quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Moda Jóvi

Acho que não dou pra esse negócio de cartunista. Ultimamente eu só faço quadrinhos com as mesmas três piadas: sobre alguma viadagem; sobre as coisas escrotas que se espalham nesse novo mundo modernoso de hoje; e sobre as coisas escrotas que se espalham nesse novo mundo modernoso de hoje que lembrem alguma viadagem. Estou cansado disso. Aliás, estou cansado de muitas coisas. Outro dia uma amiga me perguntou, via msn (claro, ou você ainda acha que as pessoas conversam à moda antiga?) “quando é que vamos nos reunir para debater sobre filmes bons?”. “Nunca mais!” - eu disse -“Primeiro, os filmes não são bons; segundo, agora eu quero é sacanagem!”. E eu pensando que ela iria me fazer alguma proposta indecente. Ah, a vida tá passando e os meus tempos de cabelereiro e arroz de carreteiro se foram.
Sem contar essa moda jóvi de hoje. Eu definitivamente perdi a váibi do momento: não uso boné à noite - quem faz isso pra mim é frentista - nem camisa colada, nem colar de sementes gigantes.


Tom Morello, o único cara que usa boné à noite na balada que eu respeito.

Sem contar que eu não consigo não me importar com as expressões que os jóvi (ou quem quer seja) usam o tempo inteiro. Eu devo ter passado tempo demais dentro de casa. Outro dia, uma simples visita a um sáiber foi uma experiência aterradora. Cheguei à noite, um horário em que o recinto estava bombando. Logo na entrada, um rapaz alegre olhou para mim e proferiu languidamente: “Adorei sua camisa do Lanterna Verde...TUDO DE BOM!!”. Hall Jordan e eu agradecemos serenamente nos dirigindo o quanto antes ao fundo da sala. Enquanto esperava uma máquina ficar vaga, reparei num menino gordinho de cabelo sem forma (e eu que passei a infância sendo obrigado a pentear o cabelo) enfrentando criaturas, dragões e eticeteras num deste últimos jogos de espada e magia da temporada. Ao lado tinha outro garoto, diante do mesmo jogo, visivelmente mais habilidoso no embate. O gordinho deu um tempo, olhou para a tela ao lado, e gritou em gozo: “Nossa, como tu tens todas essas armas STYLE?! Nossa, esse teu SET é muito FODÁSTICO!!”. Sei lá, se meus filhos começarem a falar essas merdas eu vou ralhar com eles e esbandalhar todos os seus brinquedos. Sem mencionar o fato de que na máquina ao lado da minha (finalmente peguei uma), pude ouvir uma jovem: “Olha só os meus vídeos preferidos (falando com alguém), só banda DUCARAI VÉI: My Chemical Romance, Evanescence, Nx Zero e Green Day! A Green Day é a melhor banda do mundo, não tem ninguém pra botar no Green Day!!”. Meu tempo acabou e fui embora do local com a certeza de que se tocasse “SHE” para ela...ela nem iria saber de quem era.

O que foi, achou esta seqüência de acontecimentos a coisa mais natural do mundo? Desculpaí então, são apenas percepções de um velho decrépito e decadente de 26 anos.

E agora. para terminar com sábias palavras este capítulo, nada como as considerações do Away de Petrópolis...


5 comentários:

HelderMB disse...

Totalmente certo, estamos velhos e acabados, com terríveis insistências nas nossas porcarias antigas. Vamos sair hoje a tarde para comprar um boné e colar de semente e acabar com nossos preconceitos?
Muito bom!

paulo nazareno disse...

Acho melhor saírmos, eu com uma camisa do Rage Against the Machine, tu com uma do Che Guevara. Aí nos pedimos um Mcclanche feliz no Mccdonaldo mais próximo - gravamos tudo e colocamos num documentário. Ficaremos ricos com o dinheiro das pessoas que entenderem este tipo de piada. O que tu achas?

Adriano Mello Costa disse...

Meu caro amigo, to fazendo coro contigo nessa...nos ultimos tempos eu tenho feito essa "reclamacao" constantemente...ehhe
Esses jovens de hoje sei nao, mas o foda é que muito provavelmente falaram o mesmo da gente quando eramos jovens de 15,16 anos...ehehe
Abraços...
:)

Helem disse...

Acho que o pior de tudo é se sentir um velho rabugento aos 20 anos. Mas importante mesmo é seguir o grande conselhodo Gil brother sobre a dentadura pra esses garotinhos juvenis criados a leite com pêra e ovomaltino.

Anónimo disse...

Bando de filho das puta, criado com leite com pêra, com ovomaltino! Hahahaha rapaz, é a vida. De fato, não fazemos parte dessa vibe. É uma geração em que os homens se vestem como viados e as mulheres beijam na boca uma das outras sem ser sapatão. Fora os emos, os preibois fantasiados de hipie, os punks de butique, as patys cada vez mais parecidas com putas, os fodásticos, os metrossexuais, os hubersexuais, os pansexuais, o orkut, o msn, os celulares com câmeras, mp6854 e que também, viram churrasqueiras, os djs de aparelhagens de som e uma caralhada de denominações e fatos que estão brotando no exato momento em que escrevo estas merdas.

Mas, temos que saber conviver pra, pelo menos, poder chegar nas mulé e dizê: "vamo se tê, vamo se querê?". Las chicas mas hermosas estão nesta vibe, garoto, achando tudo dugarai, véi, muito istaile, tudibom. Temos esperança que um dia uma dessas gostosas tenha um arroubo de nostalgia e queira fornecer suas máquinas de moer carne pra velhos como nós. Mas, que cansa, cansa. Enquanto isso a gente sonda as vibe, rindo do que antes era ridículo, hoje nem tanto.

Abraço.