sábado, 17 de setembro de 2005

O “Punctum” de Roland Barthes


Ao ler pela primeira vez o livro “A Câmara Clara”, de Roland Barthes, não achei a câmara tão clara assim, talvez um pouco obscura. Numa nova tentativa, percebi por que o livro é referencial para muitos críticos, pesquisadores, estudiosos, ou até mesmo, estudantes universitários fazedores de resenhas para professores que não querem dar aula.
Os mistérios que rodeiam a tênue barreira entre a vida e a morte vêm à tona numa espécie de devaneio do autor sobre a fotografia. Suas impressões sobre o tema são extremamente pessoais e fascinantes. Apresentando uma série de trabalhos de fotógrafos conhecidos, ele vai traçando sua percepção própria sobre as imagens baseando-se, sobretudo, em dois aspectos: o studium e o punctum. O studium seria o “visível”, objeto de análise geral nas fotografias: aspectos que determinam o contexto de época, a cultura; e o punctum seria o “detalhe”, algo instigante que toma a atenção, parecendo sair da foto para tocar o observador. Este, é muito mais apreciado por Barthes.
O autor ainda mostra a questão sentimental como uma das chaves primordiais para o interesse na fotografia. A imagem retratada, seja de parentes ou lugares conhecidos, na maioria das vezes, desperta interesse somente nas pessoas que se identificam com ela. O autor demonstra não se ater tanto a esta regra e tenta elucidar ao longo do livro diversos punctums nem um pouco familiares.
Uma idéia bastante presente na obra é a Morte. Para Barthes, tudo parece vir dela e ir para ela, em se tratando de fotografia. Pode parecer triste, mas não retira a essência que o fez ter necessidade de escrever sobre o tema: o despertar da aventura. O que uma simples foto pode representar é extremamente variável e pessoal. Pode contar uma história, comover ou trazer alegria.
De qualquer forma, a fotografia é singular, ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente, ela é a volta do morto, corta o tempo e o espaço. Ela é pesada e única, enquanto nós somos mutáveis e múltiplos.

Utilizarei registros, diferentes dos encontrados no livro, para uma melhor compreensão do que seria o instigante, que sai da imagem para tocar o observador, ou seja, o punctum de Roland Barthes. Vamos identificá-los nas imagens a seguir:

Punctum 1 - Todos podem perceber de cara que o punctum trata-se do gorro rosa da menina loirinha. Além de parte de seu cabelo também ficar rosa, causando grande impacto na foto.


Punctum 2 - Trata-se da bolsa vermelha ao pé da árvore. Ela está a uma distância não segura (da dona na cadeira), podendo ser facilmente levada por um ladrão.

Punctum 3 - É o relógio da moça. Não dá para ver as horas, e isso definitivamente é muito estranho, dando um ar de mistério à foto.

7 comentários:

Rafael disse...

Cara, acabei de ler o livro a "Câmara clara" e posso te dizer que não existe um punctum em uma foto. O que te chama atenção a ponto de você viajar para mim pode não dizer nada, ou seja: o punctum depende do observador. Não é uma pergunta que só admite uma resposta.

paulo nazareno disse...

Pois é, Rafael, acabastes de explicar a piada :)

M. Bruno disse...

Considerando o PUNCTUN, algo instigante, que toma a atenção do leitor, refaço tua análise:

Na foto 1, o punctum é, sem sombra de dúvida, o cocô do cachorro!

Na foto 2, o punctum é com certeza a camiseta amarela da garota obesa, que contrasta totalmente com os belos corpos das outras duas meninas.

Na foto 3, o punctum são os peitos do rapaz obeso, algo tão grotesco, que nos tira a atenção da bela moça, em primeiro plano, e nos faz reparar apenas no gordo.

Foi muito bom a tua resenha sobre o texto de Barthes, mas a tua análise foi muito, mas muito estranha.

Anónimo disse...

Concordo em tudo com o M. Bruno, só tendo a imaginar que a análise foi uma piada como ela mesma respondeu em posta anterior. Muito bom o texto por sinal.

@paulonaz disse...

sério que depois de todos esses anos neste blog vital tem gente lendo esta sacanagem agora? hahahah. Obrigado pela visita e comentários, galera. Um beijo

Voltem sempre!

Lima disse...

Pesquisando sobre a Câmera Clara, esbarrei em seu blog. Se Barthes tivesse lido seus exemplos, te chamaria para tomar uns drinques e se divertir a beça. O bom humor é sinônimo de inteligência, é o que dizem.

lucas disse...

na verdade eu acho que os punctum são os que ele comentou mesmo - a idéia do punctum é um detalhe que passa: é do indivíduo com a foto - o coco na primeira foto e os demais signos óbvios a serem notados são como a mão do garoto negro na coxa do homem branco numa foto do livro onde ele diz ser justamente o outro garoto, apenas de braços cruzados, o punctum da foto.