quinta-feira, 25 de maio de 2006

o gato mestre dos disfarces - 2




Uma canção, "Quem te faz chorar" ( Viridiana).

quarta-feira, 24 de maio de 2006

segunda-feira, 22 de maio de 2006

jornalista mendigo - rebelião




Mais jornalista mendigo: 1 ; 2
Uma canção, "Nuvens" (Garagem 32).

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Violência no cinema




Uma canção, "Beautiful Friday" (Andru Donalds).

domingo, 7 de maio de 2006

maxmilian - o passado bate em seu orkut



Mais Maximilian - max 1; max2

Uma canção, Song to the siren" (Tim Buckley) .

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Bozo Larápio

E aqui vai uma história contada pelo próprio tio Sepúlveda, quadrinizada exclusivamente para este renomado site.




Uma canção, “Chuveiro" (Bozo) .

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Uma saga sangrenta – Parte 2 de 2

Chegamos ao Hemocentro da Cidade. Num guichê, você diz para quem veio doar, ou se veio voluntariamente, ou ainda por pura diversão...porque alguém lhe disse que doar sangue dá barato! Antes do esperado encontro com a agulha, participamos de uma consulta. A médica lhe fará perguntas normais, não precisa ter vergonha, não é nada que a sua mãe não perguntaria: se você recorre aos serviços de prostitutas, se você dá a bunda...essas coisas. Enquanto pergunta ela fura seu dedo para testes de diabetes e tira a sua pressão, é preciso ser uma profissional safa para realizar estas tarefas todas ao mesmo tempo. Eu quase tive os meus planos de doar sangue frustrados por causa do quesito “Hepatite”. Eu tive hepatite há um século atrás, e só lembrava porque eu tomava uma lata de leite condensado inteira nesta época (qual é a relação com a hepatite? Sei lá, pergunte a um médico). Bem, passei, a doença ficara para trás há muito.


Sim, até velhas americanas feias doam sangue!

Enfim, a entrevista termina e apenas mais uma coisa o separa da sala de doação: dois copos de suco artificial de sacarose elevada a enésima potência. É para garantir energia, caso você não tenha ido bem alimentado.

Ver a sala de doação, com suas cadeiras parecendo as de dentistas, o kits individuais com bolsa, mangueirinhas e agulha com capa e tudo...foi como me preparar para um cápsula criogênica que só seria aberta daqui a 30 anos. Isso é que dá ter visto toda a série ALIENS durante a formação do intelecto, se é que há algum.

A empolgação atingia a níveis intergaláticos, parecia que se eu não doasse pelo menos uns dez litros de sangue naquele instante não existiria outra saída a não ser ver TITANIC sucessivamente pelo resto da vida. Eu era praticamente um clone que foi gerado para ter todo o fluido que corre nas veias reaproveitado. Nenhum resquício do menino medroso apareceu, nem mesmo no momento crucial, quando a capa da agulha é retirada e percebo que ela parece uma antena de TV vazada. De qualquer forma, é tarde demais. Você entende porque a capa não é transparente, mantendo em segredo toda a agulha...e sua espessura.

Diante de meus olhos imóveis, ela entra macio como se não fosse sólida. Eu poderia jurar que senti mais o furo no dedo para o teste de diabetes. Desvio o olhar para a mangueira e nenhum sinal dela ficar vermelha. Tudo estaria bem, exceto pelo fato do sangue não fluir...

A enfermeira olha para mim, respira fundo, movimenta a agulha e a enfia mais fundo. Imediatamente, agulha, mangueira e bolsa começam a sua missão, receber meu manjado exemplar de O+, mas nem por isso menos importante. A moça sorri:

- É que a sua veia é profunda...e ela dança.

Além da agradável sensação de ajudar ao próximo, ainda descubro que ao menos uma parte do meu corpo sabe dançar. Nossa, isto está ficando cada vez melhor.

Em mais ou menos 40 minutos, eu deixaria 460 ml de sangue ensacado e infindáveis miligramas de medo para sempre.

Na saída: suco, maçã, sanduíche, sopa e pensamentos para o que me aguarda no futuro: tatuagens com bambu, ritual da suspensão, autofragelação nas Filipinas...

Se tudo der certo e meu exame não acusar “sangue cazuza” daqui a três meses poderei doar novamente. Se você está imaginando que este é o momento em que direi “Sim, doe sangue e salve uma vida!”, engana-se completamente. Não agirei como crentes e drogados, ou drogados que viraram crentes, que sempre querem convencer os outros a entrarem em seu clubinho. Afinal, o sangue é seu e você faz o que quiser com ele. Mas a verdade é que realmente há carência nos bancos de sangue pelo mundo afora. O mesmo não acontece nos bancos de esperma, afinal... punheteiros é que não faltam neste planeta.


Porra, até palhaços doam sangue. Você realmente vai ficar por baixo nesta história?

Meninas boazinhas que pesam mais que uma saca de cimento e você rapaz, que não menstrua, e quer saber como é perder sangue na vida... dirija-se ao HEMOPA – Av. Serzedelo Corrêa, esquina da Caripunas. De 8:00 às 17 horas, de segunda a sexta. Belém-Pa.

Uma canção, “I believe in love" (Nika Costa).

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Uma saga sangrenta – parte 1 de 2

E naqueles dias em que me recuperava da distensão causada pela fórmula: garrafão de 20 litros d’água + sedentarismo + atividade súbita e forçada, eu estaria diante de mais uma artimanha da hipodermia – uma estratégia de eufemismo na medicina, palavra escrita na porta da sala em que você tomará injeções, entrará na agulha, tomará na bunda...literalmente em alguns casos.

Às vezes você deseja fazer coisas na vida, mas sempre vai deixando para depois. Sua vontade em realizar o feito desaparece mais rápido que veio. A falta de motivação e empolgação são um dos principais fatores para isso. Quando se é criança é mais fácil:


- Vamos queimar formigas com embalagens de desodorante derretida?
- Por que?
- Por que é muito divertido!!!
- Vamos!!ÊêêÊhh!


A diversão certamente é interrompida quando uma gota de plástico derretido acerta seu pé, mas você estava empolgado o suficiente 10 minutos atrás com a nova brincadeira!

Definitivamente campanhas não são tão persuasivas ou eficazes. Parece que quanto mais campanhas do tipo “álcool e volante não se misturam” mais aumenta o número de putos causando acidentes completamente embriagados. Ou ainda, as meninas do bairro continuam aparecendo grávidas, quando camisinhas com a tarja “venda proibida” descansam em postos de saúde. Antes que você comece com aquele papo de que isto é um pobrema social e se pergunte “onde é que este gordo quer chegar?”, eu digo: Foi preciso alguém próximo precisar para eu doar sangue. Sim, Dona Antônia, empregada da casa de meus pais (“secretária do lar” para as pessoas frescas que têm raiva de pobre) precisou fazer uma transfusão para que eu lembrasse que uns 5 litros de sangue percorrem meu corpo todo dia, e que posso me desfazer de um pouco dele para ajudar outras pessoas.


Até mesmo grandes líderes mundiais doam sangue

Doar sangue pode ser algo que já faz parte da vida de muitas pessoas, digamos, doadores natos e profissionais, mas para mim seria um grande salto. Primeiro, pela aversão a agulhas. Eu tinha calafrios na simples suspeita da possível chegada da sombra do Fura-Dedo*, agente de saúde. Segundo, por ter veias invisíveis e más experiências com profissionais e suas respectivas injeções.

E naquela tarde estava decidido. Sairia com meu irmão, doador antigo, e não voltaria até ter enchido uma bolsa com meio litro de meu líquido vital e escarlate. A esperada empolgação irradiava por todo meu corpo, nem parecia que foi o mesmo garoto que um dia se trancou no quarto com medo do Fura-Dedo.

* Agente de Saúde no controle da Filariose. Chegava sempre à noite com sua pastinha com lâminas de vidro e agulhas para furar o dedo, o que lhe rendeu o singelo apelido. Figura lendária, que muitas crianças gostariam mesmo que fosse lenda. Jason, Freddy Krugger, Cuca? Tsc, tsc, tsc ...o terror da infância mesmo era o Fura-Dedo.

Uma canção, “Thirty-Three" (Smashing Pumpkins).