sábado, 14 de Março de 2009

“Whatchmen”, de Zack Snyder (2009)

Decidi que o primeiro dos meus amigos que assistisse Watchmen e quisesse escrever algo sobre, colocaria aqui. Então, o texto abaixo é de Bruce Leroy.
### por Bruce Leroy ### Eu...eu sou o único mestre!

Não li, não vou ler e tenho raiva de quem leu “Whatchmen”, do Alan Moore, que eu só conheço o nome porque sempre esculhamba as adaptações que fazem das suas histórias. Sem saber patavinas (inclusive o que significa patavinas) sobre os heróis desse grupo, fui de boa fé ao cinema ver a versão do Zack Snyder, o mesmo de 300, mas que eu prefiro lembrar pelo “Madrugada dos Mortos” – que é muito mais legal. Esperei numa fila enorme, na frente de uma família de nerds ou que se pareciam com o estilo clássico de nerds (pai, filhos pequenos e a mãe usavam óculos de grau. O cara tinha jeito de imbecil, os meninos eram engraçadinhos e a mamãe era muito gostosa, por sinal).



Pouco antes da sessão, ouvi o comentário: “ah, uma menina falou que tem um homem que vira coruja”. O cara que comentou sabia que não se tratava de um homem que vira coruja. Ele leu os quadrinhos. E por isso mesmo comentou, meio que esnobando a ignorança da moçoila. Ora, ora, eu sabia tanto quanto a menina sobre os Whatchmen, mas tinha as benditas 14 pilas pro ingresso e fui ver o filme. Não li a porra do gibi e não vou ler, repito. Até porque na época que esse troço foi lançado eu não tinha grana pra comprar, nem meus pais tinham também. Hoje, até poderia gastar um trocado na bagaça, mas prefiro cerveja e putas, diversões bem mais saudáveis e produtivas.

Apagam as luzes. Logomarca das produtoras todas e parceiros. De início, o espectador tem um desbunde visual. Apesar de usar a palavra desbunde para descrevê-la, é realmente uma seqüência muito bonita que indica a importância desses heróis na sociedade estadunidense na época do seu auge. Impressionantemente bonita, eu diria. Uns caras vestidos com uns cosplays muito firme, diria os malandros da Pedreira. Nessas poucas cenas, que são praticamente quadros parados, é possível entender a formação dos “Homens-minutos”. Estão todos lá. Todos os que leram sabem muito bem o nome deles e eu só conheço a imagem que vi no cinema. Nem fui ao Google pesquisar. O que importa é que o diretor deu uma pulada nessa parte e não explica bem as nuances da formação nem a transição para a nova composição, agora chamada de “Vigilantes”.

Aliás, são os Vigilantes que começam a ser execrados por todos e perder a moralzona que os antecessores tinham naquela metrópole urbana de meu deus. Não fica também muito explícito os motivos da rejeição social, a não ser pela atitude do legalzão "Comediante". O cara tem bigodinho style, acende charutos com um maçarico e mete bala em todo mundo sem dó nem piedade.Gostei do Sujeito.


“Protesto contra os Whatchmen é o caralho! Dá um tempo, mermão!”

O filme mostra um presente em que os heróis são clandestinos. A não ser pelos roberts Ozimandias (não tem nada a ver com o Ozzy) e o Dr. Manhatan. Se você for esperto, vai perceber de cara que a história toda vai desembocar e ter um sentido a partir desses dois personagens. O fresco mais inteligente da terra e o Dr. Smurf são pontos chave para fechar a complicada história que deve ter dado um trabalhão para os roteiristas e o diretor adaptar para a tela grande.

De fato Whatchmen é um filme supimpa, digamos assim. Ainda lembro o garotinho perguntando na fila para sua gostosa mãezinha: “Mas do que é esse filme? É de putaria, é? Tem cachorro herói? Tem urso besuntado no mel se masturbando? Do que é, hein?”. E ela, já meio sem paciência - e inconsciente de que eu olhava disfarçadamente seu decote – dizia: “... é de aventura, meu filho. É de aventura e não torra a porra do saco!". Penso que nem ela nem o pai sabiam o que encontrariam. Se soubessem não tinham levado os dois pentelhos de, mais ou menos, oito e dez anos.

Definitivamente, o filme não é para crianças. Nem tanto pela broxada do Coruja diante da fabulosa Spectral (Malin Akerman – só cito porque ela tem uma bundinha perfeita), consertada depois com certo garbo pelo Corujão, em uma cena que mais parece uma coreografia do que uma foda. Não vem do sexo o teor inadequado para os infantes. Fica por conta mesmo do meu preferido Rorschach, interpretado pelo grande Jackie Earle Haley. Guardem esse nome, vocês ainda vão ouvir falar desse feioso outras vezes. Já o tinha visto em “Segredos Íntimos” (2007), como psicopata pedófilo. É dele a narrativa ácida sobre a cidade e sobre o ódio que tem do que a vida lhe reservou. Em algum momento do filme, ele começa a narrar a merda que é o lugar em que ele vive. E eu, não sei por que, eu juro, não tive como não me perguntar: mas, porra, esta história foi rodada em Belém??!

É de Rorschach que parte as cenas mais incríveis de violência do filme, como na hora em que ele esturrica com óleo fervente a cara de um dos presos e, contido pelos guardas, solta a pérola: “VOCÊS NÃO ENTENDERAM. NÃO SOU EU QUE ESTOU PRESO AQUI COM VOCÊS. SÃO VOCÊS QUE ESTÃO PRESOS AQUI COMIGO”. Ele realmente é foda. Até o fim.


Rorschach, o cara mais foda do filme, distrai seus inimigos com pranchas manchadas com sinais de pura pornografia e desce a porrada geral.

Com enredo intrincado, com uma história que aponta um caminho, mas dá em outro, o filme vale por si mesmo. Nada de porra de adaptação. Ou quem sabe por ter saído de uma adaptação, é que vale. Vai saber. Melhor não ficar com essas viadagens puristas. É lindo visualmente. Poucas cenas conseguiram ser tão bonitas e bem feitas, como a morte do Comediante, no início do filme. Portanto, mande o Alan Moore se foder com suas magias. Mande também aquele semi-conhecido mala, metido a leitor de gibi cult, tomar no meio da porra do olho do buraco do ânus por se orgulhar de ter lido o quadrinho e, assim, ter uma opinião mais embasada sobre o filme. Opinião embasada de cu é rola.

Ignore esses camaradas e vá assistir aos “Homens-minuto”, aos “Vigilantes”. Muito do que é visto não vai ser compreendido por quem não conhece a história antes. Nem acredito que a história adaptada seja uma boa história cinematográfica: é previsível e a revira-volta e o término um tanto quanto demais ativista do pessimismo pós-moderno-ultra-contemporâneo (nossa, como os comunicólogos são safos quando inventam essas expressões ma-ra-vi-lho-sas).

Mas, o caminho que se percorre para chegar a esse fim vale o ingresso. Só não leve seus filhos ou sobrinhos nerds menores de 12 anos juntos. Eles podem ficar perguntando o que o senhor Coruja estava fazendo nu junto com a Spectral e por que a bunda dela sobe e desce tão gostosa em ritmo deliciosamente cadenciado.


- Que beleza de Cosplay, hein?
- Hum...que beleza de Rorschach! (RÁ)