sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

“Pânico na Floresta”, de Rob Schmidt (2003)

Pânico nas floresta sim, por quê? Vai dizer que é escroto? Vai tirar onda, mermão? Eu acredito que cinema seja indústria e também arte. Julgar que neste caso uma é força contrária à outra, e pior ainda, usar de tal argumento para dizer que tal filme é uma bomba não passa de bobagem. Eu consigo, até com grande facilidade, encontrar chorume tanto nos mega blockbusters da temporada quanto naquele filme de autor ímpar, que gera gozo uníssono na crítica especializada. Você pode não acreditar, mas eu não gosto de cinéfilos – ou quem diz ser um. A cinefilia no meu sangue é zero, por isso eu não ofereço resistência para ver qualquer tipo de filme. Contraditório, não? Pra mim faz sentido. O seu trabalho não precisa ser respeitado, mas pelo menos pode ser colocado à prova por alguém sem nada melhor para fazer - ou que não recebe por isso - diria eu a algum cineasta. Resumindo, hoje não estou nem aí para filmes, só preciso de um argumento simples para vê-los: reunião de amigos, desfrutar da companhia de uma moça agradável, esperar a morte chegar ou ainda...encontrar para meu pai algum filme em que apareça Desmond Harrington.

Todo fim de semana surge uma nova série que vai dar o que falar. Papai e eu resolvemos escolher alguma (mas SÓ UMA) para dar uma olhada, depois que cansamos de destacar vários adesivos de “otário” de nossas testas, vendo LOST, uma nova ciência (Oh, Shit!). Foi então que peguei o primeiro capítulo do serial killer de cereais killers. Provavelmente nós acabaríamos acompanhando a primeira porcaria que caísse em minhas mãos, sorte então Dexter ser uma série das boas mesmo. Lá temos Quinn (Desmond Harrington), um tira meio “não sei cualé a desse cara ainda”. Às vezes ele é boa praça , às vezes dá uns fora de bad cop, enfim, só lembrava deste ator de “Navio Fantasma” – única parte que presta é o videoclipe que explica o que aconteceu no navio. E foi assim que chegamos à "Wrong Turn", que pegou o caminho errado virando Pânico na Floresta por aqui.

O que eu posso dizer é que este filme independente, que custou 10 milhões de dólares, é diversão garantida tanto quanto Avatar, de 400 - ainda não vi este. Deve ser um remake não oficial de uns dez filmes do gênero "jovens perdidos ameaçados por loucos no interior dos EUA". A única novidade é que neste não tem nenhum gordo, só moças esbeltas e magrelícias. Harrington vai sofrer um acidente de carro no meio de uma floresta desconhecida, onde não tem sinal de telefone, junto com rapazes e moças que servirão de alimento para uma família de canibais deformados. Achei bem competente em alguns momentos de tensão e os ângulos escolhidos impedem que algumas cenas sejam ordinárias. Fora isso, o de sempre: quem leva boquete morre, pessoas saem ilesas de cenas em que até o Rambo se machucaria, a polícia nunca fez nenhuma busca no local mesmo com os canibais matando uma penca de turistas por ano... e quem faz boquete morre também.

Um amigo que é professor de uma faculdade particular disse uma vez algo que me espantou. Os alunos dele (universitários, o que é pior) têm um grande problema em entrar em contato com coisas velhas. Outro dia ele passou pra moçada “Um Sonho de Liberdade”(1994) e neguinho reclamou que era uma merda, por ser filme velho e coisa e tal. Então, digamos que Pânico na Floresta é o filme que você deve passar para essa galera que tem resistência a ver filmes idosos de terror como Amargo Pesadelo, Quadrilha de Sádicos, O Massacre da Serra Elétrica. É isso. Ou seja, sem utilidade alguma...já que esses moleques cretinos deveriam continuar vendo High School Musical mesmo.


"Galera, tenho uma boa e uma má notícia. A má é que este filme terá continuações incomensuravelmente desnecessárias; a boa é que nós só aparecemos no primeiro"

3 comentários:

H. Ribeiro disse...

Cadê o aviso de spoiler, criatura? :*

paulo nazareno disse...

Não tem spoiler. Hum, mas como vocês acreditam nas coisas que escrevo...vou alterar o texto. hahaha. Aquele abraço.

@ericsampaio_ disse...

quem leva boquete morre

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Tô fudido