sábado, 26 de novembro de 2005

sábado, 5 de novembro de 2005

O Legado DNA: Capítulo 3 - Seu Hélio

Seu Hélio é um pacato cidadão bancário aposentado que não abre mão da conhecida sesta depois do almoço. Não gosta de aglomerações ou exaltações. Um lugarejo de um interior distante, com ventos velozes, igarapé e peixe frito, para ele, é mais do que o reflexo do paraíso. Seus cabelos grisalhos, cada vez mais brancos, só intensificam a serenidade que paira sobre sua cabeça. Não que ele viva livre de preocupações, ainda mais sendo pai de dois dementes disfarçados que caminham entre as pessoas de bem, mas definitivamente ele é um cara calmo.

Além de lugares amenos, meu pai gosta da 7º arte. Hoje em dia ele possui passe livre nas salas de cinema e por alguma influência minha, já se permite assistir a filmes sem cenas de explosões, finais previsíveis, americanos e americanas e outras peças hollywodianas. Graças a ele eu e meu irmão podemos relembrar em minutos toda a filmografia dos “Trapalhões” – levar-nos ao cinema era um dos programas prediletos. Hoje, quando vamos ao cinema, eu só ataco de Park Chan Wook (Old Boy) pra cima, para balancear os anos de mesmice cinematográfica incrustados em nossas almas.

Recentemente descobri outra coisa que tenho em comum com meu pai. Eu possuo uma característica estranha, uma espécie de habilidade latente que sempre se manifesta ao clique de uma máquina fotográfica. Não sabia de onde vinha, até que um dia encontrei várias provas em antigos álbuns de família. Não é proposital, não importa o que aconteça, eu sempre saio fazendo caretas em fotografias, como o meu pai.

Como diz o pequeno urso num antigo desenho do Pica Pau: “Esse é o meu pai!”. Dele eu herdei a minha figura calma e tímida, o gosto por filmes - estendido para todos os estilos - e a habilidade extraordinária de sair em fotos sempre fazendo careta.

Cena do filme "Um filho de seu Hélio" - um passado humilde, um presente mais humilde ainda e um futuro pra lá de humilde.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

A arte de ser pai

Ter um filho deve ser uma experiência indescritível. Não estou falando do processo de engravidar, carregar o peso por nove meses e depois enfrentar o parto, tarefa sem dúvida das mais difíceis e que deixa muita mulheres putas com homens frouxos. É claro que elas nunca levaram um chute no saco, mas enfim, isso não vem ao caso. Estou falando da mudança que isso causa em sua vida.”Depois que minha filha nasceu, nunca mais fui triste”, já ouvi coisas do tipo. Este mês de outubro, dois meninos chegaram a esta terra de furacão, corrupção, gripe aviária e fim do mundo a cada 100 anos: Gabriel, de André Tsuchiya, meu amigo mais japonês e mais distante e mais velho que eu; e João, de Jefferson Alcântara, guitarrista da Garagem 32 e mais novo que eu.

Parabéns pra vocês e para as mamães também: Gisele e Luana.

Enquanto nenhuma mudança tão radical acontece na minha, meus amigos vão assumindo esta tarefa extraordinária de ser pai.

E como diz um conhecido ditado que proferem por estas bandas: “Carreguem as suas cruzes que a minha é feita de tapioca”.
Garagem 32 em: "A Ameaça Fértil"