sábado, 17 de setembro de 2005

Sin City, de Robert Rodriguez/Frank Miller (2005)[EUA]

“Miho, you´re an angel. You´re a saint. You´re Madre Teresa. You´re Elvis Presley. Miro, you are God!” (Dwight) – isso porque ela é uma messalina assassina armada com duas katanas e atira shurikens em forma de suástica.

Por que falar mais de um filme que já nasceu cult, que já é uma revolução cinematográfica, que todo mundo já rasgou a seda, babou o ovo, pagou o pau e todas aquelas milhares de expressões que significam a mesma coisa mas você não faz a mínima idéia do porquê de serem usadas, já que gramaticalmente representam coisas absurdas que aparentemente não têm nada a ver. Se é para usar expressões sem um significado visual satisfatório, por que não dizem que o filme é du caralho logo e pronto? Tá bom, eu falo então. “Sin City é du caralho” (Paulo Nazareno, Quando a barata voa).

Os atores são apresentados e sacrificados em segundos. Logo você não os reconhece mais na tela e os personagens de Frank Miller reinam absolutos. Não importa se você é fã de Bruce Willis ou acha a Jessica Alba o que há de melhor em atriz do bocão gostosona do momento, eles não estão lá, não há filme, apenas quadrinhos fantasticamente narrados e hipnotizando magicamente o espectador. Antes que eu possa lembrar de outra expressão fodona adjetivadora que termine em “ente”, posso dizer, como se você já não soubesse, que o filme é uma das mais novas, belas e bem sucedidas experiências do cinema digital. Não vou falar da carga semiótica da obra, nem de quanto Walter Benjamim curtiria o filme, nem da estética noir parecida com alguns filmes antigos alemães, pelo simples fato de: ter compreendido apenas teoria da comunicação I, não conseguir citar pelo menos dois filmes noir de cabeça – algo que mostra que sou uma fraude em matéria de crítico cinematográfico – além de não manjar porra nenhuma de cinema mesmo.

Robert Rodriguez e sua trupe praticamente perseguiram o autor dos quadrinhos para que ele se envolvesse no projeto. Deu tão certo que Miller até virou um de seus personagens. Sin City para as telas traz três histórias que acontecem na mesma noite, mas são contadas a seu devido tempo. Os personagens vivem num mundo cruel e muitos de seus atos beiram a loucura – isso é claro, quando eles já não são psicopatas mesmo. Em Sin City você encontrará reminiscências do que seria Mickey Rourke (Marv) chutando o pau da barraca e mais uma porrada de coisas; Bruce Willis (Hartigan) mais duro de matar do que nunca e Clive Owen (Dwight) corrompendo seu Rei Arthur até a alma. Pois é, e como você vai assisti-lo mesmo que eu minta dizendo que o filme é uma bomba, vá na paz, vá tranqüilo, você vai precisar de calma quando passear pela Cidade do Pecado.

Se você não leu nenhuma edição inteira de Sin City, como eu, não se preocupe, pelo menos a gente não sabia o final das histórias. Quanto ao Robert Rodriguez, prometo que revejo "El Mariachi" (inteiro) na próxima vez que passar na Band e acho que vou ver "Sharkboy and Lavagirl" – um cara que faz um filme baseado nas aventuras criadas pelo filho de 7 anos merece por demais o meu apreço.


E eu nunca li uma edição. I´m Sorry, Frank, I was just a little sad fat boy.

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