sexta-feira, 16 de setembro de 2005

"Um dia ele irá de pagar"

Considerações sobre Blade Runner - filme de Ridley Scott (1982)


Roy Batty


O agente Deckard, o caçador de andróides, é sem dúvida um homem pós-moderno. Inconformado e perdido em seus afazeres de mundo futurista, ele tem que matar "sem querer querendo" os replicantes quando poderia estar curtindo umas férias no Havaí. Num universo onde a tecnologia se mistura com representações antigas, onde a cópia toma o lugar e a essência das coisas reais, a manipulação de códigos genéticos parece atingir o auge. O homem usa de máximo conhecimento e tecnologia para realizar trabalhos arcaicos, de uma maneira interessante - para o duro trabalho nas minas, na colonização de outros planetas, foram criados os "replicantes". Não sei por que os andróides da série Nexus 6 eram tão safos quanto os próprios cientistas que os projetaram, mas em compensação, tinham um tempo de vida curto. É claro que a probabilidade de uma rebelião seria inevitável. Para tentar esconder essa mímica de deus, entra em cena o "Blade Runner", o cara incumbido de aposentar os andróides que fugiram de seu destino de escravo.

Durante o filme, o agente Deckard utiliza um vídeo-fone, come um genuíno macarrão chinês à moda antiga, encontra animais falsos, mata um replicante ali, outro acolá, e acaba encontrando Roy Batty, o personagem mais fascinante do filme. Ele é o líder dos replicantes, um ser angustiado pelas questões existenciais, ele é mais humano que qualquer homem verdadeiro de nossa época. Como se tomado pela loucura de Victor Frankenstein ao perder a mãe, só que com uma infinita calma, ele só queria a fórmula do tempo, mais tempo para viver. E é justamente o tempo que não existe, ou está passando cada vez mais rápido. Nenhum sujeito do filme está mais perdido que Roy Batty, nem Rachael ( que não sabia se era de verdade ou não), ele é a figura viva de que o tempo sempre vence o homem...e o andróide, mais ainda. Após esta aventura, o agente Deckard ficou tão próximo destas maravilhas da engenharia genética que acabou se apaixonando por uma: A Rachael. Na verdade, o diretor do filme só revelou que ela era realmente uma andróide, 20 anos depois. Mas Deckard descobriria isso em quatro anos, quando o Dna sintético de Rachael deixasse de funcionar.

"o pensamento é o escravo da vida,
a vida é o bobo do tempo
e o tempo, que domina todas
as coisas do mundo
um dia, irá de pagar..."


"Vi certas coisas... que sua gente não acreditaria. Naves de ataque ardendo no largo de Orion. Vi raios C, cintilando na escuridão junto ao portão de Tanhäusen. Todos esses momentos vão se perder no tempo. Como lágrimas na chuva. Hora de morrer."
[Roy Batty, data de fabricação 2016. Modelo de combate. Auto-suficiência perfeita]

2 comentários:

André Tsuchiya disse...

A eterna chuva que vemos no filme o torna mais angustiante, o detevive é um ser perdido, deslocado no tempo. Ainda mais sabendo que o grande herói do filme é o líder replicante, um revolucionário, que luta pela liberdade dos seus... deckard é um bosta, um capanga, jogado no meio dessa disputa "social". Acho que ele é a alma à ser salva, os outros estão perdidos, enquanto o indiana jones está pairando no purgatório. É quase uma crítica social, mascarada pelo science fiction.
Abraços meu amigo Joe, se cuida por aí!!!! Quando vamos fazer o nosso filme de terror????

@ericsampaio_ disse...

o nome do filme é esse mesmo?