quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"A Origem" (Inception) 2010, de Christopher Nolan

Após ouvir muitas rasgações de seda e babações de ovo, reuni os amigos e fomos lá conferir Inception, que eu chamo de um filme de assalto a banco de Christopher Nolan... se com 5 minutos de assalto todos os bandidos morrem e aparece o Coringa, imagine o que ele faria num filme inteiro? Deita, tira um chochilo que lá vem a história.


Leonardo Dicaprio especializou-se em roubar segredos (idéias) dos outros da maneira mais fácil que poderia pensar: dormindo. Isso mesmo, senhas de sites pornôs, escalação da seleção, receitas de culinária, tudo pode ser surrupiado mais facilmente quando as pessoas estão sonhando. Como sempre tem alguém querendo se dar bem, desenvolveu-se todo um mercado em torno disso: mercenários dos sonhos, exploradores do subconsciente, criadores engenhosos e empresas para pagar altas somas pelas informações que eles conseguem extrair.

Mas de acordo com os estudiosos que acabei de inventar, mais difícil que roubar uma idéia, seria inserir uma idéia na cachola de uma pessoa dentro de um sonho. É como se no passado você invadisse um sonho do George Lucas com umas lanternas de lâmpadas verdes do Paraguai e simulasse uma luta com os feixes de luz. Manjou? Essa idéia cresceria e o faria milionário alguns anos depois, com todo um universo que lhe renderia grana para algumas vidas. O problema é que para se inserir uma idéia com eficácia é preciso atingir um nível mais profundo de sonho: estar num sonho, dentro de um sonho, dentro de um outro sonho – e isso, de acordo com os especialistas, é deveras perigoso por diversos fatores.

É justamente essa missão que Leonardo aceita e monta sua equipe de RPG bem definida: o promoter, o falsificador, o arquiteto, o químico e o cara de gel no cabelo que parece o Heath Ledger – o time dos sonhos de qualquer assaltante. Como se não bastassem os perigos a que estará sujeito em sonhos alheios, ele ainda tem que aturar a esposa, Juliana Paes, que adora ter discussões de relacionamento e tocar o terror no seu subconsciente.

A grande sacada e dinâmica do roteiro é justamente variar entre os planos de sonho. De outra forma, só veríamos os atores dormindo pra caramba! Meu amigo que dormiu durante o filme entendeu a trama melhor que todos nós! (RÁ). Também acho que, apesar do filme explicar por que o arquiteto não poderia aloprar e dar uma de Salvador Dali no mundo dos sonhos, eu esperava (gostaria) que tivesse mais pirações, afinal de contas...é sonho!

Nolan é um desses nomes da atualidade que me faz lembrar da época em que eu acreditava que determinado diretor vinculado a um filme era sinal de que viria coisa boa pela frente. Eu deixo você gastar essa grana no ingresso com louvor.


Dorgas, MaNolan!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

“Triângulo do Medo” (Triangle) 2009, de Christopher Smith.

Esses títulos em português são broxantes, diga lá?! Pessoalmente eu não sei se faria melhor com os nomes curtos dos filmes do Christopher Smith, como Severance (2006) e Creep (2004), que viraram respectivamente “Mutilados” e “Plataforma do Medo” por aqui, aliás um bom filme de terror a moda antiga. E por falar em medo, ficaram com tanto que Triangle teve o mesmo destino. Pra você que gosta de universos paralelos, fendas temporais e porraloquices no café da manhã, é a melhor pedida nesses tempos de títulos ruins para filmes realmente ruins.



A verdade é que não dá para falar pouco desse filme sem entregar algo. O que posso adiantar é que uma loira deprimida e mãe de um filho autista procura consolo em seu amigo, que mora num veleiro, no dia em que ele está saindo com outros amigos para se divertir e arejar as idéias. Há um certo desconforto entre todos porque a mulher chega meio estranha ao porto...e um casal leva uma amiga para ser um possível interesse romântico do morador do barco. Rápido teremos três casais a bordo e a possibilidade de muito sacanagem pela frente!

O swing em alto mar fica mais remoto quando uma súbita tempestade deixa todos à deriva! Quando procuram abrigo no único navio que passava por ali e o primeiro dos amigos aparecer ensangüentado tentado matar um outro, você vai perceber que está anulada qualquer tentativa de putaria - isso era uma coisa que passou apenas em sua cabeça desde o início, seu tarado!

Se você está se perdendo em adaptações de livros, HQ’s ou no oceano de remakes vagabundos de filmes de terror, vá atrás desse filme agora. Vai ser ótimo para dar uma respirada, e achar que ainda existem pessoas escrevendo histórias originais diretamente para o cinema. A parte engraçada é que alguns consideram Triangle um plágio do filme espanhol “Los Cronocrímenes” (2007) de Nacho Vigalondo. Na dúvida de qual assistir primeiro - apesar de ficar interessado em ver qualquer filme cujo diretor se chame "Nacho" - dei um desconto pra Chistopher Smith e seus bons filmes anteriores. Melissa George de shortinho não tem nada a ver com isso.


Vendo agora por esse ângulo...ter ficado à deriva até que não era uma má idéia!



SPOILER: Um aviso de Spoiler quer dizer que você deve continuar lendo apenas se já viu o filme, ou ainda, se você não viu mas gosta que lhe contem o final e outros detalhes, essas coisas que deixam as pessoas normais putas, sabe?

Se você entendeu o filme, meus parabéns, porque eu não entendi. Mas penso que ela viva o drama do personagem mitológico mencionado no filme (creio que seja Sísifo, e não Aeolos, sei lá). Reviver aquilo para sempre repetidas vezes é o castigo por ela ter sido uma pessoa ruim (descer o cacete no moleque é um indício), é a pedra que ela rola com esforço até o topo da montanha apenas para vê-la rolar novamente até o início. Li em algum lugar que quando ela adormece no barco, esquece de tudo (inclusive do filho morto e da motivação para voltar ao cruzeiro), o que permite continuar o ciclo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"Legião do Mal" (La Horde) 2009, de Yannick Dahan & Benjamin Rocher

“Mas como foi esse teu critério pra querer ver o filme, tu escreveste no google 'filme escroto de zumbi', é?”. As palavras de Andy Caramujo ao término da sessão fazem bastante sentido, mas até que dá para rir e se divertir com "La Horde", filme em que os franceses apresentam seus mortos-vivos. Vê-lo dublado só acrescentou mais gargalhadas (o que recomendo com louvor).


O negócio começa dando a maior pinta de que vai ser um puta filme de ação-policial e coisa e tal: Após ter um de seus amigos fazendo cosplay de Tim Lopes, 4 policiais resolvem tomar de assalto um prédio semi-abandonado para se vingar dos assassinos / traficantes. Quando as coisas começam a dar muito errado para os tiras, do tipo que se diz “putz, não tem como piorar!”, a cota dos apocalypses zumbis chega àquelas bandas francesas. O que se espera é que policiais e bandidos unam forças para não virar ração, sem informações do que está acontecendo lá fora (sanova?!) e sem fazer idéia do quê eles estão enfrentando (porra, atira na cabeça!).

O elenco é de matar (RÁ): destaque para o líder dos traficantes, um nigeriano cheio de aforismos e lições de moral e o velho doidivanas contador de zumbis abatidos. Isole aquele momento de tensão (que sempre tem neste gênero) em que os sobreviventes começam a brigar uns contra os outros e estenda para um filme inteiro. É mais ou menos isso que acontece em La Horde. Por mais que esteja todo mundo no mesmo barco, há um clima de DR no ar o tempo todo entre polícia e bandidos, polícia e polícia e bandidos e bandidos.

Apesar de bem caracterizados, muitos zumbis parecem apenas loucos gritando com suco de groselha na cara e apenas um (o com um saco na cabeça) têm dentes serrilhados! Se alguém souber me explicar que porra foi essa, agradeço. Quase todos cheiraram um bagulho frenético e não param por nada, nem sob fortes impactos. Corredor Polonês é carinho para eles! A edição só ajuda a dar um ritmo cômico aos ataques, parece que a imagem fica em fast foward por alguns segundos.

Tudo bem que não explicar nada sobre a origem da epidemia já vem de berço lá dos filmes do George Romero, mas de todos os filmes de zumbi, La Horde ganha neste quesito de lavada. E não se sai melhor explicando pra onde vai: creio que foi o pior desfecho deste tipo de filme que já vi. Enfim, um filme válido para quem gosta de morto-vivos, tranqueiras em geral ou tem resistência em ver um filme só porque é francês!

Nota: A dublagem brasileira é um espetáculo à parte. Destaque para o trecho em que o líder dos fora da lei mata um zumbi com as próprias mãos gritando: AQUI É NIGERIANO, AQUI É NIGERIANO! ... vai ecoar na minha mente por anos.


Cena revolucionária em filmes de zumbi: Um gordo de bigode e camiseta regata!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

michael bolton

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

genial

Estou gostando desta mania de desenhar idéias aleatórias (sem rascunho) direto com equipamentos e pedaços de papéis aleatórios.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

bons livros


quarta-feira, 21 de julho de 2010

microfilme