domingo, 23 de abril de 2006

Especial: O AlBérgh

Devido ao grande número de opiniões desfavoráveis sobre “O Albergue” acabamos pensando que o filme é uma merda, mas quando assistimos...temos certeza! Mas não é uma merda qualquer, é uma merda que tem o aval de Quentin Tarantino, custou apenas 5 é já faturou 50 milhões. É ou não é um grande incentivo para aquele cineasta que existe dentro de você?

Eu usei um argumento cedo demais em Aeon Flux, mas irei repeti-lo aqui porque ele cai como uma luva polidáctila no filme de Eli Roth: mulheres heterossexuais que sentem gastura quando arranham o garfo no fundo do prato, ou quando alguém coloca a pálpebra superior do avesso, não vejam o filme. É sério. Sou a favor de que nenhum filme deva ser evitado. Todos devem ser vistos para garantirem uma opinião, mas resguardo este grupo de pessoas, depois de considerar o alto valor do ingresso na atualidade e de que a dupla de escrivinhadores deste blog são: um velhinho, que tem uma carteirinha de passe livre e um cara que fez jornalismo apenas para entrar no cinema sem pagar, isto porque não sabia que a gratuidade não era válida em todos os circuitos...malditos capitalistas, detentores das salas de projeção.

Se você quiser ler o texto anterior sem muitas revelações comprometedoras, clique aqui, caso queira chutar o pau da barraca que nem o diretor, prossiga.

Todos devem achar que Crash é um filme com questões raciais, preconceitos e tudo o mais. Mas é porque ainda não viram "O Albergue". Se você procurar “xenófobo” no Aurélio, vai estar lá: “O Albergue, de Eli Roth”. E acredite, este é um dos argumentos que fazem o filme ter graça (pelo menos um pouquinho). Enquadrá-lo como “terror”, é o mesmo que dizer que “Zorra Total” é programa de humor.

Na historinha, Paxton e Josh são dois mochileiros americanos que passeiam pela Europa. Com a miscigenação e até mesmo intervenções, como
Salma Hayek no mundo hollywoodiano, eu achava que os padrões de beleza americanos tivessem mudado um pouco. Parece que não, as americanas devem continuar as mesmas barangas de sempre, já que os caras foram se meter lá onde “o vento perdeu as botas e faz a curva” atrás de umas meninas gostosas. Eles ainda têm a companhia de Oli, um islandês, que está no filme para mostrar que além de comerem carne podre de tubarão e ouvirem Sigur Ross o dia inteiro, os islandeses são todos uns tarados babacas piores que os garotos que brigavam por figurinhas do campeonato brasileiro na 6º série.


Pax, Oli e Josh. O Playboy, o Doente-Mental e o Playboy-Sentimental.

A motivação da viagem são drogas e sacanagem. Eles conhecem um cara que dá a dica onde encontrar as melhores xoxotas da Europa: Um ALBERGUE (mentira, é mesmo?) em Bratislava, na Eslováquia. Antes que eles comecem a sufocar por falta de oxigênio ou se perguntem como aquele raquítico narigudo conseguiu comer alguém por lá, o cara mostra umas fotos em que ele participa de um verdadeiro Gang-Bang com belas garotas.

A esta altura você percebe que Josh é um tanto sentimental, descarta os serviços de uma quenga (terei que me munir de todo o arsenal de sinônimos de “puta” para não tornar o texto repetitivo) em Amsterdã porque ainda não esqueceu da ex-namorada; Paxton é um latino-americano, que para não sair por baixo, dedicou-se aos estudos e aprendeu falar mais de duas línguas; e Oli é o primeiro que vai morrer.

No trem para o puteiro, ops, albergue... eles conhecem um sujeito meio sinistro. Um cara que tinha fortes tendências homossexuais na adolescência mas escolheu ter uma família (esposa e filha) e comer salada com as mãos para não chocar a sociedade. O cara vem com um papo de baitola pra cima de Josh, que o põe pra correr.

Bratislava é um lugar que nem você, nem os mochileiros tinham ouvido falar até este filme, o que aguça a imaginação de todos...um lugar onde a belezura das meninas é diretamente proporcional a dificuldade de se pronunciar o nome delas.


Svetlana e Natalya. "Não somos putas, apenas atraímos turistas para a morte honestamente!"

Então, eles têm a sorte de encontrar Natalya (Barbara Nedeljakova) e Svetlana (Jana Kaderabkova). Natalya é ítalo-russa e Svetlana é de Praga, independente de onde são, já resumem que toda européia é puta. Sim, é isso mesmo. Elas dão para os americanos por 3 motivos:

1) Por que são gostosas e desinibidas e precisam mostrar os peitos.
2) Porque gostam de dar, porque é bom e precisam mostrar os peitos.
3) Porque os rapazes precisam de um instante de redenção antes de serem torturados, mutilados, mortos e etc...e porque elas precisam mostrar os peitos.


Para Oli sobra a recepcionista, não menos bela, mas que não precisou mostra os peitos.

No meio das européias safadas do albergue ainda aparecem duas japonesas. Não dá pra entender o que elas fazem ali, já que todo mundo vai lá só para catar as plocs européias que dão de graça. Provavelmente estão fazendo um intercâmbio para aprenderem a ser putonas também, ou então apenas para dar um toque tarantiano de ser ao filme.

No outro dia, Oli desaparece. Ele saiu com uma das japas e não voltou. É nesta hora que você percebe que há mais suspense em se cortar as unhas dos pés com um alicate desamolado do que em “O Albergue”. Você vê que o filme é um splatter, gore (ou outras denominações usadas por terrorcinéfilos) de SOPETÃO (hahah, eu sempre quis usar esta palavra)... alguém corta um dedo do pé da japonesa em algum lugar depois da câmera ter mostrado a cabeça de Oli separada do corpo...o que leva a crer que há pelo menos um maníaco assassino solto por aí e coisa e tal.

Os dois se preocupam com o amigo, mas como não o conheciam direito mesmo, decidem continuar curtindo a viagem e quem sabe possuírem as moças mais uma vez. Numa parte, Josh reencontra o cara do trem (acho que isso foi antes deles copularem com as biscates, é que lembrei só agora). O cara o alerta dos moleques perigosos do local, que atacam as pessoas que não lhes dão um agrado: dólares, chicletes, bolachas, etc. Josh pede desculpas ao cara que, com menos conversa mole, mostra-se amigável.

Na última noite, antes dos dois personagens que sobraram se fuderem de vez, Paxton e Josh são drogados. Só que Pax quer vomitar, fica preso no banheiro e adormece por lá mesmo. Josh não tem a mesma sorte, vai dormir em sua cama e só acorda... preso a uma cadeira, numa sala parecida aquela em que Oli foi decapitado.

Enquanto a sua priminha, que você levou ao cinema só de sacanagem, pensa numa forma do rapaz sair dessa porque ele é o único bonzinho, Josh é perfurado por uma furadeira elétrica quatro vezes, afoga-se na própria baba, têm os dois calcanhares abertos e a garganta cortada pelo carinha misterioso e amigável que encontrou no trem.


Josh, lembrando os conselhos de sua mãe sobre não tentar andar depois que um psicopata cortar seu calcanhar.

Paxton começa a procurar o amigo pela cidade, até encontrar as duas messalinas européias. Elas estão mais simples e sem maquiagem, tomando umas biritas numa espelunca. Como somos telespectadores e certamente vemos mais coisas que Paxton no filme, neste momento já percebemos o que o personagem vai descobrir minutos depois...que Natalya e Svetlana, além de putas...são umas filhas da puta! (hahahaha, ora vamos, eu levei dois dias para bolar este trocadilho inesperado).

Natalya resolve levá-lo até onde os amigos desaparecidos estão: “uma exposição de arte”. Eles entram num grande prédio abandonado e Pax dá de cara com o carinha do trem terminando de brincar com as tripas de Josh.

Pois é, a verdade é que uns doidões, executivos, empresários, jornalistas e pessoas normais, pagam altas somas para terem o prazer de torturar e matar turistas que por lá se aventuram. Todos no lugar, as putas, a polícia, os taxistas, e etc... recebem grana para atraírem os visitantes para um massacre particular. Bratislava é ou não é um lugar literalmente do caralho, heim?

Antes que Pax profira todos os xingamentos que conhece e arrebente Natalya no soco, uns grandões o capturam e o imobilizam numa cadeira, vejam só, semelhante a em que Oli perdeu a cabeça e Josh foi retalhado.

Confesso que durante a exibição do filme eu me tornei uma das coisas que mais abomino no cinema: os caras que falam alto. Por diversas vezes reproduzi em voz alta pensamentos de expressões propositadamente engraçadas e escrotas que conheço “Vocês estão gozando da minha cara?!”. A dúvida é respondida no momento em que Paxton é preso à cadeira. É o momento divisor do filme. É quando o diretor quer que a partir de agora você se contorça na cadeira que nem o personagem...

Puxa, ele realmente conseguiu fazer isto comigo, mas não foi de terror nem de asco. Quando o cliente alemão, que pagou para torturar o rapaz, entrou em cena... não agüentei...espoquei-me como carapanãs sangrentos de tanto rir com as presepadas do torturador. Eu pagaria o preço do ingresso pela simples presença de um conhecido ao meu lado, para que eu pudesse apenas olhar sua cara e perguntar “MAS QUE PORRA É ESSA?!!” (como uma amiga minha o fez).

Paxton implora num monólogo em alemão para o torturador, mas a equipe brasileira que compôs as legendas estava gargalhando demais no estúdio e esqueceram de traduzir o trecho inteiro. Depois de tapar a boca da vítima e de uma sessão de afogamento em vômito, o torturador fica puto e resolve livrar as algemas do rapaz com uma serra elétrica com direito a dois dedos decepados de brinde.

Enquanto Pax se debate todo com a dor, uma perna também é cortada...a do alemão, que escorregou lindamente num sangue e descansou a serra elétrica em cima da coxa, alá
Leatherface. Com as mãos livres, Pax alcança uma pistola na bandeja de ferramentas de tortura e queima o torturador, acabando com suas fetiches e frescuras.

Agora ele tinha que fugir do local, cheio de salas com loucos torturadores e vítimas... e cercado de seguranças sósias do Príncipe Adam. Ele se esconde no carrinho do faxineiro, fazendo-se de morto no meio de tantos outros pedaços de corpos. Pax arrebenta a cabeça do faxineiro-açougueiro com uma marretinha, depois de constatar que o mesmo destrinchava humanos como se fosse uma pescada amarela.


"Finalmente poderei me masturbar com uma mão alheia! É esse tipo de coisa que faz nosso trabalho valer a pena!"

Depois disso ele encontra uma sala onde se veste com roupas bacanosas, terno e luvas pretas, para tentar sair se passando por um dos esbanjadores assassinos. Nisso aparece um dos clientes, um americano, que começa um diálogo para percebermos o quanto os americanos são as criaturas mais idiotas e doentias de todo o universo, e provavelmente Roth, deve ter achado que esta era uma das piadas mais sensacionais de todo o filme, como aquela em que os americanos são os mais caros no quadro de vítimas...rá-rá-rá...

O cara vai embora torturar alguém e Paxton tem a chance de fugir num carro, que algum dos clientes esqueceu com a chave na ignição. Mas ele ouve um grito asiático estridente e resolve voltar para o complexo da morte. Lá dentro ele mete bala no cliente americano, que tinha acabado de sacar o globo ocular da japonesa que tinha ficado sozinha sem a amiga, lá atrás...lembram?


Ainda bem que a tecnologia em prótese de olhos está a toda no Japão.

Com um olho pendurado no meio da cara e um pouquinho desproporcional à beleza, a japa o tem completamente removido com a ajuda do rapaz e uma tesoura...tudo explícito, para a agonia daquela sua amiga que compra abadá todo ano e para a alegria do meu doentio senso de humor.

Ele consegue levar a menina aos prantos para o carro e fugir rumo a estação com os bandidões no encalço. No meio do caminho, Pax dá um saco de bombons para a gangue de molequinhos arruaceiros. Eles dão porrada nos bandidões – que só para constar, estavam armados e puxam ferro desde a infância...

Antes de chegar à estação, onde a japonesa vai se jogar na frente de um trem, depois de ter visto o reflexo da cara sem olho num vidro, Pax encontra Natalya e Svetlana conversando com aquele narigudo que o convenceu a chegar nesta terra linda de meu deus!! Esta parte é legal, porque ele faz exatamente o que todos no cinema gostariam...e na Natalya, ainda passa com o carro por cima duas vezes. Bem, o burburinho causado pelo suicídio da japonesa na estação despista seus algozes e ele consegue entrar num trem qualquer para não sei onde, mas ninguém se importaria com isto depois de tudo... a não ser o assassino de Josh, que tem os dedos decepados e a garganta cortada por Pax no banheiro de uma estação próxima, depois que o sobrevivente percebeu que ele estava no mesmo trem. Fim...

É isso, esta foi minha versão do filme. Não lembro de ter visto nenhum negão sendo torturado ou morto, o que achei uma viadagem da parte deles! A equipe deve ter ficado com medo dos negros americanos não terem senso de humor e dessem uma curra neles quando voltassem para os states.

Depois de foder com o mundo inteiro, o diretor quer se redimir de não ter colocado nenhum brasileiro roubando ou sacaneando com alguém na película, o que é um absurdo! Agora resta esperarmos por “O Albergue 2”, que será num congresso de alunos de Comunicação no Brasil.

Quer saber...retiro minhas restrições em relação à quem tem gastura, todos devem ver o filme. Vejam logo esta porra e dêem mais grana para esses putos continuarem a fazer mais produções divertidas como esta! De repente, uma hora ou outra Eli Roth acerta de novo como em
Cabin Fever – um verdadeiro divisor de amigos, alguns agradecem a indicação e outros mandam eu tomar no cu.


Sim, eles realmente estava gozando da... e na sua cara.

Uma canção, “Long Gone Day" (Mad Season)

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Para se aborrecer diante da tela




Uma canção, “Conselho de Amigo” (Kacito Santos).

segunda-feira, 17 de abril de 2006

"V de Vingança", de James McTeigue


### por Sepúlveda "V" Gerardo ### Sepúlveda Gerardo é um velhinho que agora quer ser um vingador mascarado.

Não sei se concordarão com este escriba, mas na tela grande V de Vingança faz os olhos marejarem água e sal, traz a semente de la revolución guardada no peito de cada um e nos obriga a lamentar que somente o cinema é capaz de tornar palpáveis, críveis, histórias tão lindas, fantásticas, tão profundamente tocantes, tão visualmente perfeitas! Quedo minha pena ácida, minha verve incendiária, meu legado acre, para me render ao vingador que tornou sua dor na liberdade de um país inteiro. E vos digo, abrigado nas noites das fogueiras, "lembrai, lembrai do 5 de novembro...".

Onde eu estava nos últimos 24 anos que não comprei a história de Allan Moore??? Não li o quadrinho, sinceramente! Me perdoem, foi sem querer! A um velho é sempre mais difícil dar trela a rabiscos! Sisudos, gostamos mais de jornal, livro velho, mafuás, palavras cruzadas, baralho, mulheres renascentistas, cinema vá lá! Não é costume, não faz o menor sentido, procurar beleza num objeto comprado na esquina, tão vulgar, e que serve de almoço às traças! Engano, infeliz engano! Aos que leram, minha inveja e congratulações! Aos que não leram, meu pesar e meu contentamento de que não fui eu o único tolo!

Quando soube que os tais irmãos Wachowski estariam envolvidos no projeto, pensei que o filme estaria perdido! Mas, um erro! Pouco se nota a presença dos que ganharam fama com a malfadada saga Matrix. A não ser por uma cena em que V diz com propriedade "Depois que descarregaram suas armas, vou acabar com vocês no intervalo que usaram para carregá-las". E assim o faz contra um grupo de uns 15 capangas, no melhor estilo câmera-lenta-misturada-com-efeitos-que-todo-mundo-já-usou. Nota-se menos ainda, por razões óbvias, que o ser humano atrás da máscara de Guido Fawkes, extremista católico atuante no Reino Unido, no século XVII, é o ator australiano Hugo Weaving. Também conhecido por ter feito o agente Smith, uma das drags de Priscilla, a Rainha do Deserto e o mais-que-fodão rei dos elfos em Senhor dos Anéis. Pois é. Ele é o V. E por sinal fez um trabalho incrível.


Sim, tal qual em “Sexta Feira 13”, também temos nosso cara de máscara doidão

Longe dos malditos clichês dos filmes de mascarados, o personagem não mostra o rosto em momento algum, não se revela fisicamente, nem no grand finale. Mas, há beleza naquela cara que sorri o tempo inteiro num cinismo irritante. Weaving consegue mostrar a tristeza, a alegria, a dor, o desespero, a obsessão de V, mesmo com as expressões da face escondidas. E, antes que me acusem de paneleiro, viado ou qualquer outro adjetivo ofensivo, a beleza que menciono está na integridade daquele homem mutilado, que ao se esconder, se mostra ainda mais, expondo força e cérebro, numa empreitada digna de um exército de 500 mil Osamas. Sim, ele é um terrorista. E torceremos para que suas maldades pessoais sejam levadas até as últimas conseqüências. Depois que o mundo passou a ser governado por um, todos nós podemos, hora ou outra, nos tornarmos um amante do terror!

Mas, os conservadores devem se acalmar. Se violência gera violência, V prova que a destruição, o mal em si, pode ser usada para o bem! Insistindo com palavras, aparições na TV e a arte das adagas, ele promete fazer voar pelos os ares o parlamento inglês, uma piada de mau gosto encravada numa ditadura inglesa futurista em que o chanceler é John Hurt, um dos grandes atores veteranos. Durante a sessão juro que confundi o velho com Ian Mckellen, o Gandalf. Sorry, mister Hurt! O senhor merece toda minha deferência! Grande atuação, que como não poderia deixar se ser, tem a essência dos grandes ditadores, como Hitler e vários filhos da puta que fizeram deste mundo um lugar bem pior pra se viver!


Sim, tal qual em "Alien 3" também temos nossa mulher careca

O que mais impressiona no filme é o carisma de V, a poesia de seu discurso, o estilo teatral e eloqüente em acabar com quem lhe tirou a vida em sucessivas experiências científicas mal sucedidas. E como num jogo de xadrez, ele vai atrás dos algozes, que estão alojados em castas da mais alta estirpe, dando fim neles, um a um. Todos representando um poder que eu, você que lê este texto, nós enfim, já pensamos em mandar pelos ares. A diferença de V é que ele consegue. E lindamente, sem perder a pose de esgrimista e romântico! E, em sua sanha, de lambuja ganha uma mulher linda, simplesmente Natalie Portmann, que lhe admira, que lhe ama, que lhe quer, que até beija sua boca desfigurada por cima da máscara! Mesmo a sacaneando da pior maneira possível, ele a faz ver a verdade. Explica pela experiência que quase nunca se deve ser bonzinho para mostrar o correto e ainda que sofrimento deve servir para outra etapa da vida, não mais aquela de dor e desgosto!


Sim, tal qual “Buttman em Budapeste” também temos mulher bonita e nua...uma pena esta cena não estar no filme!

O filme é amplo em significados, tem tantas nuanças belas sobre política, sobre a liberdade e sobre o amor, que teremos que ver não uma única vez, mas, duas, três, quatro quem sabe, para extrair ao máximo o que ele possa nos dar. Vá sem medo! Se não puder, aguarde até chegar às locadoras. Porém, não perca! A película é tão boa que responde até a pergunta do cantor maranhense Zeca Baleiro: "por onde andará Stephen Fry?".

O ator inglês, ícone das minorias européias, está lá, vivo, num apresentador de TV reprimido, porém consciente de tudo, com sede de derrubar os imundos que se apossaram da única coisa que não poderia ter sido roubada do povo. Ele também é o V de alguma maneira. Aliás, como disse Evey Hammond, a personagem de Portmann, respondendo sobre nosso herói: "ele é meu amigo, meu irmão, meu pai. Ele é Edmund Dantes*, ele sou eu, é você, somos todos nós".

"V de Vingança" redime a obra de Alan Moore para o cinema depois que a "Liga Extraordinária" causou o estrago que causou. Por fim, informo que se alguém estiver por acaso pensando em presentear este velho, nestes tempos difíceis, a sugestão é o quadrinho que gerou o filme. Juro que prestarei mais atenção em libelos do gênero! E, por favor, "lembrai,lembrai do 5 de novembro..."


Apesar da maior pagação de pau encontrada neste site eu ainda acho todas as adaptações das minhas histórias para o cinema uma grande merda!” (Allan Moore)

* "O Conde de Monte Cristo", filme mais bacana para o V!

Uma canção, “Nós Dois” (Tadeu Franco).

sábado, 15 de abril de 2006

A TV nossa de cada dia





Uma canção, “Citizen Erased” (Muse).

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Æon Flux, de Karyn Kusama (2005)

Aeon Flux é uma sinistra série de animação que costumava passar na MTV tempos atrás. Os desenhos do coreano, Peter Chung, são bem característicos, com personagens ossudos que dão uma certa agonia, parecendo que vão quebrar a qualquer momento. Lembro que na época, uns conhecidos que acompanhavam a série não entendiam nada da história, imagina eu, que só via às vezes. Mas achava estiloso o traço dos personagens e suas bizarrices. Para você que conhece a antiga Aeon Flux, não pense que encontrará Charlize Theron esquelética e com um fio dental enfiado na bunda.

Se fossem construir um monumento que representasse a inveja feminina, seria uma estátua da Charlize Theron, aquela que passou lixa Nº4 na cara e engordou uns 200 kg para fazer uma serial killer em “Monster”(2003) e depois apareceu já bonitona para receber o oscar pelo mesmo personagem. Senta, engole uma pílula para falar com uma entidade esquisita e ouve a história.

No ano de 2011, um vírus matou 99% da população mundial. Um cientista chamado Goodchild descobre a cura. Como sempre vai acontecer em novas civilizações, os detentores de algum tipo de poder assumem o governo. Então...o clã dos Goodchild já está no poder há 400 anos. Aparentemente, o que sobrou da humanidade vive numa única cidade, Bregna, um lugar monitorado e cercado por grossas paredes – que a separam do mundo lá fora, tomado agora por natureza desconhecida da pesada. Existe um grupo que se opõem ao governo, os Monicanos (Monicans)que estão prestes a dar o maior de seus saltos...matar o líder Goodchild da temporada.

Caso a leitura de “Bregna” tenha lhe lembrado a palavra “Brega” e “Monicanos” a palavra “Moicano”, você não será o único. Principalmente depois que percebemos que Bregna é um lugar onde as modelos do "Workshop San Pablo Fashion Week" podem passear com seus modelitos livremente; e que Aeon Flux (Charlize Theron), a monicana mais mortal da galáxia e imcubida de dar cabo de Goodchild, tem um corte de cabelo ertranho e que foi lambido por uma vaca geneticamente modificada, porque nem uma bomba de 500 megatons poderia abalar sua incomensurável estrutura.

O abertura do filme chega a empolgar para qualquer pessoa que tenha assistido a um único episódio do desenho – tem até a cena clássica da mosca sendo presa nos cílios de Aeon, simulando uma Venus Flytrap (Dionaea muscipula), não precisei procurar isso em livros, esta é a única planta carnívora que conheço mesmo. O que aconteceu com o mundo é contado em poucos minutos e sempre é interessante estes prováveis futuros catastróficos a que a humanidade está sujeita na mente de escritores. Mas depois...

Achei as cenas de ação e efeitos muito mal aproveitados. Os combates e peripécias de Aeon são confusos, muito aquém de qualquer outro filme de ação futurista em cartaz. Depois de um tempo, o filme se resume a esperar pelo final enquanto assistimos a pitadas de coisas estranhas que a tecnologia do ano 2411 pode proporcionar. Até as surpresas bizarras, como a agente Sithandra, com mãos implantadas no lugar dos pés, não chegam a impressionar mais que um frame de animação.


A 15.000 pés de altura, 350 km/h e um super gel de durepox no cabelo.

Bem, no final das contas, só resta admirar a beleza e o esforço de Charlize, que nunca deixa de ser feminina e graciosa até matando alguém ou fazendo acrobacias alá Homem Aranha.

Pois é, não achei Aeon Flux bacana não, mas em matéria de adaptação cinematográfica, Peter Chung está tento mais sorte que Allan Moore (alguém gostou da "Liga Extraordinária”?).

Aeon Flux dá para assistir enquanto uma daquelas chuvas de Belém desaba lá fora. Se você for uma mulher heterossexual que não gosta de filmes de ação em futuros hipotéticos e que se agonia quando eu arranho o garfo no fundo prato...melhor levar o guarda chuva.

Uma canção, “Mary Star of the sea” (Zwan).

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Três Respostas...




Uma canção, "Luno" (Bloc Party).

segunda-feira, 3 de abril de 2006

“Crash”, de Paul Haggis (2004)
### por Sepúlveda Gerardo ### Sepúlveda Gerardo é resenhador universal e multimedia sobre qualquer assunto, sem papas na língua, seja lá o que isso for.

Está longe de eu ser Paulo Nazareno, O grunge. Alguns leitores têm me confundido com este artista multimídia, multifacetado, multihabilidoso e multilado. Mas, não tem nada a ver, não. Ele está muito acima do bem e do mal com suas tiras incríveis, sua verve incendiária, seu humor preciso, sua cara de menino que não levou a merenda para a escola. O fato é que fui contratado a peso de ouro para escrever no Barata. Fora as 500 pilas mais oito vale-puta mensais, dois para cada fim de semana do mês, que garantem os rapapés a este gênio magnífico da criação. E não se fala mais nisso.

Porém, o que me traz aqui é "Crash - No limite", o vencedor do Oscarito. Nada mais pop em assistir ao ganhador do prêmio da Academia depois que os caras de Roliúdi elegeram a película como a melhor da temporada. Tanto que a sala estava cheia naquele domingo, quando estive com o Nazareno para fazer os últimos ajustes de minha contratação milionária. Não somos afeitos a essas coisas de multidão nem a mercadorias simbólicas reproduzidas em série para cultura de massa, como manda a cartilha das universidades de jornalismo pelo mundo afora. Ainda assim estivemos lá. Na saída do cinema, como já estávamos transgredindo o mandamento dos intelectuais, aproveitamos e fomos ao shopping fazer compras, agir como metrossexuais e comer um Big Mac.


Comida de Fresco.

Se você abomina a idéia de saber coisas do filme antes de vê-lo, ia dizer para deixar o texto por aqui e fazer outra coisa, mas tenho uma saída: NÃO leia os trechos em Marrom, certo?

Um filme com a Sandra Bullock e o Brendan Fraser e consegue ganhar o Oscar?! Eu tinha que ver isso! A Miss Simpatia e o Homem da Califórnia participam do legalzinho Crash. É legalzinho mesmo! E só! Não vamos muito além, porque se não os ativistas do movimento gay, que torciam pelo Segredo de Boukete Montain, vão cair de pau! (Ui!).

Rapaz, é muita discussão de preconceito e discriminação num filme só. É Branco, é preto, é "ticano", é "china", é islâmico. Está tudo lá. Menos os gays. Não que seja uma reclamação. Eu, sinceramente, entendi a onda da Academia. Já tinha o Brokeback e o Capote. Para que mais discussão sobre os rapazes alegres? Estratégia dos produtores e corte de gastos das produtoras, que por sinal é a mesma do Jogos Mortais, a Lions Gate Films (LGF). Quando começou o Crash até achei que apareceria o bonequinho do filme, dizendo: "Hello, Joe, I wanna play a game?".

Não vou me estender nas histórias, porque são muitas. E isso até depõe contra o filme. "Não se aprofunda em nada", já me disseram. Vale mesmo é que a trama mostra o que muita gente já sabe há séculos: o ser humano é uma merda mesmo! Mas, pode ser gente boa também. E pode ser um merda de novo, sucessivas vezes, até a morte. Crash mostra os discursos sendo desmontados com a realidade. Por exemplo,
[se você for daltônico, afirmo que o trecho começa a ficar marrom agora]
com o preto ladrão que se acha discriminado o tempo todo e defende sua raça não assaltando os brothers. Ele acaba se fodendo quando tenta roubar um carrão do diretor negro da TV. "Você é uma vergonha", diz o assaltado.
Lá na frente, o bandidinho furreca se redime salvando uns "chinas" que estavam sendo traficados por outro oriental.
Tem ainda a esposa Sandra Bullock do promotor Brendan Fraser que descobre a grande amiga na empregada doméstica latina. Quando a dondoca se espatifa caindo da escada, só consegue ajuda com a "ticana".
A "amiga" perua que poderia levá-la ao hospital estava numa sessão de massagem. E por aí seguem as lições de moral: policial-branco-racista que salva negra num carro em chamas; iraniano que tenta matar um latino, mas tem a alma salva do mármore do inferno pela filhinha do seu desafeto – a menina assusta todo mundo levando bala de festim na cabeça, disparada pelo sudito do Aiatolá komeini; o tira preto bem sucedido que está pouco se fodendo pro irmão igualmente preto mas desigualmente lascado.


Cara, é tanta gente sofrendo e cometendo discriminações explícitas que eu devo ter esquecido alguma coisa. Mas, ainda cabe mais nuanças no roteiro. Poderia ter a cantora lésbica que se apaixona pelo ator gay, que por sua vez, é terrorista da Al Qaeda, mas descobre que George W. Bush salvou seu tio-avô de um afogamento num barril de petróleo numa de suas viagens de negócio ao Iraque, e acaba entrando pros Hare Krishnas e casando com a cantora que a essa altura já havia esquecido sua amante, uma brasileria negra, nordestina, filha de japonês com alemão, que trabalhava no Pentágono. Ufa!

É um filme legalzinho, já disse. Mas, nada acontece nesta porra! Todas as situações de tensão são diluídas com alguma artimanha já prevista pelos roteristas e diretor. Quase que eu solto uma rojão dentro do cinema, quando a Sandra Bullock caiu da escada parecendo que ficaria tetraplégica, de tanto que não acontece nada. Pra ver: nem na queda não houve nada demais. A mulher aparece no hospital com a mesma cara de quem se salvou do ônibus do Velocidade Máxima! Porrrrra!!!

No fim o cara mais escroto da história é o policial bonzinho, rejeitador do comportamento racista do parceiro de viatura. Mais uma vez o discurso perde para realidade. O tira legal dá carona a um negão. Pára: achei isso estranhíssimo! Dar carona a qualquer hora é perigoso e incomun para caraleo, ainda mais na noite perigosa e fria de Los Angeles. E pior: aida mais para um rapaz... assim.. digamos... com jeito de quem infringiu repetidas vezes o Artigo 157 do Código Penal... (já vão dizer que estou sendo preconceituoso, mas eu não daria essa carona, nem que o diretor do filme me obrigasse!). Os dois no carro, conversa vai, conversa vem! O negro começa a rir! O branco se aborrece! O negro põe a mão no bolso e em seguida toma um peteleco no meio das fuças! O pior é que o carona só estava tentando mostrar que tinha uma imagem de São Cristóvão igualzinha ao que o tira ostentava no painel do carro. A prepotência do policial o levou a imaginar que o negro resolveria uma questão besta com um branco sacando um revólver. Viagem, né?
Pensando bem, essa maldito roteiro não convenceu! Mas, é cinema e na hora achei até bacana! Agora entendi o que o José JK Wilker queria dizer na apresentação do Oscar, exibida pela Grobo.


Ainda bem que Jim Carrey está no filme para aliviar os momentos de tensão.

Agora me perdoem os politicamente corretos pelas expressão como pretos, chinas, ticanos, viados. Quis dizer, na verdade, afrodescentes, povos orientais, imigrantes latino-americanos e homoafetivos, respectivamente. Mas, sabe como é, sou gente que nem os personagens do Crash: uma merda, mas escrotão também. Tudo de vez em quando e não necessariamente nesta mesma ordem. Ah, vai, dá um desconto!

Aproveita, quando for ver o filme, e dá uns R$ 183 ao flanelinha na saída ou convida o mendigo para jantar e dormir na sua casa por umas três semanas ou deixa a empregada doméstica descansar durante o expediente e lave a louça por ela até o próximo dia 31 de dezembro ou ainda aceite aquele seu primo afetado como um grande orgulho na família por conta das roupas fashions e rosinhas que ele usa. Será um bom exercício de tolerância, tal como Crash debate nas suas histórias entrelaçadas! Quem conseguir terá direito a prestar serviços comunitários das 5h da manhã ao meio-dia aos egressos do sistema penal, cometedores de crimes hediondos! Ah, as sessões serão no Beco do Relógio*, no bairro do Jurunas! Vai encarar?

* Área considerada de certa periculosidade pelos cadernos policiais dos jornais da cidade.

Uma canção, "Can't make a sound" (Elliott Smith).