sexta-feira, 13 de novembro de 2009

os cinco videogames - parte 1/3

O amor e o esforço profissional de meus pais, a minha aura de bom aluno tranqüilo e total inaptidão para esportes coletivos ou individuais foram alguns fatores que legitimaram a presença de um videogame em casa, durante boa parte da mais tenra infância até os cortes acidentais com prestobarba. A moçada juvenil que já nasce achando banais as brutalidades de God of War 3 não sabe que muita coisa rolou até o mercado dos games atingir o patamar de bilhões de dólares – deixou para trás o cinema faz tempo. Numa recente conferência com meu consultor sobre o assunto, Doda Vilhena, ocorreu-me que minha morte como verdadeiro gamer já tem mais de 10 anos.

Pra quem gosta de videogame como eu, nunca ter comprado um console com o dinheiro do próprio bolso até hoje parece algo inaceitável. Nem tanto se eu considerar dois aspectos primordiais: 1) menos de dois anos atrás eu não tinha nem sequer um centavo no bolso; 2) minha história com videogames parece as noites na balada...muita azaração. Abaixo, as cinco picaretagens mágicas que fizeram parte da minha vida, seus momentos de alegria e maldições. Eu ia colocar da ordem do menos pior para o mais maldito, mas deixa estar pelo tempo cronológico, que dá no mesmo...

1) ATARI (DACTAR)

Eu devia ter uns 8 anos quando o Atari (da Dactar) invadiu nossa praia. Daí pra frente, mermão, foram horas a fio de campeonatos familiares em busca de pontos. Sim, pontos, porque no final das contas era isso que contava no Atari. Depois de um pequeno padrão de fases com pequenas variações, voltava tudo ao começo cada vez mais difícil e sem fim... E claro que todos quebraram seus controles jogando Decathlon, jogo de esportes olímpicos que te obrigava a simular um combo de punheta+siririca frenética no joystick – umas quatro partidas e ele já era.

A possibilidade de interagir com quadrados coloridos fascinava os adultos da época, imagina crianças como eu. O atari sempre foi muito mais diversão, o meu nunca pifou e o vendi ainda rodando que era uma beleza. Como tudo nunca mais será o mesmo, jogá-lo (emulado num computador por exemplo) hoje em dia é mais válido como experiência e nostalgia, ou pra qualquer um que se interesse pela história dos games. River Raid, Megamania, Enduro, Pitfall, Seaquest, Frostbite, grandes clássicos, só joguei emprestados. Meu set de cartuchos era meio despintado: Boombang, Condor Attack, Berserk, Frogger e uns pornográficos (X-Man).

O game que eu achava o melhor de todos, nunca tive e não conhecia ninguém próximo que tivesse: H.E.R.O – o criador do jogo estava à frente do seu tempo. O bonequinho voava com uma hélice nas costas, plantava bombas para explodir paredes e ainda soltava laser pelos olhos – o joystick só possuia um botão. Sem contar que Hero já apresentava um sistema de estapas mais desenvolvido – uma prévia do que seria a grande diferença da próxima geração, jogos com fases, missões e final.


"There goes my HERO, watch him as he goes!" (Dave Grohl)


2) TOP GAME (CCE)

Foi aqui que meus problemas começaram. Os 8-bits da Nintendo estouraram em diferentes modelos, cores e compatibilidades. Com o TOP GAME da CCE (Comércio das Coisas Escrotas), eu pelo menos resolvia o problema da incompatibilidade entre cartuchos japoneses, americanos, adaptadores, desfibriladores...um pandemônio só. O treco já vinha com duas entradas (de todos os pinos), aceitando todos os cartuchos do sistema – perceba que isso já era muita bacanagem para a época. Fora os controles originais, cuja placa interna tinha a dureza de um biscoito cream-cracker, o TopGame tinha um futuro promissor no meu lar. Só que num belo dia...

... Ninja, cachorro do quintal, adentrou as dependências humanas e adorou o cheiro tecnológico do aparelho. Não deu outra. Território devidamente marcado e videogame ensopado de urina. Não, você não está entendendo o que é isso. Civilizações ruirão, mortos vivos invadirão o shopping, meninas serão defenestradas... mas nada se compara para um moleque à sensação de ver seu videogame vítima de goldenshower canino. Eu quis matá-lo, mas o perdoei muito antes de ele amanhecer um dia qualquer, falecido por algum mal noturno ninja.

Antes o ataque tivesse destruído o 8-Bits de vez. Eu ficaria sem videogame logo e tentaria mais uma vez me arriscar no mundo dos esportes e interações kid heterossexuais. Mas nããooooo! Depois do incidente, o amaldiçoado resolveu incrivelmente funcionar, mas SEM ÁUDIO. E sim, como viciado que eu era, eu passei boa parte dessa geração como Charles Spencer Chaplin Jr. – jogando videogame sem áudio numa televisão preto e branco – tempos difíceis aqueles. Assim que um técnico conseguiu solucionar a bronca, depois de seis meses de investigação, tratei logo de despachar o artefato a preço módico.

Dentre meu set de cartuchos estavam Tartarugas Ninja 2, Castlevania e Double Dragon 3 – além dos imãos Billy e Jimmy, dessa vez você podia jogar com um ninja e um mestre gordo chinês, viajar pelo mundo descendo a porrada do Japão ao Egito, onde enfrentaria até múmias que só tombavam de vez depois de 23 voadoras. O que mais eu poderia querer na vida?


A presença de um cara de colete é o suficiente para perceber que a festa onde você está é uma roubada! O único lugar em que caras de colete são legais é no Double Dragon” (Loro da Doca).


Nota - A palavra "NINJA" apareceu cinco vezes durante esta postagem. Jiraya deve estar orgulhoso de mim.


TO BE CONTINUED . . .

9 comentários:

doda disse...

bom dia gostaria de saber onde abaixar jogos de atary master sisten e varios outros etc???

paulo nazareno disse...

Rapaz, veio ao lugar certo. Milhões de ROMS(jogos)de todas as gerações de videogames você baixa aqui http://u.nu/95nu3

Nega disse...

ah
sou novinha

super nintendo, beibe :)

Esfinge de Giz disse...

É... sabia. Não são da minha época. hehe

Alessandra disse...

Eu tive um Top Game e ele me fez muito feliz... Bem capaz de ainda estar na minha casa de MocaBeach!
inté
:*

Anderson Araújo disse...

Porra, bicho. O atari passou poucas vezes em minhas mãos, pobre da pedreira que eu era. Mas sempre foi um encantando. Enduro ainda é o único jogo de corrida que eu gosto.


Depois eu descobri as locadoras, onde os moleque com pais lisos como eu poderiam jogar a vontade até criar os calos que eu ainda tenho até hoje. Mas, isso já era uma nova era. A era Supernintedo.

Emocionei com o post.

Só não vou dizer 'gozei litros', como dizem agora, porque vai ficar escroto.

Anónimo disse...

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Grazy disse...

Eu tinha o H.E.R.O!!!! \o/
Era um dos mais legais do atari!!!

paulo nazareno disse...

isso, isso, isso. hoje um amigo meu joga HERO no celular. quem diria. =)

Gracias pela visita, Grazy.