes de ação na cabeça de quem define o título em terras brasileiras. Minha atitude xenófoba estava mais diretamente ligada ao título do que pelo conteúdo mesmo. É por isso que eu me recusei a chamar Transporter de Carga Explosiva. Antes de discorrer sobre a sequência do filme, devo dizer que Transporter representa o meu retorno à ação. Não a qualquer ação que pode conter nos filmes, mas sim ao esteriotipado filme de ação clássico com vilões escrotos e um herói idem que paga que é do bem. Enquanto Cobra (Stallone) e T-101 (Schwarzenegger) são fodões e destemidos, Frank Martin (Jason Statham) é isento de adjetivos...ele é simplesmente O CARA. Enquanto os outros precisam de armas, equipamentos, coletes e se arrebentam por vezes, Frank Martin não precisa de nada: usa um terno preto caro, dirige um carro preto caro, quebra tudo que encontra pela frente no menor tempo possível e no final está mais impecável que o James Bond no início dos filmes. Porra, como se isso não bastasse...o rapaz é nada mais nada menos que “um gato!” – perceba que cada centímetro do meu machismo incrustrado não foram suficientes para evitar a acertiva.

Em Transporter 2, Luc Besson (produtor/roteirista) se reuniu com a equipe e disse:

- Bem, a cada 5 minutos e 23 segundos teremos une mentira no film. Mas non pode ser une mentira qualquer. Tem que ser une daquelas que ninguém pensou jamé em outro filme antes e que arranque les maiores interjeições da língua native de quem estiver assistindo! Compreendido?
- Oui, Luc! Mostre-me o roteiro – diz o diretor.
- Ainda não o escrevi, apenas defini les mentiras.
- Oui...

É isso. Senta, observa um canguru manco fugindo num pogobol e se desviando de balas disparadas por uma coruja num ultraleve, que lá vem a história... Achou um exagero? Hum, você ainda não viu nada.


Para quem não sabe, Frank Martin é um cara metódico que trabalha em seu carrão transportando encomendas de qualquer natureza mediante altos pagamentos. Para ele não importa se está carregando 50 quilos de heroína ou uma dúzia de fetos natimortos para pesquisas de células tronco, só importa entregar a mercadoria (que ele desconhece) nos locais e horários combinados. No início da segunda parte, ele é apresentado ao público de uma forma que não fará diferença se você viu o primeiro filme ou não. Em poucos minutos já se percebe que o cara é muito mais que um simples motorista comum. O fato dele ter feito parte das forças especiais (mencionado nos dois filmes), acredite, não será o bastante para tentar explicar porque ele quebra no pau todos os atores que aparecem na tela nos primeiros segundos, dirige como se tivesse um computador de bordo na cabeça e que qualquer ser humano com mais de um cromossomo X no corpo tenha vontade de dar para ele, além de outras coisas que não direi apenas para lhe dar o prazer de se espocar de rir, espraguejar de raiva, corar de indignação...e todas as variedades de reações que a história possa lhe causar.



Não se preocupe, filho, você estará mais seguro com Frank Martin desarmado em dia de operação do Exército na favela do que ao lado de Clark Kent na redação do Planeta Diário

Ele está temporariamente substituindo alguém que toma conta do filho de um figurão. Vai buscar e deixar o moleque na escola, faz brincadeiras com ele, evita as investidas da bela mãe do garoto, essas coisas básicas. Acontece que querem seqüestrá-lo e isto vai de encontro aos princípios de Frank, ou melhor, suas regras. Ele prometeu ao menino não deixar ninguém machucá-lo, então...meus pêsames para quem quebrar esta regra. Bem, é isto. O resto são as mentiras que os roteiristas imaginaram.

Uma outra coisa, que pode ser interpretado como uma observação machista da minha parte – mas eu já disse que o cara é presença, então tudo bem -, é que o filme tem cenas de ação, porrada, herói solitário, carros importados e fudidaços, mas no quesito mulherio...é uma negação! No primeiro filme ainda tinha a Shu Qi, que realmente é bela, mas... que porra é aquela? – refiro-me a Lola(Kate Nauta). Lola é uma vilã que deveria ser a mulher mais atraente e fatal do filme, e no entanto é o maior exemplo da atualidade de atriz horripilante, esmilinguida e baranga (não, não estou pegando pesado) querendo dar uma de bonitona! Porra, acharem esta mulher bonita é sem dúvida a maior de todas as mentiras do filme!


"Ainda bem que o cachê é bom, porque...vai ser escrota assim na casa do baralho!"

Quanto às outras mentiras, não revelarei nenhuma, mas prepare-se para assistir a coisas, no mínimo, inéditas – espere só até ver como Frank se livra de uma bomba no fundo de seu carro.

Jason Statham ainda não têm uma penca de filmes no currículo, mas eu ainda não vi um único papel ou filme ruim com este cara! Esperamos que em sua carreira não apareça nenhum Efeito Colateral ou O Fim dos Dias. E no caso do “Transportador”, acho que só não é ruim por causa dele – acho que nenhum outro conseguiria fazê-lo com o mesmo carisma. Eu não sentia a vontade de ser o “herói escroto do filme” desde
Fuga de Nova Yorke (John Carpenter - 1981), que marcou para sempre a cara e a alma de Kurt Russell, por isso ele é tão ruim fazendo qualquer outro personagem que não seja Snake Plissken. É, Jason Statham/Frank Martin é o cara! Depois do filme eu quase entrei em uma de suas comunidade do orkut.

Nota – Apesar d’eu simpatizar com Transporter, o filme não dista muito de outros ruins do (suposto) mesmo gênero. Digo isso pelo quesito “vilania”: no 1º o culpado é um asiático inescrupuloso que trafica escravos de uma região miserável da ásia; no 2º é o cartel de drogas da Colômbia. No final das contas, é mais um filme como Bad Boys 2 e Efeito Colateral, que mostra Cuba uma imensa favela desolada que parece o cenário do próximo Mad Max e que a cocaína é a moeda local da Colômbia e as crianças trocam meia grama por pirulitos. Fazer o que né, o cinema é um bom negócio e os donos estão pouco se lixando pra isso, afinal, eles acham a Shakira um tesão é isso deve compensar.

O que foi? Alguém ficou surpreendido que usei meus conhecimentos adquiridos no curso de comunicação para mostrar minha visão crítica das coisas? Não...eu escrevi tudo isso apenas para dizer que a Shakira é um tesão mesmo.

Uma canção, "Banana Co." (Radiohead).

segunda-feira, 6 de março de 2006

“O Segredo de Brokeback Mountain”, de Ang Lee (2005)

### por Sepúlveda Gerardo ### Sepúlveda Gerardo é resenhador universal e multimedia sobre assuntos aleatórios, sem papas na língua, seja lá o que isso for.


O fato é que é um filme bom. Sim, daqueles que tu sais do cinema e diz. "Porra, esse filme é bom!". Mas, nem tanto. Não um bom que te enche o peito de alegria ou de tristeza, como deixa eu ver....hum...ah, sim... "Em busca da Terra do Nunca" ou o "Jardineiro Fiel" ou "A felicidade não se compra" ou mesmo um "Senhor dos Anéis 5", quando a gente sai da sala escura querendo derrotar o mal do mundo só com a espada e a coragem, feito o Aragorn. Mas não dá pra comparar com nada não, com nenhum desses. Talvez por isso que o Ang Lee tenha tido o ovo mais babado da recente história do cinema rolhiudiano. Fez um filme bonito, delicado, sobre o amor. Sobre gays, mas sem frescura - e vou adiantando: perdoem-me desde já por todas as piadas de duplo sentido que este texto pode provocar.

Foi engraçado ir ao cinema assistir ao filme. Fiquei olhando as pessoas saindo da penúltima sessão do Nazaré 1*. "Quantos devem ser gays?". rerererere. Contando os conhecidos, eu vi poucos. Quer dizer, vi poucos daqueles que são ostensivamente gays. Os escondidos, escondidos ficaram. Aliás, teve conhecido que meio que se esquivou quando me viu. Que falta de sinceridade (dito com o sotaque do Truman Capote, do filme homônimo, também concorrente do Oscar-alho. Porra, lá vem a piada pronta maldita do inferno)!

Mas, muita calma nessa hora, não cessarão as piadinhas sem graça com nossos "colhegas" homossexuais. Belém é uma cidade em que a hipocrisia se manifesta nas mais variadas formas. Um exemplo: quando o Ennis Del Mar (Heath Ledger) e o Jack Twist (Jake Gyllenhaal), os caubóis gays, como estão chamando os personagens da trama, começaram a se beijar, dar uns amassos e um comer o outro... rapaz, foi uma sessão de riso nervoso, como eu não vi nem na sessão do Wolf Creek, que é um filme de horror que te provoca esses espasmos de gracejo, por não te dar outra alternativa, a não ser o choro de pânico. Imagina esse povo no Cine Ópera**, bem ao lado, onde rola o Brokeback Mountain ao vivo, todo dia?

Era um qui-qui-qui pra lá, um cá-cá-cá pra acolá, um ihhhhhhh, um "puta que pariu", uma ironia intermitente. Tudo sem noção, porque o filme não é engraçado. Como definiu a minha companhia, enquanto esperávamos a condução na volta pra casa: "uma caboquice!". E olha que ela nasceu no interior do Pará. Sabe bem o que é isso. O que é ser acusado de cabocão ou caboquético. Mas, o pessoal de Belém, é foda. Eles não se emendam. Pra não perder o costume....vão se foder!

Não é um filme engraçado mesmo. É um filme duro (ui! De novo, foi mal). Um filme que eu entendo como um filme "incubado". Quem não sabe o que é incubado? São os gays que não se assumem, que não saíram do armário, como se usa hoje em dia. Gays como o Ennis Del Mar e o Jack Twist. Um deles até diz. "Eu sei que não sou gay". Outro trecho que remete a isso (hum...pensou que eu ia plantar mais uma galhofada sem graça, heim!) é a parte em que Ennis cita o assassinato por espancamento de um homossexual na época em que ele ainda era um cauboizinho. "Meu pai, fez questão que nós víssemos àquilo”, comenta ele, ao dar um fora no parceiro que já queria morar junto, ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela, para ver o sol nascer e tal e coisa.


“Esta é a última vez que vou te mostrar como é que se faz, viu?”

Digo que é um filme incubado, também por tudo ser comedido. Até os movimentos dos atores são limitados. Os choros são sempre abafados. As falas são curtas. O espectador sempre fica esperando uma revelação. "Ninguém vai descobrir nada nesse caraleo", eu confesso que pensei algumas vezes. A única coisa grandiosa, expansiva, é a montanha Brokeback, que guarda o segredo do casal apaixonado. Até a personagem com a franga mais solta, que é o Jack, não mostra muita coisa. O Jack soltando uns gritos mais efusivos é quase um constrangimento. Estava vendo a hora de alguém aparecer no filme e dizer: "pára de frescura, porra!".

Eu aplaudo os dois caras que encarnaram esse amor. Principalmente, o Heath Ledger. Não lembro de ter visto este ator em outros filmes, mas o cara é bão mesmo. As moças que fazem as esposas também dão um show (que expressão mais.... deixa pra lá). Principalmente a que faz a Alma ( Michelle Williams), esposa do Ennis. Quando ela vê os caras se beijando depois de quatro anos sem se verem, ela só deixa o olhar de ódio de lado, quando consegue esculhambar seu "homem", isso uns 15 anos depois do episódio pederastístico.

Mas, a Laureen (Anne Hathaway), mulher do Jack, também não deixa por menos. Todo mundo pensa que ela é só mais uma figura no filme. Mais uma americana burrinha, que poderia estar fazendo o American Pie 7. Mera impressão. A mulher simplesmente capta a essência do filme na conversa que tem pelo telefone com Ennis sobre a morte do amante dele e do marido dela, não por coincidência, a mesma pessoa. Bom, já falei demais. Já até disse que um dos caubóis morre.

Só mais uma coisa: é capaz de rapazes alegres não gostarem e dos heteros detestarem. Quem vai pensando em encontrar duas mariposas loucas que cantam o funk "senta no cavalo só pra levantar o rabo" vai se dar muito mal. Os caras são machos pra caraleo!


"Para não duvidarem da minha masculinidade, meu próximo filme será sobre uma cantora lésbica."

*Conhecido cinema de Belém.
** Cinema de filmes eróticos, em Belém.

Uma canção, "O Mundo" (Ney Matogrosso + Pedro Luís e a Parede).

sábado, 4 de março de 2006

“Ollááá Enfermeeeira!”

Bem, eu estou sem scanner "sua mente pode destrui-lo" (desculpem a piada infame com este filme do Cronenberg). Na verdade, eu uso um OPTIC PRO que só funciona no windows 95/98. O computador em que ele funcionava falaceu, desde então eu procuro um drive que faça ele funcionar no XP - se álguem souber onde encontrar isto na rede, dê-me um toque. Esta condição acaba matando o cartunista cretino e renascendo o escriba de textos cretinos que existe em mim. Por isso há falta de atualizações satisfatórias para manter este espaço virtual super visitado. Obrigado...e cliquem nos anúncios para eu comprar um novo scanner.

Manhã de sábado, um bom dia para se fazer exercícios que nunca faço. E de repente, no pátio, um botijão de gás e três garrafões d’água de 20 litros cada esperam para entrar na casa. No caminho para pegar o terceiro, depois de ter carregado dois garrafões de maneira fisicamente errada, decidi usar o movimento correto. Para não forçar mais ainda o “S” que chamo de coluna e lembrando de orientações médicas desde a infância, flexionei as pernas – semelhante aos levantadores de peso nas olimpíadas - e coloquei o último garrafão no ombro direito.

Por fim, levantei de um só movimento – rápido como os atletas das olimpíadas fazem. Dizem que o cóccix é um vestígio do que seria a cauda humana. Quando fiquei de pé, de súbito, tentaram extinguir o macaco que existia em mim, foi como se alguém tentasse arrancar o meu cóccix com uma faca. Resumindo, me fodi – exatamente como alguns caras das olimpíadas também.


Se fudeu, se fudeu...

Além da dor ser algo indescritível e eu andar igual a ramsés III depois de pelo menos uns 250 anos, eu não conseguia parar de rir. A dor me fazia rir e pensar besteiras do tipo “Putz, hahha, por que eu estou rindo..ahhaha...será que atingiu algum destes sistemas de nervoso...hahaha...tá doendo muito...hahaha”.

Ainda tentei esperar um pouco para ver se não era algo temporário, mas não deu, levaram-me ao hospital. Arrastando-me como podia, com todos os pelos do corpo arrepiados como se a mais cruel das paixões platônicas me conduzisse e rindo por demais...eu era sem dúvida o paciente mais estranho no recinto.

Na traumatologia tive uma boa e uma má notícia. A boa é que não era nenhuma lesão na coluna e sim num músculo – uma distensão ou estiramento, sei lá. O médico olhou para mim como se dissesse:“Não teve nenhuma relação com sistema nervoso, meu rapaz, você está rindo por que é um débil mental mesmo!”. A ruim é que não era algo tão simples, “Três injetáveis só para começar. Vais ficar no soro de castigo!” – completou o médico.

Injetável, agulha, seringa, hipodermia...essas palavras têm um efeito destrutivo na minha cabeça. Eu fui mais medroso na infância, mas a idéia de alguma coisa penetrando no meu corpo sempre é desagradável. A verdade é que eu não esperava tomar injeções por causa de uma garrafa d’água.


Eu sei que você está tremendo ao ver os pixels desta seringuinha de nada.

Já deitado com muito esforço e risadas, o que já me tornou o centro das atenções numa sala com pacientes sorumbáticos, a enfermeira finalmente chegou com sua bandejinha brilhante.

- Sr. Paulo, em qual braço o senhor prefere tomar a medicação?
- Olha...eu prefiro tomar em nenhum braço! Mas como eu não tenho escolha...vai no esquerdo mesmo.

Aí ela já começou a rir. Ficou um clima demasiado descontraído, já que eu também estava rindo. Estendi meu braço esquerdo para a seringa preparada em sua mão.

- Mas esta primeira é no bumbum! – ela disse sorridente.

Dar uma volta de 180º graus sobre a cama para ficar de bruços revelou dores e risos nunca dante imaginados da minha pessoa. Eu tremia mais que as mãos de Mohamed Dali depois do Parkinson enquanto virava a cabeça para ver a intenção da agulha...”Ai, ai...hahaha, espera aí que tá doendo..haahhah” – tudo isso diante dos olhos dos outros pacientes, com cara de quem pensa:
“Nossa, tamanho homem, mas que gordo cabeludo mais frouxo!”.

Sem contar o fato de que meu pai, o acompanhante, mostrando uma grande falta de noção: “- O que foi rapaz, está com vergonha de mostrar tua bunda cabeluda?” – disse isto abaixando minha cueca mais que o necessário.

Bem, depois desta seqüência de constrangimentos gratuitos, enfim, agora sim o braço. Não sei se eu distraí a enfermeira por demais, ou aquele não era o meu dia mesmo...só sei que a minha veia da mão estourou antes de ela enfiar toda a agulha.

E de repente a dor nas costas deu um tempo para eu olhar o inchaço da mão esquerda enquanto um jato de sangue espirrava de dentro para fora, de súbito, como eu levantando o garrafão d’água. Agora sim, isso doeu para caraleo!! E todos os risos cessaram, inclusive os meus. A enfermeira ficou nervosa, eu acho, e pediu para um rapaz puncionar outra veia.


Não faço a mínima idéia do que seja isso, coloquei apenas para assustar vocês.

- Você está vendo a minha veia? Porque eu não vejo nada! – disse eu, com a mão dolorida.
- Mas veia a gente não vê, a gente sente – disse ele apertando aquela borracha de estilingue que esqueci o nome agora.
-Ah bom, então eu prefiro que o “Demolidor” me aplique a injeção.

É claro que esta última fala eu apenas pensei. Vai que o cara é fã da Marvel, acha engraçado e ...putz! Mas foi tudo bem. Ele acertou a veia, enquanto em pensava em me especializar em “Terapia do Riso Inversa” - sou o paciente com a missão de alegrar a enfermeira ou o médico.

Continuei em casa tomando comprimidos. Depois de dois dias, minha condição de múmia melhorou para pingüim com cãibra. Hoje já estou bem. Estou com problemas apenas em realizar movimentos complexos como dançar twist e fazer sexo. Felizmente, práticas que não fazem parte do meu cotidiano.

Uma canção, "No Quarter" (Led Zeppelin).