quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Gran Torino", de Clint Eastwood (2008)

Um amigo achou excelente o filme “A Troca” e ficou disposto a ver todas as cenas que Clint Eastwood já dirigiu na vida. Na minha ignorância de lembrar vagamente de Clint como Dirty Harry e Bronco Billy, imaginei que dirigir filmes para ele fosse algo mais contemporâneo, de "Os Imperdoáveis" para cá. O que eu não sabia, e Eric talvez não saiba, é que o velho vem dirigindo filmes desde 1971. O que dá uma porrada de horas/filme para nossas retinas!

Interessado em saber qual a magia deste senhor, que consegue fazer um filme bom (senão forem, são acima da média) por ano (quando não, dois), e sem ter realmente nenhuma opção feminina para fazer algo melhor, resolvi ver “Gran Torino”... e descobri duas coisas:1) Gran Torino é um carro antigo produzido pela Ford entre 1968 e 1976; 2) Ninguém pode ser tão fodão aos 80 anos.



O filme é a história de um velho xenófobo e rabugento que fica amigo de um maldito amarelo!(Rá) Walt Kowalski (Eastwood) é o condecorado veterano de Guerra (a da Coréia) que acaba de perder a esposa, tem filhos interessados em colocá-lo num asilo e mora sozinho cercado de imigrantes da faixa pobre asiática por todos os lados. Ele é completamente amargurado pelas escrotices que cometeu no passado e a pouca diversão que lhe resta é xingar o barbeiro italiano, dar um trato no seu possante – o do título – e tomar uma birita na varanda com sua cadela Daisy.

Os vizinhos da esquerda são uma família de hmongsorientais que adoram dar presentes. O velhaco os odeia. Aliás, ele odeia muita coisa, dos discursos do Pe. Fábio de Melo à moda e os novos costumes dos juvenis – ou seja, um sério candidato a herói da terceira idade. O fato é que o garoto vizinho Thao é assediado pelo primo a entrar em sua gang, yeah! E você não faz idéia de quanto esses caras enchem o saco. Após um ritual de iniciação frustrado, em que Thao fracassa ao tentar roubar o Gran Torino e um barraco que é armado na casa dos hmongs, Kowalski afronta a tal gang armado de seu fuzil velho de guerra. Daí você já deve ter idéia do que acontece quando Clint Eastwood bate de frente com gangs...vai dar merda!

Envergonhados por Thao ter tentando roubar-lhe o carro, os vizinhos deixam o garoto a sua mercê como trabalhador voluntário. Daí segue Clint se aproximando cada vez mais do moleque, dando conselhos e fortalecendo vínculos que parecem dar início a uma bela amizade. Palavras de como lidar com pessoas, garotas, trabalho, etc.


A meu ver, o bom é que Walt Kowalski é um velho rabugento, mas não se acha um exemplo de vida. Porque sabemos que pessoas que se acham um exemplo de vida são um chute no meu saco com os dois pés.

"Gran Torino" é um belo filme sobre amizade. É um drama, mas não peca como as matérias jornalísticas da Rede Globo, que tentam te fazer chorar a qualquer custo. É por vezes engraçado até. E o final acaba sendo mais realista e não usual, afinal, como disse no início...nenhum senhor muito idoso pode ser tão fodão como era antigamente. O que é válido para o personagem, não para o ator/diretor. Este sim, acho um sujeito mais fodão hoje aos 80 anos.

3 comentários:

Alexandre Brito disse...

O cara se garante mesmo. Gosto desse filme. Era pra teres falado logo o final porra!

Nega disse...

olá.

acho que vou averiguar.

tchau.

paulo nazareno disse...

hahah, palhaço carequinha de Picos - PI. Rapaz, é porque já viste. Pensei nisso também, hehe. Abraço, obrigado pela visita.