domingo, 23 de abril de 2006

Especial: O AlBérgh

Devido ao grande número de opiniões desfavoráveis sobre “O Albergue” acabamos pensando que o filme é uma merda, mas quando assistimos...temos certeza! Mas não é uma merda qualquer, é uma merda que tem o aval de Quentin Tarantino, custou apenas 5 é já faturou 50 milhões. É ou não é um grande incentivo para aquele cineasta que existe dentro de você?

Eu usei um argumento cedo demais em Aeon Flux, mas irei repeti-lo aqui porque ele cai como uma luva polidáctila no filme de Eli Roth: mulheres heterossexuais que sentem gastura quando arranham o garfo no fundo do prato, ou quando alguém coloca a pálpebra superior do avesso, não vejam o filme. É sério. Sou a favor de que nenhum filme deva ser evitado. Todos devem ser vistos para garantirem uma opinião, mas resguardo este grupo de pessoas, depois de considerar o alto valor do ingresso na atualidade e de que a dupla de escrivinhadores deste blog são: um velhinho, que tem uma carteirinha de passe livre e um cara que fez jornalismo apenas para entrar no cinema sem pagar, isto porque não sabia que a gratuidade não era válida em todos os circuitos...malditos capitalistas, detentores das salas de projeção.

Se você quiser ler o texto anterior sem muitas revelações comprometedoras, clique aqui, caso queira chutar o pau da barraca que nem o diretor, prossiga.

Todos devem achar que Crash é um filme com questões raciais, preconceitos e tudo o mais. Mas é porque ainda não viram "O Albergue". Se você procurar “xenófobo” no Aurélio, vai estar lá: “O Albergue, de Eli Roth”. E acredite, este é um dos argumentos que fazem o filme ter graça (pelo menos um pouquinho). Enquadrá-lo como “terror”, é o mesmo que dizer que “Zorra Total” é programa de humor.

Na historinha, Paxton e Josh são dois mochileiros americanos que passeiam pela Europa. Com a miscigenação e até mesmo intervenções, como
Salma Hayek no mundo hollywoodiano, eu achava que os padrões de beleza americanos tivessem mudado um pouco. Parece que não, as americanas devem continuar as mesmas barangas de sempre, já que os caras foram se meter lá onde “o vento perdeu as botas e faz a curva” atrás de umas meninas gostosas. Eles ainda têm a companhia de Oli, um islandês, que está no filme para mostrar que além de comerem carne podre de tubarão e ouvirem Sigur Ross o dia inteiro, os islandeses são todos uns tarados babacas piores que os garotos que brigavam por figurinhas do campeonato brasileiro na 6º série.


Pax, Oli e Josh. O Playboy, o Doente-Mental e o Playboy-Sentimental.

A motivação da viagem são drogas e sacanagem. Eles conhecem um cara que dá a dica onde encontrar as melhores xoxotas da Europa: Um ALBERGUE (mentira, é mesmo?) em Bratislava, na Eslováquia. Antes que eles comecem a sufocar por falta de oxigênio ou se perguntem como aquele raquítico narigudo conseguiu comer alguém por lá, o cara mostra umas fotos em que ele participa de um verdadeiro Gang-Bang com belas garotas.

A esta altura você percebe que Josh é um tanto sentimental, descarta os serviços de uma quenga (terei que me munir de todo o arsenal de sinônimos de “puta” para não tornar o texto repetitivo) em Amsterdã porque ainda não esqueceu da ex-namorada; Paxton é um latino-americano, que para não sair por baixo, dedicou-se aos estudos e aprendeu falar mais de duas línguas; e Oli é o primeiro que vai morrer.

No trem para o puteiro, ops, albergue... eles conhecem um sujeito meio sinistro. Um cara que tinha fortes tendências homossexuais na adolescência mas escolheu ter uma família (esposa e filha) e comer salada com as mãos para não chocar a sociedade. O cara vem com um papo de baitola pra cima de Josh, que o põe pra correr.

Bratislava é um lugar que nem você, nem os mochileiros tinham ouvido falar até este filme, o que aguça a imaginação de todos...um lugar onde a belezura das meninas é diretamente proporcional a dificuldade de se pronunciar o nome delas.


Svetlana e Natalya. "Não somos putas, apenas atraímos turistas para a morte honestamente!"

Então, eles têm a sorte de encontrar Natalya (Barbara Nedeljakova) e Svetlana (Jana Kaderabkova). Natalya é ítalo-russa e Svetlana é de Praga, independente de onde são, já resumem que toda européia é puta. Sim, é isso mesmo. Elas dão para os americanos por 3 motivos:

1) Por que são gostosas e desinibidas e precisam mostrar os peitos.
2) Porque gostam de dar, porque é bom e precisam mostrar os peitos.
3) Porque os rapazes precisam de um instante de redenção antes de serem torturados, mutilados, mortos e etc...e porque elas precisam mostrar os peitos.


Para Oli sobra a recepcionista, não menos bela, mas que não precisou mostra os peitos.

No meio das européias safadas do albergue ainda aparecem duas japonesas. Não dá pra entender o que elas fazem ali, já que todo mundo vai lá só para catar as plocs européias que dão de graça. Provavelmente estão fazendo um intercâmbio para aprenderem a ser putonas também, ou então apenas para dar um toque tarantiano de ser ao filme.

No outro dia, Oli desaparece. Ele saiu com uma das japas e não voltou. É nesta hora que você percebe que há mais suspense em se cortar as unhas dos pés com um alicate desamolado do que em “O Albergue”. Você vê que o filme é um splatter, gore (ou outras denominações usadas por terrorcinéfilos) de SOPETÃO (hahah, eu sempre quis usar esta palavra)... alguém corta um dedo do pé da japonesa em algum lugar depois da câmera ter mostrado a cabeça de Oli separada do corpo...o que leva a crer que há pelo menos um maníaco assassino solto por aí e coisa e tal.

Os dois se preocupam com o amigo, mas como não o conheciam direito mesmo, decidem continuar curtindo a viagem e quem sabe possuírem as moças mais uma vez. Numa parte, Josh reencontra o cara do trem (acho que isso foi antes deles copularem com as biscates, é que lembrei só agora). O cara o alerta dos moleques perigosos do local, que atacam as pessoas que não lhes dão um agrado: dólares, chicletes, bolachas, etc. Josh pede desculpas ao cara que, com menos conversa mole, mostra-se amigável.

Na última noite, antes dos dois personagens que sobraram se fuderem de vez, Paxton e Josh são drogados. Só que Pax quer vomitar, fica preso no banheiro e adormece por lá mesmo. Josh não tem a mesma sorte, vai dormir em sua cama e só acorda... preso a uma cadeira, numa sala parecida aquela em que Oli foi decapitado.

Enquanto a sua priminha, que você levou ao cinema só de sacanagem, pensa numa forma do rapaz sair dessa porque ele é o único bonzinho, Josh é perfurado por uma furadeira elétrica quatro vezes, afoga-se na própria baba, têm os dois calcanhares abertos e a garganta cortada pelo carinha misterioso e amigável que encontrou no trem.


Josh, lembrando os conselhos de sua mãe sobre não tentar andar depois que um psicopata cortar seu calcanhar.

Paxton começa a procurar o amigo pela cidade, até encontrar as duas messalinas européias. Elas estão mais simples e sem maquiagem, tomando umas biritas numa espelunca. Como somos telespectadores e certamente vemos mais coisas que Paxton no filme, neste momento já percebemos o que o personagem vai descobrir minutos depois...que Natalya e Svetlana, além de putas...são umas filhas da puta! (hahahaha, ora vamos, eu levei dois dias para bolar este trocadilho inesperado).

Natalya resolve levá-lo até onde os amigos desaparecidos estão: “uma exposição de arte”. Eles entram num grande prédio abandonado e Pax dá de cara com o carinha do trem terminando de brincar com as tripas de Josh.

Pois é, a verdade é que uns doidões, executivos, empresários, jornalistas e pessoas normais, pagam altas somas para terem o prazer de torturar e matar turistas que por lá se aventuram. Todos no lugar, as putas, a polícia, os taxistas, e etc... recebem grana para atraírem os visitantes para um massacre particular. Bratislava é ou não é um lugar literalmente do caralho, heim?

Antes que Pax profira todos os xingamentos que conhece e arrebente Natalya no soco, uns grandões o capturam e o imobilizam numa cadeira, vejam só, semelhante a em que Oli perdeu a cabeça e Josh foi retalhado.

Confesso que durante a exibição do filme eu me tornei uma das coisas que mais abomino no cinema: os caras que falam alto. Por diversas vezes reproduzi em voz alta pensamentos de expressões propositadamente engraçadas e escrotas que conheço “Vocês estão gozando da minha cara?!”. A dúvida é respondida no momento em que Paxton é preso à cadeira. É o momento divisor do filme. É quando o diretor quer que a partir de agora você se contorça na cadeira que nem o personagem...

Puxa, ele realmente conseguiu fazer isto comigo, mas não foi de terror nem de asco. Quando o cliente alemão, que pagou para torturar o rapaz, entrou em cena... não agüentei...espoquei-me como carapanãs sangrentos de tanto rir com as presepadas do torturador. Eu pagaria o preço do ingresso pela simples presença de um conhecido ao meu lado, para que eu pudesse apenas olhar sua cara e perguntar “MAS QUE PORRA É ESSA?!!” (como uma amiga minha o fez).

Paxton implora num monólogo em alemão para o torturador, mas a equipe brasileira que compôs as legendas estava gargalhando demais no estúdio e esqueceram de traduzir o trecho inteiro. Depois de tapar a boca da vítima e de uma sessão de afogamento em vômito, o torturador fica puto e resolve livrar as algemas do rapaz com uma serra elétrica com direito a dois dedos decepados de brinde.

Enquanto Pax se debate todo com a dor, uma perna também é cortada...a do alemão, que escorregou lindamente num sangue e descansou a serra elétrica em cima da coxa, alá
Leatherface. Com as mãos livres, Pax alcança uma pistola na bandeja de ferramentas de tortura e queima o torturador, acabando com suas fetiches e frescuras.

Agora ele tinha que fugir do local, cheio de salas com loucos torturadores e vítimas... e cercado de seguranças sósias do Príncipe Adam. Ele se esconde no carrinho do faxineiro, fazendo-se de morto no meio de tantos outros pedaços de corpos. Pax arrebenta a cabeça do faxineiro-açougueiro com uma marretinha, depois de constatar que o mesmo destrinchava humanos como se fosse uma pescada amarela.


"Finalmente poderei me masturbar com uma mão alheia! É esse tipo de coisa que faz nosso trabalho valer a pena!"

Depois disso ele encontra uma sala onde se veste com roupas bacanosas, terno e luvas pretas, para tentar sair se passando por um dos esbanjadores assassinos. Nisso aparece um dos clientes, um americano, que começa um diálogo para percebermos o quanto os americanos são as criaturas mais idiotas e doentias de todo o universo, e provavelmente Roth, deve ter achado que esta era uma das piadas mais sensacionais de todo o filme, como aquela em que os americanos são os mais caros no quadro de vítimas...rá-rá-rá...

O cara vai embora torturar alguém e Paxton tem a chance de fugir num carro, que algum dos clientes esqueceu com a chave na ignição. Mas ele ouve um grito asiático estridente e resolve voltar para o complexo da morte. Lá dentro ele mete bala no cliente americano, que tinha acabado de sacar o globo ocular da japonesa que tinha ficado sozinha sem a amiga, lá atrás...lembram?


Ainda bem que a tecnologia em prótese de olhos está a toda no Japão.

Com um olho pendurado no meio da cara e um pouquinho desproporcional à beleza, a japa o tem completamente removido com a ajuda do rapaz e uma tesoura...tudo explícito, para a agonia daquela sua amiga que compra abadá todo ano e para a alegria do meu doentio senso de humor.

Ele consegue levar a menina aos prantos para o carro e fugir rumo a estação com os bandidões no encalço. No meio do caminho, Pax dá um saco de bombons para a gangue de molequinhos arruaceiros. Eles dão porrada nos bandidões – que só para constar, estavam armados e puxam ferro desde a infância...

Antes de chegar à estação, onde a japonesa vai se jogar na frente de um trem, depois de ter visto o reflexo da cara sem olho num vidro, Pax encontra Natalya e Svetlana conversando com aquele narigudo que o convenceu a chegar nesta terra linda de meu deus!! Esta parte é legal, porque ele faz exatamente o que todos no cinema gostariam...e na Natalya, ainda passa com o carro por cima duas vezes. Bem, o burburinho causado pelo suicídio da japonesa na estação despista seus algozes e ele consegue entrar num trem qualquer para não sei onde, mas ninguém se importaria com isto depois de tudo... a não ser o assassino de Josh, que tem os dedos decepados e a garganta cortada por Pax no banheiro de uma estação próxima, depois que o sobrevivente percebeu que ele estava no mesmo trem. Fim...

É isso, esta foi minha versão do filme. Não lembro de ter visto nenhum negão sendo torturado ou morto, o que achei uma viadagem da parte deles! A equipe deve ter ficado com medo dos negros americanos não terem senso de humor e dessem uma curra neles quando voltassem para os states.

Depois de foder com o mundo inteiro, o diretor quer se redimir de não ter colocado nenhum brasileiro roubando ou sacaneando com alguém na película, o que é um absurdo! Agora resta esperarmos por “O Albergue 2”, que será num congresso de alunos de Comunicação no Brasil.

Quer saber...retiro minhas restrições em relação à quem tem gastura, todos devem ver o filme. Vejam logo esta porra e dêem mais grana para esses putos continuarem a fazer mais produções divertidas como esta! De repente, uma hora ou outra Eli Roth acerta de novo como em
Cabin Fever – um verdadeiro divisor de amigos, alguns agradecem a indicação e outros mandam eu tomar no cu.


Sim, eles realmente estava gozando da... e na sua cara.

Uma canção, “Long Gone Day" (Mad Season)

7 comentários:

sepúlveda gerardo disse...

Meu caro Nazareno.

Fostes tão explícito quanto Eli Roth!!!

Eu tinha evitado tantos detalhes para não constranger os leitores! E me limitei a um texto curto por achar o filme realmente una mierda! Pelo menos até da hora em que Pax corta o olho pendurado da oriental! Daí em diante eu gostei! Ah, e tinha esquecido... enquanto esperava o início da sessão, duas moça, com cara de quem aguarda ansiosamente novembro (não o do V!) para comprar abadás, saíram da sala escura tapando os narizes e com as bochechas cheias de ar!

Ah, não era para tanto, pois!

Cordialidades!

paulo nazareno disse...

Meu caro velhinho, não se sinta culpado de não ter transparecido se o filme era ruim mesmo, ou se gostou de algumas partes que nem eu. Afinal, eu só escrevi mais por pura vagabundagem. Ninguém lê essa birosca rapá..e a gente não faz a mínima questão de divulgar! Tanto que fazemos comentários para nós mesmos..hahaha!

É rapaz, quando entrei vi um cara de cabelo espetado sair da sessão anterior rindo e dizendo "O final desse filme é muito STYLE!". hahAHah...ah, esses metrossexuais ainda me matam, ui!

Sepúlveda Gerardo disse...

Ora, pois, gajo! Então agora ficaremos nesta moda de mandar lembretes, assim, um ao outro, já que ninguém nos lê ou se lê não percará seu precioso tempo mandando comentários mais inúteis que nossas resenhas a esta espelunca virtual.
Sem ressentimentos quanto ao não expressar má qualidade da película com propriedade. Lá no fundo de minh'alma lusa e octagenária estava uma rapariga que A-DO-RA! comprar abadás todos os anos, ó pá! Na próxima empreitada, sufocar-la-ei no próprio vômito a la Eli Roth!

Cordialidades!

Narcotico disse...

O filme é um clássico do terror tresh, se não gosta do estilo procure se informar antes de ir ao cinema...
Quando fui ao cinema duas escrotas que riam muito e falavam de mais no começo do filme, não agüentaram meia hora rrrrssss!

paulo nazareno disse...

Aí é que está, meu caro Narcótico! Eu gosto do estilo. Não é ruim porque é trash, é ruim porque é ruim mesmo no geral - o roteiro, a cara de pau e o principal: o apadrinhamento e o marketing de que é violento e perturbador!

Se eu for me "informar", fazer uma pesquisa, rever todos do Romero, do Dario Argento, Peter Jackson e o escambau, aí é que vou achar O Albergue uma merda mesmo!

No final das contas, todos estamos protegidos pelo "gosto pessoal". Mas "clássico trash" mesmo é "O Rato Humano". Recomendo.

Anderson disse...

Rapaz, crássico mais recente é o Casa dos Mil Corpos e o Reijados pelo diabo, do Zombie. Porra, até hoje nunca vi tanta inovação em colocar uma assassina tão gostosa num filme de horror. Vai ser boa assim no inferno, Baby Firefly.

Já o Alblérg... puta que los pariu, rapá. Mas, é divertidinho. Não é de todo o mal, não. Já o Tarantino usar o nome dele pra dizer que o filme é maravilha... ah, que melda, heim?

Falou.

Anónimo disse...

Pode crer!!Que senso de humor, sarcasmo,ironia e tudo o mais!!Adorei tudo no seu texto.Gostei um pouco,bem pouco mesmo do filme.Realmente,tem umas cenas que a gente olha para quem está do nosso lado e diz: puta merda, que porra é essa??Sem contar nas cenas que nos provocam uma única sensação: se mijar de rir, porque é só isso que dá para fazer na hora mesmo!!!Kkkk!!-->"para a agonia daquela sua amiga que compra abadá todo ano e para a alegria do meu doentio senso de humor"--> essa parte realmente foi demais!!Saudações.