
Além de descobrirmos que Rachel vai casar, somos apresentados a sua irmã, Kym (o melhor de Anne Hathaway), o verdadeiro centro das atenções do filme. Depois de 9 meses numa clínica de reabilitação, ela é liberada para participar da festa da irmã. É possível sentir a névoa almiscarada de problemas que páira sobre Kym através dos outros personagens da trama, que lidam com ela sempre com o receio que a própria se entupa de tranquilizantes, toque fogo no cachorro, coloque um disco do Vitor e Léo, ou seja, faça alguma besteira a qualquer momento. Durante o filme, partes reveladas do histórico da garota mostram que ele é o seu pior inimigo neste sentido.
Como se não bastasse toda esta pressão, a ovelha negra vem para o casamento de sua irmã orgulho da família – uma quase phd em psicologia – alguém que passou um bom tempo lendo livros de caras que não comiam ninguém e agora tem autorização para ganhar altas somas falando impropérios que supostamente ajudariam pessoas a resolver seus problemas. Sem falar que o noivo é o vocalista do Tv On The Radio, um negrão boa pinta, músico talentoso e boa praça que todos os personagens do filme amam e por quem colocariam a mão no fogo. Até eu, sem passado de drogas e confusões, estaria deveras deslocado neste evento. Identifiquei-me bastante com o desconforto de Kym em alguns momentos, como a necessidade (tentativa) de se divertir na festa e na tensão pré-discurso de felicitações matrimoniais.
O que poderia ser uma lavagem melodramática de roupa suja jogada nos conflitos familiares encontrados, dos graves aos superficiais, da relação insossa da mãe com as irmãs Rachel e Kym, da preocupação excessiva (e até mesmo justificada) do pai e de um incidente do passado que culminou com a perda de um ente querido... tudo desce macio, dinâmico e com toques de humor no roteiro de Jenny Lumet. Além do texto ser dos bons, a opção por um estilo de câmera informal – com mal de parkinson e outras aparentes amadorices – só tornou a experiência mais agradável.

Golden Shower, Ganesh, Ponyplay e festividades mil no casório de Rachel
O filme reúne momentos bem dosados de tristeza e alegria: o inferno pessoal vivido por Kym e a própria áurea festiva do casamento de Sidney e Rachel, que é uma parada... todo ao estilo indiano, apresentações musicais a cada instante, com direito a comitiva de mulatas passistas quebrando no samba carnavalesco. Altamente recomendável para noivos, ex-drogaditos e pessoas que levam furo no cinema, O Casamento de Rachel é, sem dúvida, o melhor filme com a palavra “casamento” no título que já vi.



























1 comentários:
Excelente comentário sobre o filme, Paulo. Achei muito bom também, principalmente a hora que o negão canta acapella Unknow Legend, do Neil Young.
Vou escrever sobre o filme talmbém.
Aliás, vou te linkar nos meus favoritos.
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