quarta-feira, 28 de setembro de 2005

terça-feira, 27 de setembro de 2005

domingo, 18 de setembro de 2005

sábado, 17 de setembro de 2005

O Restaurante Maldito - Parte 2 (HQ)




A História de Ricky, de Ngai Kai Lam (1991)[Japão/Hong Kong]

Na entrada para a prisão, Ricky não passa no detector de metais. Os guardas o levam até um aparelho de radiografia instantânea, onde constatam assustados que o prisioneiro possui 5 balas do lado de dentro do peito.

- Por que você deixou elas no peito, nós poderíamos extrai-las.
- Souvenirs.

Esta é cena inicial de A História de Ricky, e isto ainda não é nada.

Filmes como este deveriam passar na sessão da tarde para que todos possam acreditar que existam. Hermes e Renato devem ter visto, Peter Jackson também, até eu vi, mas infelizmente a dona anita da padaria não viu. Se por acaso um dia adquirirem (comprando, emprestando, locando, roubando...)este filme de alguma forma, chame o maior número de pessoas que puder e não lhe contem o que eu vou escrever aqui – eles têm que sentir a mesma sensação que tive ao começar a assisti-lo, quando eu nunca tinha ouvido falar dele. Senta, que lá vem a história...e que história.

Antes de tudo, o filme é baseado num popular mangá “Rikki Oh”, a história se passa em 2001 – é um filme dez anos no futuro, já que foi gravado em 1991. Ricky é um jovem que possui um dom especial, algum poder, ki, sangue brabo ou coisa do gênero. Ele está indo para a prisão por ter matado um homem – pela personalidade do herói, com certeza era algum malfeitor. O Complexo Penitenciário é o Pavilhão 9 do carandiru elevado a enésima potência: os prisioneiros (que estão sempre livres sabe-se lá por que) se batem, se rasgam, se esfolam e se matam sob a vista dos guardas que não passam de meros enfeites. Sem citar o fato do diretor ser um corrupto (algo inédito nestes filmes rodados em prisões) envolvido com o tráfico de drogas da cidade. Para completar, existe uns tipos bem esquisitos que mandam geral na cadeia, chamados de “Gang do 4” – onde, com certeza, destaca-se Huang Chaun, que em vez de usar o traje de presidiário, prefere usar a roupa que a sua tia usava em 1984.

Sim, parece mais um destes filmes sobre a vida dura na cadeia e seus grupos internos. Mas não. Quando sentir a primeira gota de sangue espirrar da tela em você, vai ter idéia do que eu estou falando. E se em algum momento você se espocar de rir – o meu foi coincidentemente quando espocaram a cabeça de um detento com as mãos – vai saber do que eu estou falando. Não, não sou um sádico. Se você tiver visto ao menos um dos filmes de Peter Jackson (Fome Animal ou Trash Náusea Total), antes dele entrar em contato com hobbits e elfos, vai finalmente entender do que eu estou falando.

Os caras são muito bons atores, parece que eles levam o filme a sério - até mesmo na parte em que um deles comete harakiri e resolve enforcar Ricky com os próprios intestinos. Égua (e isso em Belém significa a interjeição mais foda que já inventaram) este é um dos filmes de kung fu mais absurdos, insanos e engraçados que já vi. E você que já achava absurdo os chineses voarem, espera só até ver Ricky quebrar blocos de concreto, mascar giletes, encontrar mais de mil motivos para vingança em tão pouco tempo e trucidar seus inimigos (literalmente) de tal forma que faria Paul Kersey (Charles Bronson em Desejo de Matar, todas as partes) morrer de inveja. Sem falar que o diretor, sem dúvida, era fã do Chaves – esperem só até aparecer o Nhonho.

E o nível de “trashismo” vai aumentando em doses graduais cada vez maiores até atingir níveis cavalares na apoteótica cena final – em que o protagonista só conseguiu lavar todo o sangue(falso) da pele três dias depois. Quando você imagina que o diretor já chegou ao seu limite, ele consegue extrapolar mais ainda na cena seguinte.

Enquanto assistia, a minha maior frustração era não ter como mostrar esses filmes aos meus semelhantes. Provavelmente ele nunca chegará ao Brasil – pensei comigo cabisbaixo... Porra, e não é que tem o DVD nas Lojas Americanas!! Pois é, meu aniversário é dia 7 de outubro.

Este filme é ótimo para você que vai fazer vestibular. Você deve passá-lo para sua mãe e depois dizer: “Mãe, eu ia fazer Medicina mas por causa deste filme eu resolvi ser cineasta.”


Não se preocupe, além deste sangue desaparecer em segundos, vai ter forra e da pior forma possível

O Restaurante Maldito - Parte 1(HQ)




O Clãs das Adagas Voadoras, Zhang Yimou (2004) [China/Hong Kong]

O Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu) é o segundo filme de Zhang Yimou do gênero Wuxia Pian – histórias baseadas em antigas lendas chinesas, numa época em que Isac Newton, Pascal e outros físicos ainda não tinham nascido. Antes que eu continue escrevendo qualquer bobagem que destrua toda a sociedade e cultura milenar de um povo, devo frisar que Zhang Yimou é o responsável por um dos melhores filmes que já vi em toda minha vida: Herói. Dizem as boas línguas que Tarantino se sentiu um merda ao ver Herói. Eu também me senti um merda. A beleza impressionante de Herói (visual e musical) também está presente no Clã. A fotografia, escolha das tonalidades de cores e a trilha é de agraciar os sentidos. Mas diferente de Herói (acaba sendo até uma covardia ficar comparando os dois, quem mandou fazer né?) o filme acaba se perdendo um pouco na sua “questão” mais sentimental, deixando as adagas, como sugere o título, voando por aí. Senta no chão, pega um chá de broto de bambu, que lá vem a história.

No ano de 800 e algumas quebradas, durante a Dinastia Tang – depois da Kisuco – o Clã das Adagas Voadoras é uma das mais temidas facções que se opõem ao governo. Leo e Jin, dois chefes de polícia, desconfiam que uma das novas moças da Casa da Luz Vermelha local é integrante do clã. Jin se passa por um cliente e conhece Mei (a cuja, filha do antigo líder), uma dançarina cega, que quando criança passava as férias com o Demolidor. Eles criam uma confusão para levá-la presa. Leo e Jin armam um plano: Jin invade a delegacia para libertá-la, ganhar sua confiança e acompanhá-la até a sede do Clã das Adagas Voadoras - onde pegaria o seu novo líder. Só que no caminho...”o amor é seu maior aliado e seu pior inimigo” (isso eu li num poster de divulgação do filme). Pois é, o sentimento bate forte e as coisas ficam complicadas.

O Clã tem efeitos especiais de encher os olhos mas em alguns momentos, depois da 25º adaga acompanhada pela câmera, temos a sensação de que novos clãs estão surgindo a todo momento: o clã das flechas voadoras, dos bambus voadores, dos pedaços de madeira afiados e voadores...

Enfim, é uma bela obra que continua mostrando que Zhang Yimou é um diretor dedicado e de estilo marcante. Tudo bem, mas desta vez eu me senti apenas quase um merda – é o preço de se fazer obras primas, jornalistas desocupados que não têm nada melhor para fazer costumam ser implacáveis. Assista em qualquer ordem: Herói (2002) e o Clã das Adagas Voadoras (2004), são ótimos de qualquer forma.

Porra, mas o Herói é... [e um turbilhão de elogios e palavras imaginárias continuaram para sempre em algum lugar da galáxia dizendo que Herói é foda]


Mei (Zhang Ziy). Curso aplicado com Matt Murdock e a cega de "A Vila"

Sin City, de Robert Rodriguez/Frank Miller (2005)[EUA]

“Miho, you´re an angel. You´re a saint. You´re Madre Teresa. You´re Elvis Presley. Miro, you are God!” (Dwight) – isso porque ela é uma messalina assassina armada com duas katanas e atira shurikens em forma de suástica.

Por que falar mais de um filme que já nasceu cult, que já é uma revolução cinematográfica, que todo mundo já rasgou a seda, babou o ovo, pagou o pau e todas aquelas milhares de expressões que significam a mesma coisa mas você não faz a mínima idéia do porquê de serem usadas, já que gramaticalmente representam coisas absurdas que aparentemente não têm nada a ver. Se é para usar expressões sem um significado visual satisfatório, por que não dizem que o filme é du caralho logo e pronto? Tá bom, eu falo então. “Sin City é du caralho” (Paulo Nazareno, Quando a barata voa).

Os atores são apresentados e sacrificados em segundos. Logo você não os reconhece mais na tela e os personagens de Frank Miller reinam absolutos. Não importa se você é fã de Bruce Willis ou acha a Jessica Alba o que há de melhor em atriz do bocão gostosona do momento, eles não estão lá, não há filme, apenas quadrinhos fantasticamente narrados e hipnotizando magicamente o espectador. Antes que eu possa lembrar de outra expressão fodona adjetivadora que termine em “ente”, posso dizer, como se você já não soubesse, que o filme é uma das mais novas, belas e bem sucedidas experiências do cinema digital. Não vou falar da carga semiótica da obra, nem de quanto Walter Benjamim curtiria o filme, nem da estética noir parecida com alguns filmes antigos alemães, pelo simples fato de: ter compreendido apenas teoria da comunicação I, não conseguir citar pelo menos dois filmes noir de cabeça – algo que mostra que sou uma fraude em matéria de crítico cinematográfico – além de não manjar porra nenhuma de cinema mesmo.

Robert Rodriguez e sua trupe praticamente perseguiram o autor dos quadrinhos para que ele se envolvesse no projeto. Deu tão certo que Miller até virou um de seus personagens. Sin City para as telas traz três histórias que acontecem na mesma noite, mas são contadas a seu devido tempo. Os personagens vivem num mundo cruel e muitos de seus atos beiram a loucura – isso é claro, quando eles já não são psicopatas mesmo. Em Sin City você encontrará reminiscências do que seria Mickey Rourke (Marv) chutando o pau da barraca e mais uma porrada de coisas; Bruce Willis (Hartigan) mais duro de matar do que nunca e Clive Owen (Dwight) corrompendo seu Rei Arthur até a alma. Pois é, e como você vai assisti-lo mesmo que eu minta dizendo que o filme é uma bomba, vá na paz, vá tranqüilo, você vai precisar de calma quando passear pela Cidade do Pecado.

Se você não leu nenhuma edição inteira de Sin City, como eu, não se preocupe, pelo menos a gente não sabia o final das histórias. Quanto ao Robert Rodriguez, prometo que revejo "El Mariachi" (inteiro) na próxima vez que passar na Band e acho que vou ver "Sharkboy and Lavagirl" – um cara que faz um filme baseado nas aventuras criadas pelo filho de 7 anos merece por demais o meu apreço.


E eu nunca li uma edição. I´m Sorry, Frank, I was just a little sad fat boy.

Historinhas Sinistras - Parte 4 (HQ)





Volcano High, de Tae-gyun Kim (2001)[Coréia do Sul]

Se não você nem simpatiza com mangá, video-game, animes e derivados, nem assista. Provavelmente vai achar Whasango (Volcano High) de Tae-gyun Kim (não sei se acertei a ordem), uma super merda. Há probabilidade de achá-lo uma droga mesmo gostando dessas coisas, mas não foi o meu caso. Na primeira cena um giz atravessa a sala em direção à cara de um aluno. A esta altura, você percebe que o professor não é uma pessoa normal. Depois que o giz retorna e explode na cara do professor, tem certeza que o aluno também não é uma pessoa normal. E depois disso, quando aparece uma tarja vermelha no meio da tela, com as inscrições : “Expulso”, realmente, não se trata de um filme normal. Em “Volcano High” os atores e as câmeras são apenas os suportes primários para se apresentar um mangá (ou anime) clichezaço nas telas – e tão divertido quanto (Pensando bem, nem tanto). Senta, que lá vem a história.

Mas que história? Porra, não tem história. Se isso importa mesmo, assista Heroi ou Tigre e o Dragão, ou outro “Wuxia Pian” calcados no amor na honra. Por ora, pegue seu joystick e acompanhe Kyeong-soo, um jovem meio problemático que depois de ser expulso de 9 escolas, chega em Volcano High. Ele tem um imenso poder, que apesar de dar a maior bandeira por causa de seu visual super-saiajin, só é percebido por Hak-rim, o melhor lutador de Volcano. Tanto os professores, quanto os alunos (quem sabe, todo mundo do resto do planeta) têm poderes sobre-humanos, logo, quando eles entram em conflito a porrada come solta com os mais fantásticos efeitos especiais que só o cinema digital traz para você – dizem que foi até um marco nas produções coreanas. É exatamente prestes a estourar uma guerra que Kyeong-soo aparece em Volcano High. Alguém tenta matar o diretor e Hak-rim é acusado e preso. Com o melhor lutador fora do caminho, Jang Riang, um menino mau do colégio - apesar do cabelo de Drag Queen – começa a descer o cacete nos líderes de cada turma, porque ser o número 1 é o objetivo de sua vida. Ele quer possuir o lendário “Manuscrito Sagrado”, onde existem grandes técnicas e poderes e está escondido em algum lugar da escola. Aliás, todo mundo conhece alguma impressionante técnica e poder, só que ninguém sabe como é que se aprende elas (pelo menos, não quem vê o filme). Como se não bastasse toda esta confusão, o vice-diretor resolve contratar uns cinco professores malditos, especializados em humilhar alunos super poderosos e rebeldes, não necessariamente nesta mesma ordem.

Os personagens são todos estereotipados e bem caricaturais. Os alunos se dividem em clãs, atividades extra curriculares: o time de rugby, os judocas, as lutadoras de kendo, alterofilistas e derivados. Cada aparição de um novo elemento vem acompanhada de uma apresentação alá Digimon – com um narrador que parece ter saído de uma partida de Winnig Eleven. A comparação a Rivals School, jogo de luta da Capcom, chega a ser inevitável.

Eu fiquei um tanto quanto impaciente porque Kyeong-soo fica evitando os confrontos que encontra pelo caminho, além de não agarrar logo a Chae-yi ou outras asiáticas gatas que ficam lhe dando bola (ou não).

Eu me diverti com o filme - eu não tinha nada para fazer mesmo. Mas eu sou o que poderíamos chamar de menino do buchão, aqueles que gostam de qualquer coisa, vibrava com “Comando para Matar” na sessão da tarde e acordava cedo pra jogar um novo cartucho. Se você têm boas lembranças dos tempos de colégio e alguma vez teve vontade de quebrar a cara de um professor nojento, relaxe, convide seus filhos, sobrinhos e afilhados e aproveite a sessão – porque afinal de contas, alguém tem que curtir muito Volcano High. O máximo de ruim que pode acontecer é dos moleques no outro dia pintarem o cabelo que nem pagodeiros e sair batendo em outras crianças e na professora. Ou seja, nada com o que você tenha que se preocupar.


Kyeong-soo. Olhando assim até parece que ele bate, mas apanha que é uma beleza

A casa dos 1000 corpos, Rob Zombie (2003)


Você percebe que a locadora que freqüenta é uma droga, quando tem muita vontade de ver um filme, não o encontra, acaba esquecendo dele – nem sabia que havia sido lançado no Brasil – e no primeiro buraco diferente que visita (e isto significa: uma locadora qualquer que passa despercebida) ele está na primeira prateleira perto da porta.

Não me considero um cara que entende das coisas, nem posso ser chamado de fã de filmes de horror – nunca vi muitos clássicos. Se fosse há alguns anos, eu poderia dizer que a minha expectativa levou um tiro de calibre doze na cara e se espalhou por todo o assoalho enquanto eu berraria deveras puto: “Mas porra, que filme mais escroto!”. Mas não, eu fui achar de flertar com a cinefilia e ver os filmes de outra forma, a direção, a edição, a maneira como foi feito, essas coisas. É por causa disso que A Casa dos 1000 Corpos (House of 1000 corpses)de Rob Zombie merece a quantidade de opiniões altamente favoráveis (ah, sim, tem a história também) no meio especializado em horror, terror, trash, slash, gore e todas estes estilos que só os fãs genuínos sabem diferenciar. Sai correndo, que lá vem a história.

No final dos anos 70, quatro amigos dentro de um carro passeiam pela estrada em algum lugar do interior dos Estados Unidos – essa é a nova, não? Eles chegam na loja do Capitão Spaulding (é o Krusty dos Simpsons, sem dúvida) onde ele apresenta um Show de Horrores, além de vender gasolina e frango frito. Após ficarem impressionados com história de um tal de Dr. Satã, os amigos saem da loja e seguem viagem até o carro dar prego num lugar inóspito – à noite, durante uma chuva, é claro. Aí eles tem que contar com ajuda de umas pessoas sinistras que moram numa casa sinistra e fazem coisas sinistras (é claro).

Acho que se Rob Zombie encontrar Tobe Hooper na rua, ele no mínimo deve dar um beijo na boca do velho. “O Massacre da Serra Elétrica” e “Pague para entrar reze para sair” (que eu tinha tanto medo que não lembro de nada)- ambos de Hooper – são fontes evidentes para esta sua primeira experiência cinematográfica.

Não importa o preconceito que alguns possam ter contra roqueiros, filme de terror ou filmes de terror dirigidos por roqueiros, A Casa dos 1000 corpos prende a atenção – não se pode negar. Os personagens da família Firefly são psicologicamente e visualmente marcantes – além de usarem camisetas que eu gostaria de ter. Os amigos viajantes são: Bill, um rapaz de óculos que quer escrever um livro sobre “histórias das beiras de estrada do interior dos EUA”, além de ficar fazendo perguntas idiotas; Jerry, um desses típicos babacas que se batem de peito uns contra os outros e se espocam de rir de brincadeiras de mau gosto; Mary, um modelo de namorada chata e Denise, aqueles personagens apagados que ninguém nota. Porra, não é preciso ser um maníaco psicopata para querer matar todos eles.

Neste primeiro filme de Zombie, eu percebi duas coisas: 1) A esposa dele, além de boa atriz é uma atriz boa; 2) Como diretor, até que ele é um bom músico. Não, a direção não é ruim não (a cena em que os tiras abrem o celeiro da casa é muito louca), é que eu não podia perder a piada. Mas não importa o quanto de imaginação e situações bizarras Rob conseguiu criar, não importa o quanto os atores estavam empolgados com o projeto e nem os ótimos personagens esquisitos da família Firefly...eu não achei este filme um novo clássico do gênero, não o achei supimpa – como uma galera anda dizendo por aí – e confesso que fiquei puto por um momento, mas acho que Rob queria isso. Agora penso que tenho que assisti-lo de novo, coisa que não fiquei com muita vontade ao final. É claro que eu quero ver The Devil’s Rejects (2005) sua continuação, afinal, todos merecem uma segunda chance, e como eu disse...a esposa dele é bonitona.


Babe Firefly (Sheri Moon)- Temos que dar um desconto a Zombie, afinal, em qual outro filme a gente encontra um maníaco assassino assim? Isto é vanguarda!

Asbestim (HQ)




O “Punctum” de Roland Barthes


Ao ler pela primeira vez o livro “A Câmara Clara”, de Roland Barthes, não achei a câmara tão clara assim, talvez um pouco obscura. Numa nova tentativa, percebi por que o livro é referencial para muitos críticos, pesquisadores, estudiosos, ou até mesmo, estudantes universitários fazedores de resenhas para professores que não querem dar aula.
Os mistérios que rodeiam a tênue barreira entre a vida e a morte vêm à tona numa espécie de devaneio do autor sobre a fotografia. Suas impressões sobre o tema são extremamente pessoais e fascinantes. Apresentando uma série de trabalhos de fotógrafos conhecidos, ele vai traçando sua percepção própria sobre as imagens baseando-se, sobretudo, em dois aspectos: o studium e o punctum. O studium seria o “visível”, objeto de análise geral nas fotografias: aspectos que determinam o contexto de época, a cultura; e o punctum seria o “detalhe”, algo instigante que toma a atenção, parecendo sair da foto para tocar o observador. Este, é muito mais apreciado por Barthes.
O autor ainda mostra a questão sentimental como uma das chaves primordiais para o interesse na fotografia. A imagem retratada, seja de parentes ou lugares conhecidos, na maioria das vezes, desperta interesse somente nas pessoas que se identificam com ela. O autor demonstra não se ater tanto a esta regra e tenta elucidar ao longo do livro diversos punctums nem um pouco familiares.
Uma idéia bastante presente na obra é a Morte. Para Barthes, tudo parece vir dela e ir para ela, em se tratando de fotografia. Pode parecer triste, mas não retira a essência que o fez ter necessidade de escrever sobre o tema: o despertar da aventura. O que uma simples foto pode representar é extremamente variável e pessoal. Pode contar uma história, comover ou trazer alegria.
De qualquer forma, a fotografia é singular, ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente, ela é a volta do morto, corta o tempo e o espaço. Ela é pesada e única, enquanto nós somos mutáveis e múltiplos.

Utilizarei registros, diferentes dos encontrados no livro, para uma melhor compreensão do que seria o instigante, que sai da imagem para tocar o observador, ou seja, o punctum de Roland Barthes. Vamos identificá-los nas imagens a seguir:

Punctum 1 - Todos podem perceber de cara que o punctum trata-se do gorro rosa da menina loirinha. Além de parte de seu cabelo também ficar rosa, causando grande impacto na foto.


Punctum 2 - Trata-se da bolsa vermelha ao pé da árvore. Ela está a uma distância não segura (da dona na cadeira), podendo ser facilmente levada por um ladrão.

Punctum 3 - É o relógio da moça. Não dá para ver as horas, e isso definitivamente é muito estranho, dando um ar de mistério à foto.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

A tale of two sisters, de Ji Woon Kim (2003)[Coréia do Sul]

Enquanto milhares de pessoas evacuavam a cidade tomados por uma força sinistra que os fazem se deslocar a determinados locais, todos ao mesmo tempo e na mesma época do ano - invadindo balneários que se tornam o reflexo do verdadeiro caos - eu me encontrava naquela tarde de julho reunido com algumas poucas pessoas, prestes a me deparar com “Janghwa, Hongryeon” (A Tale of Two Sisters), de Ji Woon Kim, produção de 2003, Coréia do Sul. Nossa, como às vezes eu sou um cara de sorte!

“Vão assustar a mãe, sul-coreanos filhos da p...!” – é o que dá vontade de soltar no meio da sala escura, ainda nos primeiros momentos do filme. Senta, que lá vem a história:

Duas irmãs, muito unidas, retornam para a casa do pai depois de passarem uns tempos fora. O pai, além de ser a cara do Fagner, é o que poderíamos chamar de “pai distante” e o relacionamento das duas com a madrasta não é nada bom. O clima fica bastante pesado, não só pelos confrontos entre a madrasta e as irmãzinhas (e a vista grossa do velho), mas também por que a casa é cheia de mistérios e barulhos estranhos, definitivamente um lugar onde ninguém gostaria de passar a noite. Quanto mais a história das garotinhas vai se desenrolando na película, mais enrolado fica o espectador. Eu fiquei emocionalmente envolvido com o drama de Soo-mi e Soo-yeon. O problema é estar envolvido com história das meninas e ao mesmo tempo ficar alerta com os silêncios e possíveis situações sinistras que possam nos surpreender. Estes filmes de terror asiáticos (não querendo generalizar, e depois desse é bom mesmo que não o façamos) geram uma grande expectativa da revelação da trama. Alguém (não sei quem, mas sempre tem) pode pensar somente no núcleo doméstico, um confronto familiar com algumas pitadas sobrenaturais, tipo :“Isso acontece nas melhores famílias e tem uns fantasminhas só para dar uns sustinhos”- mas depois da revelação (isso depois de ter pensando pelo menos numas 4 diferentes) posso dizer seguramente que isto não acontece nas melhores famílias, nem nas piores, nunca aconteceu, nunca vi...graças a deus! É, o caos que tomava conta dos balneários se instalava agora dentro de mim, e de quem sabe quantos ali naquela sala. O filme ainda é belo em muitos aspectos, com cenas de cores e imagens poéticas. Não sei se terá distribuição no Brasil, enfim, surgindo a oportunidade de assisti-lo, como eu tive, assista. Assista, antes que Hollywood faça a versão (ainda não fizeram?) - sim, esta moda ainda não acabou. Depois, durma sozinho(a) em casa.
SPOILER


[A PARTE AZUL DEVE SER LIDA POR DOIS TIPOS DE PESSOAS: 1)OS QUE JÁ VIRAM O FILME 2) OS QUE NÃO VIRAM MAS GOSTAM DE FICAR PUTOS. ENTÃO, NEM PRECISO FALAR QUE ABAIXO TEM COISAS QUE NÃO DEVEM SER DITAS PARA QUEM NÃO VIU. UMA BOA SAÍDA É: ASSISTA E VOLTE PARA LER, OU NÃO]

Parece que o diretor nos apresenta as duas irmãs para depois nos jogar numa trama onde nos perdemos a cada momento. Depois ele vai dando as respostas, até o encontro de Soo-mi com a madrasta – quando eu disse “Foda-se, agora sim, esses sul-coreanos são filhos da puta mesmo!”. No final, por um instante a madrasta verdadeira se redime, afinal, nem era ela que aterrorizava as meninas durante todo o filme. Mas a cena das lembranças de Soo-mi (de coloração sépia) dá motivos de sobra para Soo-yeon (que é uma gracinha) assombrá-la ad infinitum.
No meio da sessão, um amigo, que estava mais confuso que eu, revela: -Rapaz, eu vou embora. Por causa do horário e também porque este filme está muito porra loca!
Então, eu digo: -Não, cara, aguenta aí!
O tempo foi passando, e ele quebrando a cabeça, quando solta essa: - Então quer dizer que de três mulheres, só é uma?
Não estava nem próximo da revelação final. Até aquele momento, eu concentrado como estava, só havia pensado nisto: - ...(refletindo profundamente) rapaz, eu não sei...acho que é apenas uma irmã, que imagina a outra!
Pois é, e não é que o cara matou a charada. E olha que ele ia embora.

Cabin fever, de Eli Roth (2002)

Sábado, 9 horas da noite, você adentra a locadora de vídeo mais próxima da sua casa. Os lançamentos, além de não lhe agradarem, são mais caros. Por serem lançamentos? Sim. Por não lhe agradarem? Talvez. Talvez seja uma conspiração, onde a sua raiva é proporcional a grana que você gastou por ter assistido a filmes como “Os Esquecidos”, “O Jogo dos Espirítos”, “Mulher Gato” e por ai vai. O que foi? Gostou destes filmes? Não se preocupe, não sou um crítico cinematográfico de renome, portanto, a minha opinião é só mais uma, você não tem que se importar com ela. Na verdade, nem com a deles. Mulher Gato eu não vi ainda, logo, o comentário anterior foi puro preconceito mesmo.

Onde eu estava? Aí você mergulha nas seções de VHS antigos, quem sabe algum filme que ainda não viu ou que vale a pena ser revisto. Depois de abrir o quarto estojo, constatando que “mofo deu” em todos os filmes escolhidos além da falta de cuidado dos proprietários com aquele acervo, meio decepcionado, você começa a contar os passos em direção à prateleira de DVDs, quase todos lançamentos.

Passa a vista despretensiosamente, afinal, já estivera ali antes. Mais uma vez e seus olhos param na seguinte capa vermelha:

Já conhecia, tinha lido em algum lugar (texto de algum crítico, provavelmente). Estava aguardando a oportunidade de locá-lo para alguma reunião de amigos – é bem mais divertido. Não daria tempo de convocá-los àquela hora da noite. Se você sabia que estaria sozinho em casa naquela noite e mesmo assim levou “Cabin Fever” (com o título em português de “A Cabana do Inferno”)... se arrependerá amargamente de não ter companhia.

Não sei qual o seu caso, mas o meu não foi medo. Considerando que meus amigos nasceram no inicio dos anos 80, eu fiquei deveras triste de não lhes ter proporcionado o prazer de duas horas de bom filme inspirado nos clássicos de terror da década de nossa infância. Depois da saraivada de títulos, com os mesmos enredos e elementos manjados de horror, o diretor, Eli Roth, consegue contar uma história sinistra, impactante e “original”, mexendo com tudo isso, fazendo na verdade uma homenagem aos filmes que assistiu. Senta, que lá vem a história:

Após terminarem a faculdade, 5 cinco amigos resolvem passar uma semana numa cabana, na floresta, numa dessas cidades do interior dos estados unidos onde Jason ou Leather Face se sentiriam em casa. Eles são o casal de namorados Jeff e Marcy, a loirinha Karen, o inconseqüente Bert e o boa praça Paul. Seria um divertido fim de semana daqueles com direito a historinhas de terror ao redor da fogueira regado a marshmallow e marijuana se não aparecesse um cara com uma doença desconhecida que vai deteriorando toda a sua carne rapidamente. Daí, segue a paranóia de ser contaminado e referências a várias filmes, como Evil Dead, O Massacre da Serra Elétrica, O Enigma do Outro Mundo, A Balsa (episódio de Creepshow), além de outros que não devo ter visto. O resto, eu não vou contar mesmo. Bom filme, boa diversão, com direito até a sexo pré-apocalíptico e gente cuspindo sangue até o pulmão dizer chega, trilha bem feita de gelar e reviravolta de reflexão sobre a natureza humana – do que somos capazes de fazer.


Ah sim, tinha esquecido dos vizinhos grunges amigáveis

SPOILER

[A PARTE AZUL DEVE SER LIDA POR DOIS TIPOS DE PESSOAS: 1)OS QUE JÁ VIRAM O FILME 2) OS QUE NÃO VIRAM MAS GOSTAM DE FICAR PUTOS. ENTÃO, NEM PRECISO FALAR QUE ABAIXO TEM COISAS QUE NÃO DEVEM SER DITAS PARA QUEM NÃO VIU. UMA BOA SAÍDA É: ASSISTA E VOLTE PARA LER, OU NÃO]

O termo “Cabin Fever” (Febre da Cabana) aparece no filme O Iluminado de 1980 (Stanley Kubric, baseado no romance de Stephen King). Seria o um estranho mal que toma conta de pessoas em lugares isolados, no caso, vitima o escritor Jack Torrance (Jack Nicholson), que enlouquece, mata um homem e tenta matar sua família. O lugar seria o Hotel Overlook, onde ele passa a temporada para escrever um livro. No início eu achei que o diretor quis fazer um cruzamento: apesar do título ser uma doença psicológica, a febre da cabana, os personagens se deparam com uma doença física e hedionda – acho que baseada na bactéria que come carne (ganhou projeção na mídia em 1994 quando apareceram casos em Gloucertershire, Inglaterra). Mais tarde, eu tive o pensamento de que a transformação de Paul é realmente um dos pontos fortes do filme: o rapaz arrebenta a cara de um, enfia uma chave de fenda no tímpano de outro, trespassa um terceiro com uma lança, deixando o cara fincado no chão e espanca uma garota com uma pá até a morte - sua paixão platônica desde a 8 série. É, a Febre da Cabana realmente existe no filme de Eli Roth. Rider Strong, ator que faz o personagem, depois de inúmeras comédias adolescentes e séries do tipo “Malhação”, não me decepcionou desta vez. Obrigado Rider, eu já tinha perdido a esperança em você.

Historinhas Sinistras - parte 3 (HQ)