quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Lenda de Josefina

O ano era 2002. Mais de dez anos depois do meu primeiro contato com a série "Visagens e Assombrações de Belém”, de Walcyr Monteiro. Foi por volta de 1972 que o escritor começou a rechear o jornal “A Província do Pará” com causos sinistros que faziam parte do repertório dos contadores de história da nossa região. Eram as misteriosas narrativas populares – que vão desde homúnculos salteadores da madrugada a idosas que se transformam em leitoas. Uma pauta fantástica de discussão entre amigos e vizinhos, muito antes dos papos sobre big brother, programas dominicais, novelas e interjeições supimpas estrangeiras detonadas à força.
dogfall
"ARÊ BABA!!"
Mais uma vez sem fazer nada de últil para sociedade no curso de Jornalismo da UFPA (o que não era difícil de acontecer), nossa equipe doidivanas aproveitou a disciplina de “Comunicação Popular” para resgatar uma das mais antigas e, senão, a mais conhecida lenda urbana de Belém –PA, “A Moça do Táxi” – eternizada na obra de Monteiro. Façanha atribuída a Josefina Conte, a moça do táxi é tão foda que começou a assombrar quando eles ainda nem existiam. Dizem que ela antigamente pegava o último ônibus da noite, “o cristo”, rodava bastante e desaparecia defronte ao cemitério Santa Izabel. Mais tarde ela começou a entrar nos “carros de praça” e finalmente, anos depois, nos táxis...em que ela descia no cemitério e falava pro motorista pegar a grana da corrida num endereço da família dela. Sem ter escolha, o taxista vai ao local para [OOH MEU DEUS] descobrir que a pequena já batera as botas há muito. Ora, vamos, deve ter uma lenda parecida em sua cidade.

A moça do táxi já foi transformada em vídeo (acho que mais de uma vez) por equipes com mais dinheiro e seriedade – o que não é o nosso caso. Foi assim que nasceu o filme “A Lenda de Josefina”, criado exclusivamente como trabalho acadêmico e que tomou proporções inacreditáveis. O misto de ficção e entrevista (com o próprio Walcyr Monteiro) mostra a “nossa” versão da lenda dessa garota que adora uma bandeira dois. Depois de exibições privadas, acadêmicas e públicas – TV CULTURA local – a Lenda de Josefina chega ao YouTube para a felicidade geral dos fãs e pra acabar com qualquer reputação de seus criadores, hoje jornalistas, cartunistas e funcionários públicos de sucesso.

"A Lenda de Josefina" (a versão está cortada, sem créditos, para caber num vídeo só)
Elenco: Jéssica Martineli, Walber Neves e Paulo Nazareno.
Direção, roteiro e produção: Atores + Anderson Araújo, Lucas Damasceno e Flávio D'Oliveira.
Edição: Thiago Conceição
Participação + que especial: Walcyr Monteiro



domingo, 3 de maio de 2009

night before

porque as noites com meus amigos são assim...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

"Ken Park", de Larry Clark e Edward Lachman (2002)

[encontrei nos meus arquivos um texto de Lucas Damasceno sobre o filme – que ele assistiu na época, quando passou num dos cinemas andergrounds da cidade]

Ken Park, por Lucas Damasceno. (2003)

Esse tal de Ken Park é uma bosta. Aliás, é só o que faltou o diretor(Larry alguma coisa, se não me engano) mostrar na 1h30 de película. Talvez sua lógica tenha sido de não filmar a cena que resumisse todo o filme, o que poderia lhe render piadinhas como: "aê, Larry, esse filme é uma merda. A cena que melhor o representa é aquela do cara cagando.”
E aí, chocou com o poster?

Das cenas "chocantes" - este adjetivo terá sua acepção adaptada para explicar o filme, seus motivos etc. - a única interessante(isso porque sou homem e porque a outra cena de sexo tem uma moça que não me agrada muito) é aquela em que um moleque que parece um desses diabinhos de desenhos animados chupa a boceta duma loira deslumbrante, com direito a mamilos entumescidos(mamilos enormes, aliás).

Mas nem isso vale o preço do ingresso. Pros que gostam tem muito mais: um menino que estoura os miolos, com direito a gravação; sexo a três(uma moça haitiana, o diabinho e um amigo); pai porre chupando pau do filho; moleque batendo punheta (com direito a esporro); assassinato de velhinhos pelo próprio neto, o punheteiro.

É realmente uma comédia de primeira. Nem uma cena chega a chocar. Nada fez o estômago embrulhar, e os tradicionais risinhos da platéia desacostumada a assistir cenas choicantes em filmes que fogem do gênero pornô são antes de sarcasmo do que constrangimento.

Por que ver?: para sair do cinema falando mal do diretor e, assim, fazer com que o Mariano Klautau nunca mais traga filmes desse merda para um cinema bom como aquele da Estação das Docas.

Vale a pena?: se quer bater punheta, não. Alugue um filme pornô.

O diretor faz uma crítica consistente?: Ele quis criticar?

O que eu diria se fosse apresentado ao diretor?: Dizer, nada. Dar-lhe-ia um murro bem nas fuças, botava o pau pra fora e mijava no sapato dele.

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Ken Park, por P. Nazareno (2009)

Semana passada, eu finalmente assisti a "Ken Park", do Larry Clark. Que é o mesmo diretor do Kids(1995) – ao que parece, filme “polêmico” na época por mostrar moleques fornicando, consumindo drogas e pegando HIV...exatamente nesta ordem. Lembro de ter visto por curiosidade mesmo, até mesmo porque eu também era um Kid. Afinal, kids têm que ver filmes com kids. Por isso eu aconselho a todos os moleques do meu bairro a verem os filmes do Kid Bengala – qualquer um dele é melhor que os filmes do Larry Clark.

Eu sou normalmente complacente com filmes, mas fazia tempo que eu não sentia a sensação de perda de minutos de vida diante de um monitor. Não que isso seja raro nos dias de hoje, em que pessoas trabalham 8 hs por dia diante de um computador, mas é que...porra, era só um filme ...mas eu realmente preferia ter saído naquela sexta à noite e conversado com as mesmas meninas que me dão fora, e se agarram com os caras mais escrotos que conheço – pra você sentir o quanto era melhor qualquer outra coisa que esse Ken Parkinson.

Como se não bastasse isso, quase no final do filme, minha mãe entra no quarto justamente na cena em que três adolescentes simulam um threesome dos mais falsos. Ela olha e diz: “Eita, filme pornô!!!”. Rapaz, eu fiquei indignado e envergonhado: “Não diga isso, mãe! Espere que vou lhe mostrar um legítimo Mário Salieri...” mas ela já tinha saído do quarto.


Crianças descobrem o sexo nos filmes do Larry Clark


Acho que esse diretor só teria alguma utilidade se substituísse o Manoel Carlos no meio de algumas dessas tramas da Globo, e logicamente, com os atores e público das novelas da Globo – ele ia conseguir alguma polêmica com Malvino Salvador suicidando-se e se masturbando ao mesmo tempo, Marjorie Estiano fumando um tarugo de pasta de meio metro e Reinaldo Gianechini dando a bunda. Quando eu ainda tinha algum anseio de entender e escrever sobre cinema, isso foi há muito tempo atrás, eu pensava no “o que” um diretor queria com um filme: alguns querem emocionar, causar terror, causar risos...e outros só querem “se aparecê”...que é o caso de Larry e os atores deste filme escroto ducaráio.