segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Anjos e Demônios", de Ron Howard (2009)

A tecnologia criou facilidades impressionantes para o consumo de produtos de massa, e não estou falando do microondas para você esquentar aquela lasanha de ontem. O boom do videocassete trouxe uma mudança drástica para toda a sociedade criada à Sessão da Tarde e Supercine. Agora poderíamos ver o que quiséssemos e quando quiséssemos, de “La Nave Vá” a “Buttman em Budapeste”. Prestes a também entrar para o saco das tecnologias obsoletas, e já o é em alguns países, o DVD chega ao bojo das grandes massas populares numa mistura explosiva de redenção e frenesi: aparelho de dvd (tem por menos de 200 reais)+ televisão 29’’ (já tem por 300 reais)+ dvd pirata (2 por cinco reais). Trazendo esta fórmula para um contexto local, fica algo assim: aparelho de dvd + televisão de 29” + dvd pirata + cidade com grade de cinema escrota e sem opções (ex: Belém –PA). Sem falar que as pessoas continuam enchendo o saco dentro do cinema, fator que, se já não entrou, deveria entrar na estatística do aumento das vendas de home theaters.

Outra cota importante das facilidades tecnológicas fica com os inúmeros formatos de vídeo que pipocaram na internet, onde é possível encontrar praticamente tudo que se possa imaginar. E sobre as rédeas da lei, você pode ficar com uma obra no hd durante 24 hs, sem ter a original dela. Tempo mais do que suficiente para ver aquele filminho da temporada e mandá-lo para o limbo com shift+del. Resumindo, hoje em dia, não consigo encontrar outro motivo realmente mais importante para ir ao cinema além do “ficar com uma gostosa no escuro”. E foi assim que eu vi "Anjus e Demonho", ultima versão cinematográfica das paródias eclesiásticas de Dan Brown.




Segundo o meu amigo historiador, Lôro da Doca, os Illuminati eram os cabôcos mais esclarecidos nos lances da ciência, misticismo e especulações gratuitas sobre conspiração em geral. Eles desafiavam sobretudo a Igreja Católica, que consideravam monopolizadora do conhecimento e espalhadora de mentiras, mais ou menos como as agências de notícias da atualidade. Durante o tempo, inúmeras facções que iam de encontro à pregação da igreja se auto-intitularam iluminati (os iluminados): uma parte underground da maçonaria, os rosacruzes, os alambrados da Espanha, os illuminatis da bavária e as bichas purpurinadas de sábado à noite. Enfim, um termo que é bem antigo, mas que você vai ouvir falar muito só agora, graças a esse filme.


Putz...entrei na sala com a história já rodando. Então, entendi que os Illuminatis resolveram se vingar das perseguições assassinas da Igreja contra cientistas e outros manos criadores de teorias que faziam algum sentido. Escolhem a conclave, período em que o alto clero decide quem será o novo papa, e seqüestram os quatro preferiti (os mais pops e cotados para o cargo). Afirmam que vão matar um padre por hora, a partir das oito da noite. Como se não bastasse, exatamente à meia noite, explodirão o Vaticano inteiro com um dispositivo tecnológico liberador de energia que roubaram de alguma das histórias da Marvel Comics. Não satisfeitos ainda, marcarão como gado cada padre com um dos símbolos elementos da natureza antes de tudo isso, porque são fãs do Capitão Planeta. Como são Illuminatches, resolvem fazer cada passo seguindo um ritual, em locais específicos com simbologias histórico-culturais representativas para a sua ordem...para dar a oportunidade de Robert Long-Dong, único cara do filme que freqüentava bibliotecas na infância, desvende os lugares dos crimes e acabe com esta sacanagem toda.

No jogo de RPG "Illuminati, a Nova Ordem Mundial", há cartas sinistras com visual coincidência aos ataques de 11 de setembro de 2001 - das torres gêmeas e pentágono. O jogo foi lançado por Steve Jackson em 1995.

Achei o filme melhor que o “Código Da Vinci”, o que não é nenhuma dificuldade. Tem mais cenas de ação e tensão, frisando que Langdon e Vetra (a personagem mulher que não vai dar pra ele neste filme) sempre descobrem o local da próxima execução faltando dois minutos para a mesma, abrindo mais vagas na turma de seminário deste ano. Talvez por eu ter visto alguns macetes, enquadramentos e intenções de filmes de mistérios no passado... eu tenha matado a charada deste ainda não próximo do desfecho. Ou pode ser que esses diretores ainda não aprenderam a enganar o telespectador durante o tempo que achar necessário.

No mundo de hoje, se você pensa que execução de membros da igreja católica e terrorismo contra o Vaticano, são as únicas práticas illuminati, está luminosamente enganado. Há outras tão legais quanto espalhadas pela internet, como: uso de ambigramas (palavra escrita de forma desenhada e estilística para representar idéias dúbias, contrárias ou a mesma coisa, quando escrita de trás para frente ou de ponta cabeça. Entendeu? Nem eu); mensagens subliminares (identificação de símbolos e picaretagens sem propósito escondidas em coisas completamente banais e que secretamente te influenciará de forma marcante nos acontecimentos da vida desde então. Entendeu? Nem eu) e fist fucking (Essa eu entendi, mas não vou explicar não).

Um ambigrama encontrado numa embalagem de iogurte, a bebida preferida dos Illuminati.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Lenda de Josefina

O ano era 2002. Mais de dez anos depois do meu primeiro contato com a série "Visagens e Assombrações de Belém”, de Walcyr Monteiro. Foi por volta de 1972 que o escritor começou a rechear o jornal “A Província do Pará” com causos sinistros que faziam parte do repertório dos contadores de história da nossa região. Eram as misteriosas narrativas populares – que vão desde homúnculos salteadores da madrugada a idosas que se transformam em leitoas. Uma pauta fantástica de discussão entre amigos e vizinhos, muito antes dos papos sobre big brother, programas dominicais, novelas e interjeições supimpas estrangeiras detonadas à força.
dogfall
"ARÊ BABA!!"
Mais uma vez sem fazer nada de últil para sociedade no curso de Jornalismo da UFPA (o que não era difícil de acontecer), nossa equipe doidivanas aproveitou a disciplina de “Comunicação Popular” para resgatar uma das mais antigas e, senão, a mais conhecida lenda urbana de Belém –PA, “A Moça do Táxi” – eternizada na obra de Monteiro. Façanha atribuída a Josefina Conte, a moça do táxi é tão foda que começou a assombrar quando eles ainda nem existiam. Dizem que ela antigamente pegava o último ônibus da noite, “o cristo”, rodava bastante e desaparecia defronte ao cemitério Santa Izabel. Mais tarde ela começou a entrar nos “carros de praça” e finalmente, anos depois, nos táxis...em que ela descia no cemitério e falava pro motorista pegar a grana da corrida num endereço da família dela. Sem ter escolha, o taxista vai ao local para [OOH MEU DEUS] descobrir que a pequena já batera as botas há muito. Ora, vamos, deve ter uma lenda parecida em sua cidade.

A moça do táxi já foi transformada em vídeo (acho que mais de uma vez) por equipes com mais dinheiro e seriedade – o que não é o nosso caso. Foi assim que nasceu o filme “A Lenda de Josefina”, criado exclusivamente como trabalho acadêmico e que tomou proporções inacreditáveis. O misto de ficção e entrevista (com o próprio Walcyr Monteiro) mostra a “nossa” versão da lenda dessa garota que adora uma bandeira dois. Depois de exibições privadas, acadêmicas e públicas – TV CULTURA local – a Lenda de Josefina chega ao YouTube para a felicidade geral dos fãs e pra acabar com qualquer reputação de seus criadores, hoje jornalistas, cartunistas e funcionários públicos de sucesso.

"A Lenda de Josefina" (a versão está cortada, sem créditos, para caber num vídeo só)
Elenco: Jéssica Martineli, Walber Neves e Paulo Nazareno.
Direção, roteiro e produção: Atores + Anderson Araújo, Lucas Damasceno e Flávio D'Oliveira.
Edição: Thiago Conceição
Participação + que especial: Walcyr Monteiro



domingo, 3 de maio de 2009

night before

porque as noites com meus amigos são assim...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

“REC”, de Jaume Balagueró e Paco Plaza [2007, Espanha]

Há dois tipos de filme que eu faço questão de ver no cinema: filme de zumbi e de personagem cameraman. Suspeitando que o terror espanhol, REC, unia as duas coisas, lá estava eu acomodado na poltrona da sala escura em menos de 24 hs da descoberta de sua existência – fora o fato de que, com exceção de animações, comédias românticas ou super-heróis... qualquer filme pode desaparecer repentinamente da programação na minha cidade (Belém –PA). Que o filme ganhou vários prêmios em festivais diferentes, tem atores bons pra caramba e que Balagueró espalhou que apenas um ator no set sabia o que ia acontecendo durante a história – para que todos os outros ficassem com mal de parkinson – isso também inclui eu e você...só fui descobrir depois. Agora senta, deixa o caminhão dos bombeiros ir sozinho para a ocorrência, que lá vem a história.



“Enquanto você dorme” é um programa de TV que rola nas madrugadas de Barcelona. Consiste numa repórter e um cameraman acompanhando trabalho noturno e de alto risco: rondas policiais, chamadas para o corpo de bombeiros, o trabalho de garotas de programa e vendedores de completo (salgado+suco). Nesta noite a equipe (Angela e Pablo) visitam o quartel dos bombeiros para registrar as possíveis ocorrências. O início do filme pareceu bem familiar para mim, porque meu irmão é bombeiro também. Nos plantões, quando não estão se chamuscando no meio do fogo, capturando jacarés que cresceram demais debaixo das palafitas, pessoas que surtaram e querem matar toda a família, eles tentam relaxar à base de playstation e filmes das brasileirinhas. Ou jogam basquete, como no filme. Neste ponto também é apresentado os dois bombeiros que irão se meter numa encrenca daquelas junto com nossos heróis da TV - Manu e Alex. Para a felicidade geral dos telespectadores, a sineta toca e todos terão trabalho a fazer naquela noite.


A atriz é perfeita, bonita e chata pra porra, pré requisitos para as apresentadoras desses programas e estudantes de comunicação. Saudades dos tempos de universidade.

O chamado vem de um pequeno prédio – dois policiais já estão no local e os moradores se reúnem no hall de entrada. Ao que tudo indica, uma senhora de um andar de cima começou a rasgar dinheiro e a praticar coprofagia...assustando todo mudo. Ah, ela gritava também. Então os puliça, os bombero e a equipe sobem para ajudá-la. Eles não fariam isso se soubessem que a velha iria tirar um bife de um dos tiras com uma mordida e que o prédio seria isolado por uma força tarefa da polícia, vigilância sanitária e comando especial contra ameaças radioativas e biológicas. O problema é que nenhum dos personagens trancafiados à força no prédio assistiram a Extermínio ou ouviram falar em George Romero – isso até que é bom, porque ninguém sabe que a situação vai ficar muito pior do que já está. Evitando spoilers e indo ao que interessa, REC é um filme du caralho! Eu estendo os dois polegares e afirmo sem medo de ser feliz que é a obra prima do terror da câmera de mão dessa semana – o primeiro que vi que apresenta um bom motivo para alguém continuar filmando tudo enquanto tentam lhe esquartejar. E se esse papo de zumbi já encheu o saco pra você, dê um desconto e espere pelo tenebroso final, agonia extrema – ao rapaz que pensa em levar a namorada à sessão, levar uma almofada para ela cravar as unhas, se quiser manter o braço intacto. Recomendo REC no cinema (putz, já deve ter saído de cartaz, demorei a escrever isso aqui)...assim como em Cloverfield, perde parte da intenção se visto em outro meio. A única coisa que você não pode fazer de jeito nenhum é assistir ao "Quarentena" (2008), remake americano...antes do original. Porque aí, fudeu tudo...



" - Ali está a velhinha!

- Beleza, vou lá fora comprar um cigarro e já volto."


Como eu paguei pra ver Cloverfield e a Bruxa de Bléh, por que eu não posso dar dinheiro para os espanhóis também? É injusto dizer que estes filmes de handcam não fazem parte dos processos de reinvenção da sétima arte. Além do mais, alguém poderia acertar a mão dessa vez. É exatamente isso que acontece em REC! No melhor estilo “ame-o ou amaldiçoe quem disse que era bom” , o filme é simplesmente FODA demais pela sua intenção – o medo. É possível contar nos dedos os verdadeiros filmes de terror do breve século 21, e este sem dúvida é um deles.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

“Queridos Zamigus”

"Um fruto em formato de granada que é uma explosão de sabor amanteigado".


### por Bruce Leroy ### Eu...eu sou o único mestre!

Quem não tinha nada demais pra fazer de dez e meia às onze e meia da noite agora tem. Você, meu amigo, minha amiga, que chega do trabalho cansado querendo mandar seu parceiro ou sua parceira para casa do carvalho, com uma dor de cabeça de rachar, as costas tilintando depois de um dia inteiro sentado com a coluna torta diante do computador não pode mais reclamar. A Vênus Platinada, a TV Grobio, sempre tão generosa conosco, estreiou esta semana um programa bem legal "cheio de confusões do barulho com uma turminha muito louca" – e não se trata de um filme inédito na Sessão da Tarde. Chegamos ao ápice da moda oitentista dos infernos, que está tomando o show busines, comportamentos, roupas, o mercado de brinquedos, do cinema e festinhas. É nada mais nada menos do que a nova série brasileira "Queridos Amigos". Veja com todo gosto de olhos bem abertos e um copo de Quik na mão. E digo mais: muito melhor do que assistir ao Zorra Total, se você não tem duzentas pilas mensais para pagar a Sky.

Senta pega todos os vinis da Elis Regina, do Clube da Esquina, do Legião e outras peças de museu que lá vem a história.


Marcelo Camelo e Tom Hanks: 120% de sensibilidade no teleseriado.

O fofo do Tom Hanks (sim ele é fofo), teve um sonho ruim. Sonhou com a própria morte e com medinho resolveu reunir toda galera que fumava maconha, reclamava da Ditadura e promovia divertidas surubas no começo da década de 80. Ah, o sonho é legal: ele está num carro e, de repente, despenca de uma ponte muito alta, caindo no rio. Lá em baixo vê todos os seus miguxos dentro d'água acenando. Seria mais legal se a série terminasse aí. Mas a vida...a vida é uma caixinha de surpresas.

Quando acabou o primeiro capítulo, meu irmão e eu nos olhamos ternamente, como manda toda atmosfera da série, e nos espocamos de tanto rir. Chegamos a uma conclusão sobre "Queridozamigus", embalados pela nova atualização do famoso jogo The Sims para PS2, versão
"Náufrago". A série pode ser comparada à descrição de um “abacate” no game: "um fruto em formato de granada que é uma explosão de sabor amanteigado". Hum... você não gosta de jogos eletrônicos? Você não entendeu, né? Achou a frase sem sentido, meio rídicula, passível de avacalhação geral, irrestrita e gratuita? Pois é. A série é isso mesmo. Sem tirar nem por.

Lembra daquela novela em que o nosso Hanks tupiniquim metia a porrada na Helena Ranaldi ? Nem sinal daquele cara de tão bons modos. Agora ele é o Léo... um sujeito tão sensível que se alguém diz bom dia com mais força ele desaba no choro. As lágrimas do rapaz estão prestes a cair a qualquer momento. Ele é um emo perdido no tempo. Tão bonzinho, tão afetuoso. Como eram legais os caras do final da década de 80! Uma das frases marcantes do personagem no início da série: [modo Leão Lobo on] "Ai, eu tenho uma saudade absurda da gente!!! [modo Leão Lobo off].

Temos ainda a nossa grande atriz do "Retrato falhado", do Fantásdigo. Aquela moça que eu nunca lembro o nome e tem uma voz tão bonita quanto a cara. Sim, isso mermo, a Denise Praga. Ela é a adorável ex-militante-comunista-torturada-nos-porões-da-ditadura-que-virou-budista. Bia é legal. Está fodida, desempregada faz um tempão, com uma cara de velha da porra, o cabelo ruim e sustentada pela Fernanda Montenegro. Ainda assim abraça árvores e acredita que sua Lua vai entrar em Saturno, numa conjunção com Marte, associada a Plutão, na esquina com Júpiter, e assim tudo mudará, porque a década de 90 está quase começando e as coisas não podem piorar, afinal de contas. Não sei não, mas, se eu seguisse os ensinamentos de Buda ou estudasse Astrologia Hermética ia ficar muito puto com a Maria Adelaide Amaral. A autora da série criou uma personagem muito ZEN... zen graça, zen noção, zen senso de rídiculo nenhum. Frase marcante dela no primeiro capítulo: [modo Tonho da Lua on] "aaaaaaaaaaaaaaaaaai, a natureza tem vidaaaaaaa, Léééééo!" [modo Tonho da Lua off].


É sorte atores contarem com a ajuda de um monstro sagrado para ajudar a desenvolver seus personagens


Outro personagem legalzão é o mendigo do pânico, vulgo Pedro, interpretado pelo Bruno Garcia. Sim, o cara é fodão. Seus livros venderam no mundo todo e estavam no topo da lista dos mais vendidos da Veja 7.895 meses seguidos, mas sua amada mór-réu, aí degringolou tudo, rapaz. A vida do cara virou uma cagada. Ele "comeu" até o apartamento, bebeu que nem o Jeremias caba-homi e agora escreve umas matérias pra revista "SEXUS" (como os autores são criativos!), uma publicação destinada a adoradores de Onã, popularmente conhecidas como revista de mulher pelada. O cara está um trapo que só ele, todo mendigão, dá uma peeeena.

Próximo de Pedro tem o Ivan, feito pelo carinha que fez o Dráuzio Careca no Carandiru. Ele também foi um grande jornalista no passado, mas, também acabou fodido editando a revista Sexus, coitado. Os caras são amigões. Vou citar um negócio que eles conversaram pra vocês sentirem a profundidade da amizade. Lá vai:

Pedro: Mas, o que foi que aconteceu com a gente?

Ivan: (mais ou menos assim) Foi a vida que nos transformou nisso. As frustrações, as decepções, as TRAPALHADAS DOS PLANOS ECONÔMICOS DO PAÍS....

Se eu pergunto pra um amigo o motivo de ele ser um maldito miserável fracassado dos infernos e ele me dá uma resposta dessa, no mínimo, eu dou-lhe um hadouken no meio da cara, seguido de um shourihouken. Ah, que mané governo porra nenhuma, rapá!

No supracitado periódico (tô pegando o espírito da época com essas expressões), também trabalha o Tito, o Matheus Nastergailhe (foda-se pra grafia certa). Ele é um comunista que foi trocado pela mulher por um cara cheio da grana. O chifre caiu mal, daqueles que entra atravessado. A galha deve pesar porque até corcunda o cara ficou. Corno e comunista na década de 80. Hum...meio anacrônico esse negócio aí, mas tudo bem, estamos numa série da Globo.

Dentre os amigos, tem uma bicha... PAUSA para protestos dos politicamente corretos. Ok, ok. Tem um homem com orientação sexual homoafetiva na série - só para deixar a linguagem oitentista de lado e usar um termo apropriado ao nosso tempo. Tinha que ter uma bicha. Como poderia viver uma turma de amigos liberados, afetuosos, carinhosos, livres, unidos tal qual arroz empapado, sem um gay na década de 80? Nun-ca! Ja-mais!. Não pode, não pode, não pode! Nas fórmulas prontas de enredos da Globo, ele funciona como o vilão do tipo "bicha chique". Vai esculachar geral e, no final, provavelmente, vai descobrir que tem Aids, tudo dentro do contexto da época. Vide Cazuza, Lauro Corona e outros abatidos pela doença no período.


Rene Russo e Chris Martin, do Coldplay, que faz uma beeecha em "Queridos Amigos"

O elenco tem ainda Débora Bloch, Tarcísio "Meu pai era um bom ator e eu não" Filho, Maria Luiza "Buba" Mendonça, mas quem se importa? Vale mesmo só aquela gracinha que fez o Tropa de Elite, Fernanda Machado. Sim, meus queridozamigo, a série, como tudo na emissora, transforma uma época em um troço caricato, distorcido, exagerado, bem distante do que era. Fora que a passagem de tempo entre o vídeo gravado em 1982 pelos amigões e o tempo "atual" , de 1989, parece que durou mais do que sete anos. Está todo mundo acabado. Tão acabados que o nome da série poderia ser "Queridos mendigos".

Se eu acreditasse em autores globais, no final do primeiro capítulo, desligaria a televisão e daria graças a deus de ser apenas uma criança naquele ano retratado no programa, porque, segundo a Maria Adelaide Amaral, os adultos daquele tempo eram todos magoados, saudosos, atormentados, deprimidos, fodidos, rancorosos, raivosos, viados, fracassados, falidos, atacados, arrombados e tudo de ruim. Fora que os caras usavam aqueles moletons feito xale por cima da camisa, uma moda que, sinceramente, só vi na tevê.

Se você é daqueles que acreditam piamente que as séries são melhores do que as novelas, pode esquecer essa idéia. "Queridos Amigos" está no mesmo nível de diálogos constrangedores e situações inverossímeis. Mas, Isso tudo não incomoda nem um pouco, afinal é mais um programa pra sacanearmos sem piedade. O problema é que algumas pessoas, mesmo testemunhas vivas dos anos 80, vão acreditar que aquele tempo foi do jeitinho que a Globo está mostrando. Só espero que quando fizerem alguma coisa retratando os anos 70, não esqueçam o clima saudável das pornochanchas e as mulheres naturalmente gostosas dos filmes do David Cardoso. Esse sim um tempo bom, digno de uma novela inteira.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

“Cloverfield”, de Matt Reeves [E.U.A] (2008)

Não é a toa que J.J Abrams – produtor de LOST (creio que eu já não preciso dizer o que é LOST) - entende das coisas no ramo do entretenimento. Sua última brincadeira, chamada “Cloverfield”, já se pagou em bilheteria no primeiro fim de semana em cartaz. É mais um daqueles filmes com câmera subjetiva do estilo “personagem câmera-man” – a fórmula de “Bluxa de Blair”(1999), que emulou a fórmula de “Cannibal Holocaust” (1980). A diferença é que os dois filmes anteriores queriam passar a idéia de que o fato registrado realmente acontecera, causando respectivas polêmicas em suas determinadas épocas de lançamento – aliás, este é o grande trunfo do sucesso dos dois. Como ninguém mais acredita nisso, por que não criamos algo extremamente fantástico e mentiroso de uma vez para o personagem do filme gravar, não é verdade? Então...vamos colocar cinco jovens, um deles com uma câmera, enquanto um MONSTRO gigantesco destrói a cidade! Pronto, já posso pegar os meus milhões de dólares agora? No mundo competitivo de hoje, com filmes de idéias repetitivas ou recicladas saindo pelo ladrão, acho que o veredicto final para o aval da empreitada foi : “Filmes de monstros são legais, mermão!”. Senta, chame o Guioday para lhe transformar num gigante de 50 metros, que lá vem a história:


Sim, mais uma vez a cidade de Nova York é destruída por alguma ameaça. Ainda bem que estes filmes não influenciam ninguém.


O filme começa com aquela velha premissa de que o material que vamos assistir foi encontrado e tal. No caso, faz parte dos arquivos do departamento de segurança do governo americano: “as imagens foram registradas num cartão SD de uma câmera ultimo modelo da Sony Cybershot Anti-Monstro 10 megapixel...encontrada no lugar onde um dia foi o Central Park...” – e muita gente sabe que quando isso acontece não devemos torcer por nenhum dos personagens porque, historicamente nos filmes de “personagem câmera-man”, ninguém precisa sobreviver pra contar a história. Isso é uma lei, além de ser a própria razão que dá origem a este controverso gênero cinematográfico. Eu soube que pessoas estavam passando mal e vomitando durante as sessões “deve ser por conta das cenas de correria e tensão, afinal, não é todo dia que um monstro destrói a cidade de NY, se fosse Tókio, vá lá...” pensei eu. No entanto, a parte que realmente acredito causar náuseas é o início, quando o filme parece um desses reality-shows genéricos do tipo “MTV na Real”: Rob possui sexualmente Beth, uma amiga por quem é apaixonado desde a infância, poucos dias antes de partir para o Japão. Seu irmão Jason e a namorada Lily organizam uma festa de despedida para ele. Hud fica encarregado de filmar o evento e entrevistar os amigos, mas está mais interessado em Marlena, uma moça que adora tomar uns goró. Beth aparece com um cara na festa, o que deixa Rob muito emputecido e exigindo explicações. Ela vai embora tristonha e enquanto Hud e sua câmera espalha pra todo mundo que os dois "descabelaram o palhaço". Tirando Beth, que foi embora da festa, neste trecho temos os cinco jovens pra começar a trama... e a esta altura, eu já estava contando os segundos para o MONSTRO aparecer logo e tocar o terror nessa porra toda!


"GROOOAAAARRRR!!"...porque não é de hoje que monstros gigantes comandam "peso" no quesito destruição de megalópoles.


Um tremor de terra é a deixa. Depois disso, segure-se na cadeira e prepare-se para ter reações conforme os realizadores do filme pensaram – ou pelo menos, algumas, ora vamos, é um filme de monstro, se você quisesse ver Godard nem entraria no cinema. Mas não pense que será fácil, ou rápido ver o personagem principal em toda sua magnitude, porque a câmera é uma dessas de filmar churrasco no domingo, além disso, o cara tá tentando sobreviver à nuvem de poeira, paredes desabando, mísseis, pedaços da estátua da liberdade e outros obstáculos. Enquanto os cinco tentam sair da cidade no meio do caos que ela se tornou, questiona-se sobre o que é a ameaça, qual a natureza do bicho: se é alienígena, criatura pré-histórica escondida, se saiu de uma fenda marinha...enfim, você também vai pensar em alguma coisa. A minha, no outro dia, foi em torno de H.P Lovecraft e toda aquela onda sobre o “Cthulhu” – um monstro sinistro do universo sinistro do autor – sei lá, quem sabe até do ramo sobrenatural: o exército gasta quase todo o arsenal de Bush e nada do trololó tombar. Acredito que o filme perde uma grande porcentagem de intenção se assistido fora do cinema: a idéia é que você esteja lá, no meio da esculhambação, e com o som mais porrada que puder. Tem seus momentos bacanas, como a cena do metrô, mas no final de tudo...é impossível não sentir a leve brisa de picaretagem no ar. Como é de praxe nestes filmes de fitas encontradas que registraram a história as informações adquiridas durante a sessão não são satisfatórias. É aí que você engole a pílula vermelha da matrix e percebe que em matéria de descolar um troco esses caras são tão bons quanto monstros em destruir cidades. A descoberta de que “Cloverfield” é apenas a ponta do iceberg, o pontapé inicial, ou qualquer outra expressão equivalente é certa: o filme é um referencial para se desenvolver mais de trocentas histórias sobre antes, durante e depois do acontecimento: aquelas do estilo “o monstro foi criado pelos russos durante a guerra fria...” ou então “o ataque do monstro pela visão de uma equipe de filmes pornográficos” ou ainda “os sobreviventes foram para uma ilha onde acontece mais coisas estranhas”. Sem falar nas teorias, discussões sci-fi, jogos de videogames, bugigangas, comunidades do orkut [“Cloverfield, eu fui”], o que vier...


Além de visão noturna, redutor de olhos vermelhos e lanterna embutida, a câmera é à prova de monstros e armas nucleares. E é claro que está imagem não existe no filme, seu besta, senão não seria um legítimo do gênero “personagem câmera-man”.